Edição 1 648 -10/5/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Carros que alternam gasolina e eletricidade
Empresas de aviação têm jatos só com primeira classe
Os apartamentos seis-estrelas
Por que os americanos gostam tanto da luta livre
Polícia Militar mineira melhora estudando
O que o clique virtual provoca na economia real
Jovens procuram agências de matrimônio
Xales coloridos para o inverno
Temperatura dos oceanos sobe e afeta bancos de coral
Dezoito Evas e dez Adãos na origem do homem
Por que os negros são melhores
Como se desenvolvem os pés das crianças
A saga da civilização viking recontada
A indústria do fumo na mira
"Vírus do amor" detona sistemas
Filmes feitos especialmente para a rede
Novidade no tratamento da frigidez
O patrocínio do Vasco da Gama aos atletas amadores
O asteróide em forma de osso
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Apê seis-estrelas

Os apartamentos magníficos de quem nunca
ouviu falar do Sistema Financeiro de Habitação

Bel Moherdaui

Fernando Lemos
Apartamento na Avenida Delfim Moreira: o que vale mais é a localização


Portões antigos abrem-se automaticamente para o hall de pé-direito estratosférico, com piso de mármore importado, tapete vermelho, recepcionista bilíngüe e seguranças por todos os lados. Não se trata de palácio, nem de embaixada, nem de hotel seis-estrelas. É simplesmente, se se pode dizer assim, a entrada de um dos prédios de apartamento mais luxuosos de São Paulo. Cada uma de suas trinta unidades tem 600 metros quadrados e custa em torno de 3,6 milhões de reais. Difícil de vender? Muito pelo contrário – quase todos os apartamentos já tinham dono antes mesmo de o prédio sair do chão. Em um mercado sujeito a altos e baixos como o de imóveis, particularmente queixoso do fraco movimento no ano passado, um segmento que nunca dá trabalho aos corretores é justamente o dos apartamentos superluxuosos. Primeiro, porque são poucos os lançamentos – um ou dois por ano em São Paulo e no Rio de Janeiro. Segundo, porque o comprador de um imóvel desses não costuma regatear. "Muitas vezes todas as unidades são vendidas antes mesmo da preparação do terreno", diz o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro, José Conde Caldas. O Panamby, ultraluxuoso edifício de 23 andares próximo ao Parque Burle Marx, em São Paulo, foi lançado há um mês, com entrega prevista para 2002, e já tem 70% de suas unidades vendidas. A cobertura, de 2,5 milhões de reais, tinha quinze interessados antes do lançamento.

 

 
Alan Brugier

Luxo nas alturas: a sala gigantesca ocupa um dos quatro níveis do imóvel


Quem compra apartamentos do gênero são grandes empresários, executivos do mercado financeiro, alguns artistas e políticos e uns poucos jogadores de futebol. Um apartamento típico de prédio de altíssimo padrão tem entre 500 e 2.000 metros quadrados, cinco suítes com closet, sala de almoço, jantar e de estar, sala para home theater, dois quartos de empregada e saleta para motorista e – sinal dos tempos – seguranças. O creme do creme, claro, é a cobertura, disputada a tapa. A do Palazzo Reale, empreendimento da construtora Kauffmann no Jardim Europa, em São Paulo, tem 970 metros quadrados, em três níveis, e está avaliada em mais de 6 milhões de reais. Além das salas monumentais, exibe uma área externa com piscina e jardim. Há um probleminha: fica na rota dos aviões que pousam no Aeroporto de Congonhas. Mas, como todas as janelas têm revestimento acústico e o ar condicionado central funciona às mil maravilhas, pouca gente escuta. Os outros apartamentos do prédio têm 465 metros quadrados e as últimas unidades estão à venda por metade do preço da cobertura. Na área comum, os moradores dispõem de sala de ginástica com televisão de 38 polegadas e aparelho de DVD, sauna, piscina olímpica, banheira com hidromassagem, quadra de tênis e squash. Tudo vive às moscas, já que rico não é dado a confraternizações comunitárias.

