Edição 1844 . 10 de março de 2004

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Cinema
O humor aos 50

A atuação da veterana Diane
Keaton segura a onda na comédia
Alguém Tem que Ceder


Marcelo Marthe


Divulgação
Diane e Nicholson: choro e traseiro à mostra

Trailer
Fotos do filme

Durante boa parte da comédia romântica Alguém Tem que Ceder (Something's Gotta Give, Estados Unidos, 2003), em cartaz em circuito nacional a partir desta sexta-feira, a protagonista da fita só faz uma coisa: chorar, chorar e chorar por causa de suas dificuldades de mulher madura às voltas com a redescoberta do amor. Seria uma pataquada sem fim, não fosse o talento humorístico da atriz Diane Keaton, que interpreta a personagem. Quanto mais a cinqüentona Diane (de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) sofre, mais risos ela provoca. É a atriz, afinal, quem segura a onda do filme – e isso não é pouco. Assim como em seu trabalho anterior, Do que as Mulheres Gostam (2000), a diretora e roteirista Nancy Meyers se ampara na reciclagem dos clichês daquelas comédias dos anos 40 e 50 que exploravam a guerra dos sexos. Afora o fato pouco usual de que o casal protagonista já é bem passado dos 50 anos, o filme segue uma fórmula previsível. Erica, a personagem vivida por Diane, é uma dramaturga de sucesso que vê com ceticismo a possibilidade de que algum homem possa se interessar por uma mulher na sua idade. Jack Nicholson encarna Harry, um playboy da terceira idade que não se deita com nenhuma mulher acima de 30 anos e tem um caso com a filha de Erica. A hostilidade é mútua quando eles se conhecem na casa de praia da dramaturga nos Hamptons, o balneário chique nas imediações de Nova York. Mas – bingo – isso logo cede lugar à atração.

O roteiro de Nancy Meyers pode não ser um primor de criatividade, mas é inegável que, como diretora, ela imprime um ritmo satisfatório a uma fita que não tem outra pretensão além de entreter. O maior senão da fita é a atuação burocrática da ala masculina. Os atores parecem se comportar como são na vida real. Nicholson, por exemplo, dá a impressão de ter se baseado em sua própria biografia para encarnar o sessentão ninfomaníaco. O ator (ou o espectador, dependendo do ponto de vista) paga o grande mico da fita: numa cena em que seu personagem, infartado, está no hospital, ele aparece com um camisolão e de traseiro à mostra. O galã Keanu Reeves, por sua vez, exala aquela mesma "sensibilidade natural" que faz as mulheres se derreterem por ele. Seu personagem é um jovem médico apaixonado pela dramaturga de meia-idade. "Eu a-do-ro suas peças, já vi todas elas", diz ele.

 
 
 
 
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