Edição 1 648 -10/5/2000

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O nível melhorou

A PM mineira ficou menos violenta depois que
investiu não em armas, mas no ensino da tropa

Leonardo Coutinho

A educação é um poderoso agente transformador da sociedade. Ela impulsiona empresas e alavanca países. Os últimos indicadores de desempenho da Polícia Militar de Minas Gerais mostram que o poder oriundo da sala de aula interfere até mesmo na segurança pública. Um deles: em São Paulo, de acordo com os dados divulgados há alguns dias, 248 homicídios foram cometidos por policiais no primeiro trimestre do ano. No mesmo período, em Minas ocorreram apenas dois crimes do gênero. Outro indicador: o Estado apresenta hoje um dos menores índices de homicídios do país. São oito assassinatos por grupo de 100.000 habitantes. Isso equivale a um terço da média nacional. Em São Paulo, esse índice é 36 e no Rio de Janeiro, o maior das grandes capitais, chega a 59. Os estudiosos do assunto informam que o segredo de Minas está ligado a duas iniciativas no universo da educação. A primeira foi obrigar os oficiais a fazer cursos de pós-graduação. A segunda consistiu em incentivar soldados a tirar um diploma de curso superior. Atualmente, mais de 10% da corporação tem diploma. "A PM de Minas é a vanguarda do setor hoje no país", diz o ex-coronel da PM paulista José Vicente da Silva Filho, especialista em segurança pública do Instituto Fernand Braudel.

O exemplo mineiro derruba algumas teses consideradas sólidas para explicar o baixo desempenho de uma força policial. Uma delas diz que as mazelas da PM, notadamente o abuso de poder e a criminalidade entre policiais, são causadas, principalmente, pelos baixos salários. É de se perguntar como os policiais mineiros conseguem ser mais eficientes que os demais se percebem soldo semelhante ao de seus colegas cariocas e inferior ao dos paulistas. Outra tese vigorosa entre policiais sustenta que a melhor forma de combater bandidos é investir em equipamento militar. A polícia de Minas sugere que o melhor equipamento a serviço da lei é o cérebro de seus homens. Com boa formação, os policiais não ficam apenas correndo atrás de bandidos, mas conseguem analisar informações úteis para evitar o crime. Uma das novidades surgidas em Minas é o planejamento das ações policiais por meio de um sistema de processamento de dados. Os oficiais recebem uma análise estatística das ocorrências policiais. O novo método, que está sendo aplicado inicialmente em Belo Horizonte, é desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais. Eles organizam os registros de crimes em categorias e listam locais e horários mais comuns das ocorrências. Assim, planejam as ações policiais. "Estamos formando uma polícia mais racional e menos intuitiva", afirma o sociólogo Cláudio Beato, um dos coordenadores do curso.

 
Saiba mais
Da internet
  Site da PM mineira
  Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial