Apê seis-estrelas
Os apartamentos magníficos de quem
nunca
ouviu falar do Sistema Financeiro de Habitação
Bel Moherdaui
Fernando Lemos
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| Apartamento na Avenida Delfim Moreira:
o que vale mais é a localização
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Portões antigos abrem-se automaticamente para o hall
de pé-direito estratosférico, com piso de
mármore importado, tapete vermelho, recepcionista
bilíngüe e seguranças por todos os lados.
Não se trata de palácio, nem de embaixada,
nem de hotel seis-estrelas. É simplesmente, se se
pode dizer assim, a entrada de um dos prédios de
apartamento mais luxuosos de São Paulo. Cada uma
de suas trinta unidades tem 600 metros quadrados e custa
em torno de 3,6 milhões de reais. Difícil
de vender? Muito pelo contrário quase todos
os apartamentos já tinham dono antes mesmo de o prédio
sair do chão. Em um mercado sujeito a altos e baixos
como o de imóveis, particularmente queixoso do fraco
movimento no ano passado, um segmento que nunca dá
trabalho aos corretores é justamente o dos apartamentos
superluxuosos. Primeiro, porque são poucos os lançamentos
um ou dois por ano em São Paulo e no Rio de
Janeiro. Segundo, porque o comprador de um imóvel
desses não costuma regatear. "Muitas vezes todas
as unidades são vendidas antes mesmo da preparação
do terreno", diz o presidente da Associação
de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário
do Rio de Janeiro, José Conde Caldas. O Panamby,
ultraluxuoso edifício de 23 andares próximo
ao Parque Burle Marx, em São Paulo, foi lançado
há um mês, com entrega prevista para 2002,
e já tem 70% de suas unidades vendidas. A cobertura,
de 2,5 milhões de reais, tinha quinze interessados
antes do lançamento.
Alan Brugier
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Luxo nas alturas: a sala gigantesca
ocupa um dos quatro níveis do imóvel
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Quem compra apartamentos do gênero são grandes
empresários, executivos do mercado financeiro, alguns
artistas e políticos e uns poucos jogadores de futebol.
Um apartamento típico de prédio de altíssimo
padrão tem entre 500 e 2.000
metros quadrados, cinco suítes com closet, sala de
almoço, jantar e de estar, sala para home theater,
dois quartos de empregada e saleta para motorista e
sinal dos tempos seguranças. O creme do creme,
claro, é a cobertura, disputada a tapa. A do Palazzo
Reale, empreendimento da construtora Kauffmann no Jardim
Europa, em São Paulo, tem 970 metros quadrados, em
três níveis, e está avaliada em mais
de 6 milhões de reais. Além das salas monumentais,
exibe uma área externa com piscina e jardim. Há
um probleminha: fica na rota dos aviões que pousam
no Aeroporto de Congonhas. Mas, como todas as janelas têm
revestimento acústico e o ar condicionado central
funciona às mil maravilhas, pouca gente escuta. Os
outros apartamentos do prédio têm 465 metros
quadrados e as últimas unidades estão à
venda por metade do preço da cobertura. Na área
comum, os moradores dispõem de sala de ginástica
com televisão de 38 polegadas e aparelho de DVD,
sauna, piscina olímpica, banheira com hidromassagem,
quadra de tênis e squash. Tudo vive às moscas,
já que rico não é dado a confraternizações
comunitárias.
Fotos: Pedro Rubens
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| Sala de ginástica equipadíssima,
piscina olímpica e sauna: pois é, mas
rico que é rico não freqüenta área
social |
"Com o passar do tempo, esses apartamentos se valorizam
muito. Chegam a custar, em dólares, quase o dobro
do que quando foram construídos", calcula Adolpho
Lindenberg, dono da construtora paulista que leva seu nome,
especializada em imóveis de alto padrão. Um
dos maiores motores dessa valorização é
o fato de que, nas grandes cidades, já são
poucas as áreas nobres disponíveis. No Rio
de Janeiro, então, é um assombro. A orla de
Ipanema e Leblon tem o metro quadrado residencial mais caro
do Brasil: 5.000 dólares
(veja quadro). E, assim como
acontece nas capitais do Primeiro Mundo, o imóvel
nem precisa de muita frescura para ser caro. Na Avenida
Delfim Moreira, no Leblon, um apartamento de tamanho médio,
com varanda de frente para o mar, custa cerca de 2,7 milhões
de reais, quase o mesmo que a cobertura do recém-lançado
Panamby paulistano uma imensidão de 1.100
metros quadrados. Outra região valorizada da cidade
é a Barra da Tijuca, que, por ter mais terrenos à
disposição, ostenta construções
monumentais. No condomínio Barra Golden Green, onde
moram o jogador Romário e a emergente Ariadne Coelho,
cada um dos catorze prédios tem um tipo de apartamento.
