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Música
Volume baixo
Músicas
velhas, romances truncados,
muitos diálogos tudo contribui para
que a trilha sonora de Celebridade
não venda como deveria

Sérgio
Martins
Fotos divulgação
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Casal:
Maria Clara e Fernando
Tema: Ruby, de Ray Charles
Por que a música não emplacou: ela é antiga, e faltou
química entre o par romântico |
Um
problema atormenta a direção de Celebridade,
da Rede Globo: como ampliar as vendagens de sua trilha sonora. O
CD da novela foi lançado em outubro. Até agora, 420.000
cópias dele saíram das lojas. É um número
pálido se comparado ao de sua antecessora, Mulheres Apaixonadas
(veja quadro). Até mesmo Malhação
tem se mostrado mais eficiente na tarefa de criar sucessos musicais.
Com ibope médio de 33 pontos, contra 45 de Celebridade,
o seriado adolescente já promoveu a vendagem de 700.000
discos em sua atual temporada. Temas musicais mal escolhidos, romances
truncados e a falta de cenas que explorem a emoção
das canções são os motivos que explicam por
que a trilha de Celebridade não decola.
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A
trilha de Celebridade vendeu até agora
420
000
CDs.
A
trilha de sua antecessora no horário das 8, Mulheres
Apaixonadas, vendeu 1,5
milhão
de CDs
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Frutos
de uma parceria entre a Rede Globo e a gravadora Som Livre, as trilhas
de novela têm no produtor musical Mariozinho Rocha o seu principal
arquiteto. Mas os autores dão sugestões. Gilberto
Braga, o roteirista de Celebridade, sempre teve bom tino
para essa tarefa. A trilha de Dancin' Days (1978), por exemplo,
lançou vários hinos da era das discotecas no Brasil.
No caso de Celebridade, contudo, Braga insistiu em usar músicas
antigas que não empolgaram. A trilha está cheia de
canções do tempo do Onça e artistas do tempo
do Onça, como Ray Charles e Rita Lee. Permitiu-se ainda que
integrantes do elenco escolhessem seus próprios temas. Cláudia
Abreu votou em Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones,
e Malu Mader sugeriu Enquanto Houver Sol, dos Titãs
(banda de seu maridão, Tony Bellotto, mas deve ser apenas
uma coincidência).
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Casal:
Darlene e Wladimir
Tema: Amor e Sexo, de Rita Lee
Por que a música não emplacou: o namoro entre os dois
foi interrompido, e Darlene está descambando para o mal
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Do
ponto de vista dos músicos, uma novela é um gigantesco
videoclipe. Tudo o que eles querem são longos beijos, flash-backs
intermináveis e personagens que passeiam na praia para meditar,
enquanto as suas canções tocam ao fundo. Falta esse
tipo de cena em Celebridade. Os principais romances da história
ou padecem de pouca química entre os seus protagonistas,
ou foram abortados por Gilberto Braga, ou as duas coisas ao mesmo
tempo. Além disso, para quem trabalha com trilhas sonoras,
um roteirista prolífico demais pode atrapalhar. As novelas
de Manoel Carlos ou Benedito Ruy Barbosa costumam ter grandes seqüências
só de imagens e música. Em 1996, uma canção
de Zé Ramalho chegou a tocar inteira num capítulo
de O Rei do Gado. Gilberto Braga, pelo contrário,
não poupa diálogos e deixa pouco espaço para
o fundo musical.
Celebridade
deve sofrer mudanças que talvez ajudem a vender discos. A
metamorfose mais importante será a de Maria Clara (Malu Mader).
Ela vai mergulhar na pobreza e, para dar a volta por cima, se transformará
numa espécie de Dona Jura (a pagodeira da novela O Clone)
e abrirá uma gafieira no Andaraí. Isso não
vai impulsionar a trilha sonora atual, mas o CD Celebridade Samba
já está no forno. Chega ao mercado no mês que
vem.
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