O nível melhorou
A PM mineira ficou menos violenta depois
que
investiu não em armas, mas no ensino da tropa
Leonardo Coutinho
A educação é um poderoso agente transformador
da sociedade. Ela impulsiona empresas e alavanca países.
Os últimos indicadores de desempenho da Polícia
Militar de Minas Gerais mostram que o poder oriundo da sala
de aula interfere até mesmo na segurança pública.
Um deles: em São Paulo, de acordo com os dados divulgados
há alguns dias, 248 homicídios foram cometidos
por policiais no primeiro trimestre do ano. No mesmo período,
em Minas ocorreram apenas dois crimes do gênero. Outro
indicador: o Estado apresenta hoje um dos menores índices
de homicídios do país. São oito assassinatos
por grupo de 100.000 habitantes.
Isso equivale a um terço da média nacional.
Em São Paulo, esse índice é 36 e no
Rio de Janeiro, o maior das grandes capitais, chega a 59.
Os estudiosos do assunto informam que o segredo de
Minas está ligado a duas iniciativas no universo
da educação. A primeira foi obrigar os oficiais
a fazer cursos de pós-graduação. A
segunda consistiu em incentivar soldados a tirar um diploma
de curso superior. Atualmente, mais de 10% da corporação
tem diploma. "A PM de Minas é a vanguarda do setor
hoje no país", diz o ex-coronel da PM paulista José
Vicente da Silva Filho, especialista em segurança
pública do Instituto Fernand Braudel.
O exemplo mineiro derruba algumas teses consideradas sólidas
para explicar o baixo desempenho de uma força policial.
Uma delas diz que as mazelas da PM, notadamente o abuso
de poder e a criminalidade entre policiais, são causadas,
principalmente, pelos baixos salários. É de
se perguntar como os policiais mineiros conseguem ser mais
eficientes que os demais se percebem soldo semelhante ao
de seus colegas cariocas e inferior ao dos paulistas. Outra
tese vigorosa entre policiais sustenta que a melhor forma
de combater bandidos é investir em equipamento militar.
A polícia de Minas sugere que o melhor equipamento
a serviço da lei é o cérebro de seus
homens. Com boa formação, os policiais não
ficam apenas correndo atrás de bandidos, mas conseguem
analisar informações úteis para evitar
o crime. Uma das novidades surgidas em Minas é o
planejamento das ações policiais por meio
de um sistema de processamento de dados. Os oficiais recebem
uma análise estatística das ocorrências
policiais. O novo método, que está sendo aplicado
inicialmente em Belo Horizonte, é desenvolvido em
parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas
Gerais. Eles organizam os registros de crimes em categorias
e listam locais e horários mais comuns das ocorrências.
Assim, planejam as ações policiais. "Estamos
formando uma polícia mais racional e menos intuitiva",
afirma o sociólogo Cláudio Beato, um dos coordenadores
do curso.
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