O menor, de 150 metros quadrados, gira em torno de 500.000
reais. O mais caro, de 780 metros quadrados, saiu por 3,5
milhões de reais e calcula-se que, na revenda, bata
nos 7 milhões de reais. A área comum do condomínio
dispõe de um clube e de um campo de golfe.
Alta segurança Um chamariz desse tipo
de apartamento é a possibilidade de o comprador mudar
a planta como quiser antes da construção.
Obrigatórias mesmo são a instalação
para ar condicionado central e a sala projetada para hospedar
os equipamentos de home theater. Outra exigência é
a segurança perfeita. Algumas construtoras nem publicam
anúncios em jornais e revistas preferem contatar
clientes já cadastrados e confiar na propaganda boca-a-boca.
Assim, garantem a discrição exigida por compradores
que têm pavor de aparecer e morrem de medo de assalto
e seqüestro. No Palazzo Reale, em São Paulo,
há circuito interno de TV, portão duplo para
entrada de carros e pessoas, guarita blindada e sistema
de código para as portas das áreas comuns
e dos elevadores. Mas toda essa parafernália de nada
adianta se os ricaços continuarem a contratar porteiros
despreparados, que recebem salários ridículos.
Poucos dias atrás, um prédio luxuoso, localizado
no bairro paulistano do Morumbi, foi assaltado por bandidos
que usaram um truque prosaico: fingiram ser entregadores.
Fora do Rio e de São Paulo, são raríssimos
os prédios de alto padrão. Mas eles não
ficam muito a dever a seus similares cariocas e paulistanos.
No Corredor da Vitória, a região mais nobre
de Salvador, o Victory Tower, com trinta apartamentos de
700.000 reais, tem bondinho privativo
que leva o morador até o cais onde fica atracado
o seu barco. No edifício Vendome, em Belo Horizonte,
o piso dos quinze apartamentos (média de 1,5 milhão
de reais) é de mármore grego nos banheiros,
espanhol na sala, lavabo e varanda. Já o chão
da garagem, mais simples, é de porcelanato polido
italiano.
O preço do luxo no
mundo
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Sala de música do apartamento
de Jackie:
9 milhões de dólares |
Com 2 milhões de dólares compra-se
um apartamento de 1.000
metros quadrados no bairro mais caro de São
Paulo. Já na pequena e concorrida ilha de Manhattan,
a mesma quantia, em áreas chiques, dá
para um apartamentinho de dois quartos, dois banheiros,
sala e cozinha. Usado, claro. Um apartamento de luxo
na mesma avenida, de frente para o Central Park, sai
pelo triplo do preço ou mais, se além
de tudo ele foi a casa de Jacqueline Kennedy. O apartamento
de quinze cômodos em que ela viveu, no ponto
mais chique da Quinta Avenida, foi vendido por 9 milhões
de dólares. Vazio, porque os móveis
foram leiloados a peso de ouro. Em Miami é
mais fácil: por 1,5 milhão de dólares,
compra-se um apartamento de 500 metros quadrados,
com spa e boutique Chanel nas áreas comuns
o tipo de imóvel que os brasileiros
ricaços adoram, segundo a diretora internacional
da imobiliária Coelho da Fonseca, Letícia
Coelho da Fonseca. O campeão mundial do preço
por metro quadrado, no alto luxo como na quitinete,
é o apertadíssimo Japão. Nos
bairros mais nobres de Tóquio, um apartamento
de 140 metros quadrados pode custar quase 2 milhões
de dólares.
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