 
Fotos: Pedro Rubens
Sala de ginástica equipadíssima, piscina olímpica e sauna: pois é, mas rico que é rico não freqüenta área social

"Com o passar do tempo, esses apartamentos se valorizam muito. Chegam a custar, em dólares, quase o dobro do que quando foram construídos", calcula Adolpho Lindenberg, dono da construtora paulista que leva seu nome, especializada em imóveis de alto padrão. Um dos maiores motores dessa valorização é o fato de que, nas grandes cidades, já são poucas as áreas nobres disponíveis. No Rio de Janeiro, então, é um assombro. A orla de Ipanema e Leblon tem o metro quadrado residencial mais caro do Brasil: 5.000 dólares (veja quadro). E, assim como acontece nas capitais do Primeiro Mundo, o imóvel nem precisa de muita frescura para ser caro. Na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, um apartamento de tamanho médio, com varanda de frente para o mar, custa cerca de 2,7 milhões de reais, quase o mesmo que a cobertura do recém-lançado Panamby paulistano – uma imensidão de 1.100 metros quadrados. Outra região valorizada da cidade é a Barra da Tijuca, que, por ter mais terrenos à disposição, ostenta construções monumentais. No condomínio Barra Golden Green, onde moram o jogador Romário e a emergente Ariadne Coelho, cada um dos catorze prédios tem um tipo de apartamento. O menor, de 150 metros quadrados, gira em torno de 500.000 reais. O mais caro, de 780 metros quadrados, saiu por 3,5 milhões de reais e calcula-se que, na revenda, bata nos 7 milhões de reais. A área comum do condomínio dispõe de um clube e de um campo de golfe.

Alta segurança – Um chamariz desse tipo de apartamento é a possibilidade de o comprador mudar a planta como quiser antes da construção. Obrigatórias mesmo são a instalação para ar condicionado central e a sala projetada para hospedar os equipamentos de home theater. Outra exigência é a segurança perfeita. Algumas construtoras nem publicam anúncios em jornais e revistas – preferem contatar clientes já cadastrados e confiar na propaganda boca-a-boca. Assim, garantem a discrição exigida por compradores que têm pavor de aparecer e morrem de medo de assalto e seqüestro. No Palazzo Reale, em São Paulo, há circuito interno de TV, portão duplo para entrada de carros e pessoas, guarita blindada e sistema de código para as portas das áreas comuns e dos elevadores. Mas toda essa parafernália de nada adianta se os ricaços continuarem a contratar porteiros despreparados, que recebem salários ridículos. Poucos dias atrás, um prédio luxuoso, localizado no bairro paulistano do Morumbi, foi assaltado por bandidos que usaram um truque prosaico: fingiram ser entregadores.

Fora do Rio e de São Paulo, são raríssimos os prédios de alto padrão. Mas eles não ficam muito a dever a seus similares cariocas e paulistanos. No Corredor da Vitória, a região mais nobre de Salvador, o Victory Tower, com trinta apartamentos de 700.000 reais, tem bondinho privativo que leva o morador até o cais onde fica atracado o seu barco. No edifício Vendome, em Belo Horizonte, o piso dos quinze apartamentos (média de 1,5 milhão de reais) é de mármore – grego nos banheiros, espanhol na sala, lavabo e varanda. Já o chão da garagem, mais simples, é de porcelanato polido italiano.

 

O preço do luxo no mundo

Sala de música do apartamento de Jackie:
9 milhões de dólares

Com 2 milhões de dólares compra-se um apartamento de 1.000 metros quadrados no bairro mais caro de São Paulo. Já na pequena e concorrida ilha de Manhattan, a mesma quantia, em áreas chiques, dá para um apartamentinho de dois quartos, dois banheiros, sala e cozinha. Usado, claro. Um apartamento de luxo na mesma avenida, de frente para o Central Park, sai pelo triplo do preço – ou mais, se além de tudo ele foi a casa de Jacqueline Kennedy. O apartamento de quinze cômodos em que ela viveu, no ponto mais chique da Quinta Avenida, foi vendido por 9 milhões de dólares. Vazio, porque os móveis foram leiloados a peso de ouro. Em Miami é mais fácil: por 1,5 milhão de dólares, compra-se um apartamento de 500 metros quadrados, com spa e boutique Chanel nas áreas comuns – o tipo de imóvel que os brasileiros ricaços adoram, segundo a diretora internacional da imobiliária Coelho da Fonseca, Letícia Coelho da Fonseca. O campeão mundial do preço por metro quadrado, no alto luxo como na quitinete, é o apertadíssimo Japão. Nos bairros mais nobres de Tóquio, um apartamento de 140 metros quadrados pode custar quase 2 milhões de dólares.

 

Saiba mais
Da internet
  Barra Golden Green
  RJZ Engenharia
  International Real Estate Digest
  Gafisa
  Coelho da Fonseca