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Saúde
Alternativo
levado a sério
Fenômeno
de vendas nos
Estados Unidos, ele ensina
como usar alimentos para
tratar doenças

Monica
Weinberg
Os
livros do médico americano Andrew Weil são um fenômeno
de vendas nos Estados Unidos. Suas últimas três obras
já venderam mais de 3 milhões de exemplares, e todos
estão na lista dos mais procurados. Quando ele aparece em
programas de TV, a audiência dispara. Sua página na
internet, Pergunte ao Dr. Weil, registra mais de 1,2 milhão
de visitas por semana, um fenômeno na rede. Seus CDs de músicas
para meditação esgotam-se rapidamente quando chegam
ao comércio. Ele recebe cerca de 500 cartas por dia e torrentes
de e-mails. O que esse senhor barbudo, de 62 anos, tem a dizer?
Em suas obras, enaltece as virtudes das ervas medicinais, defende
os poderes curativos da meditação e acha que a hipnose
pode ser útil no tratamento de muitas doenças. Com
sólida formação médica tradicional,
Weil conseguiu se diferenciar da enorme classe dos gurus que fazem
fortuna prometendo maravilhas com o apelo a técnicas cuja
eficiência a ciência não consegue provar. Como
os gurus tradicionais, Weil ficou rico e foi capa das principais
publicações americanas.
No
último de seus livros, que ainda não tem data de lançamento
no Brasil e cujo título pode ser traduzido por A Cozinha
Saudável: Receitas para Melhorar o Corpo, a Vida e o Espírito,
Weil defende a escolha criteriosa de alimentos para manter a saúde.
Ele ensina que brócolis têm propriedades anticancerígenas
e gengibre ajuda a tratar o aparelho digestivo. Para evitar doenças
do coração, o médico recomenda comer alho e
cogumelos com regularidade. Contra a osteoporose, sua indicação
é aumentar a ingestão de gengibre e de alimentos ricos
em ômega 3. Segundo ele, tais recomendações
são baseadas em pesquisas científicas, algumas desenvolvidas
por ele próprio. Além disso, não há
contra-indicação. Formado em medicina pela Universidade
Harvard e especializado em botânica, há mais de vinte
anos ele vem se dedicando a separar o que existe de empulhação
daquilo que realmente funciona no caldeirão da chamada medicina
alternativa. Uma das máximas do médico é que
vale a pena usar tudo que for possível na luta contra as
doenças, desde que respeitadas algumas regras. "Se sofrer
um acidente de carro, por favor não me levem para um especialista
em ervas. Se tiver uma pneumonia, dêem-me um antibiótico",
costuma dizer nos programas dos quais participa.
De modo geral, as reações às idéias
de Weil são bastante moderadas entre os que defendem a medicina
tradicional. O guru já ouviu de integrantes da Associação
Médica Americana que seus livros contêm informações
úteis para a vida saudável e escutou elogios de profissionais
de renome, publicados na imprensa americana. Como todo guru, Weil
tem lá suas receitas milagrosas difíceis de ser seguidas.
Alguns exemplos: "evite as ondas eletromagnéticas da tela
de seu computador, pois são nocivas" ou "passe uma semana
sem ter acesso às notícias para reduzir o stress".
Um ponto forte da medicina alternativa de Weil é sua capacidade
para manter o foco do noticiário sobre ele. Sua habilidade
nesse campo vem de longe. Um amigo que dividiu um quarto com Weil
durante os tempos de Harvard conta que tomou um susto quando viu
nas mãos do colega uma estranha caixinha com carimbo oficial
do governo americano. O conteúdo era maconha. Em 1968, quando
a droga havia se popularizado entre os alunos de Harvard, Weil convenceu
o diretor da escola de medicina a autorizar uma pesquisa sobre seus
efeitos no corpo humano. Não só conseguiu a autorização
como fez com que a universidade operasse em favor de seu pedido
junto ao governo, de modo a obter a quantidade de amostras necessária
para o trabalho. Suas pesquisas sobre os efeitos das drogas prosseguiram
e serviram de material para três livros que publicou no início
da carreira, todos polêmicos. Um deles foi ferozmente criticado
numa sessão do Senado Federal como um objeto de estímulo
ao consumo, posição que Weil nunca endossou. "Não
digo que o consumo é certo ou errado, sou um pesquisador
e vou atrás das informações científicas",
diz. Depois de Harvard, o médico comprou um bilhete aéreo
para a América Latina, onde se enfurnou na Floresta Amazônica
e ficou por mais de três anos estudando as plantas tropicais.
Além de participar de talk-shows e conceder entrevistas e
mais entrevistas, o médico desenvolve estudos na Universidade
do Arizona, onde se tornou diretor de um centro de medicina integrativa,
especialidade da qual ele se diz precursor. Ele atrai médicos
para seu centro, que anualmente recebe visitantes de todas as partes
dos Estados Unidos. Weil mora numa casa no meio do deserto, lugar
que diz ter escolhido absolutamente por acaso, e não em obediência
a alguma teoria metafísica, como costuma ser a regra nesses
casos. Separado da mulher, com quem tem uma filha de 11 anos, ele
passa muito tempo isolado em seu rancho, escrevendo livros e lendo
sua correspondência. Quem o vê pessoalmente ou pela
TV pode estranhar seu perfil. Weil é rechonchudo demais para
quem prega uma vida saudável. Segundo ele, a explicação
é que homens de sua idade com algum excesso de peso podem
ser tão saudáveis quanto os magros. Atenção:
essa afirmação não tem comprovação
científica.
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