Edição 1844 . 10 de março de 2004

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Olimpíadas
Tem até porta-aviões
na segurança

Como precaução contra o terrorismo,
frota americana vai vigiar os Jogos

 
AP
Porta-aviões Henry Truman, da Sexta Frota americana: poder de fogo para pulverizar cidades grandes

Os Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto, serão protegidos pelo maior esquema de segurança já montado para um evento esportivo. No mês passado, o governo grego anunciou um plano colossal orçado em 800 milhões de dólares – três vezes mais que o valor gasto nos Jogos de Sydney, há quatro anos –, que mobilizará 100.000 homens entre policiais e soldados. Na última semana, acrescentou-se um reforço impressionante: a Sexta Frota dos Estados Unidos vai patrulhar o litoral grego, com todo o seu aparato bélico de prontidão para intervir. Com base no Mar Mediterrâneo e composta de dois porta-aviões, quarenta embarcações diversas, entre elas quatro submarinos nucleares, 175 aviões e 21.000 homens, a esquadra tem poder de fogo suficiente para pulverizar países de tamanho médio. Usando apenas suas armas convencionais, a Sexta Frota poderia aniquilar em horas uma cidade do tamanho de Santos, que tem 400.000 habitantes. Se empregasse seu arsenal bélico completo (estima-se que disponha de 4.000 mísseis capazes de levar ogivas nucleares), destruiria todas as cidades da América Latina com mais de 1 milhão de habitantes.

A ironia é que todo esse arsenal não garante a tranqüilidade das Olimpíadas de 2004. Um porta-aviões pouco ajuda a prevenir um atentado realizado por homens-bomba em um estádio esportivo. Esses são os primeiros Jogos depois dos ataques terroristas contra Nova York e Washington, em 2001. Por ficar na confluência geográfica entre Europa e Oriente Médio, a Grécia é um lugar particularmente vulnerável. Para piorar, conta com seus próprios terroristas e uma história de atentados em seu território contra os Estados Unidos, Israel e outros países. Pesquisas mostram que 95% dos gregos se opõem à intervenção militar americana no Iraque. O risco maior é a Al Qaeda e outras organizações terroristas islâmicas aproveitarem a concentração de atletas e a atenção da mídia para promover novas carnificinas. No ano passado, uma onda de atentados contra judeus e ingleses deixou 57 mortos em Istambul, a maior cidade da vizinha Turquia. As Olimpíadas são um alvo óbvio para fanáticos. Em Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996, uma bomba matou duas pessoas e feriu uma centena num show ao ar livre. Nunca se descobriu o responsável. O primeiro grande ataque palestino foi o massacre de atletas israelenses nos Jogos de Munique, em 1972.

Além da frota americana, o governo grego contará com uma esquadrilha de aviões-radares AWAC da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Esses aparelhos terão a missão de detectar aeronaves suspeitas que invadam o espaço aéreo grego. É a primeira vez que recursos militares da Otan serão utilizados em Olimpíadas. A Rússia emprestou um conjunto de laboratórios móveis para uso em caso de ataques com armas químicas e biológicas. Navios da Itália e Turquia ajudarão a vigiar o litoral grego. Sete países – Austrália, Inglaterra, França, Alemanha, Espanha, Israel e Estados Unidos – enviaram especialistas para auxiliar na montagem do esquema de segurança dos Jogos.

 
 
 
 
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