Edição 1844 . 10 de março de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Varejo
O Brasil na mira

A Wal-Mart compra o Bompreço e
já é a terceira maior rede no país


Raul Junior
Wal-Mart em São Paulo: maior poder de barganha com fornecedores

A Wal-Mart, a maior empresa do mundo, decidiu acelerar o processo de aquisições neste ano. A caça vem se dando mais no exterior porque nos Estados Unidos sua presença é tão dominante que as próprias lojas já estão competindo entre si, num processo que, para empresários de visão mais clássica, seria de autocanibalização. A onda de expansão chegou ao Brasil. Na semana passada, a Wal-Mart anunciou a compra por 300 milhões de dólares do Bompreço, a cadeia de supermercados controlada pelo grupo holandês Royal Ahold. Com uma tacada, a Wal-Mart se tornou líder na Região Nordeste, quintuplicou o número de lojas no Brasil e subiu da sexta colocação do ranking do varejo para a terceira, atrás somente do Pão de Açúcar e do Carrefour. Como passará a comercializar um número maior de produtos, está finalmente em melhores condições para fazer no Brasil o que sabe como poucos: negociar preços mais baixos com seus fornecedores. O mercado financeiro nos EUA reagiu com entusiasmo à aquisição do Bompreço. Logo depois do anúncio, as ações da Wal-Mart chegaram ao nível mais alto dos últimos dois anos.

O império criado por Sam Walton, morto há onze anos, é uma das poucas empresas que podem se orgulhar de ter um faturamento maior que a economia da maioria dos países. Com vendas anuais de 256 bilhões de dólares, a Wal-Mart é uma entidade cuja envergadura econômica equivale ao PIB da Áustria ou da Bélgica. A Wal-Mart costuma provocar abalos sísmicos no mercado, mesmo quando está apenas no centro de boatos. No fim de fevereiro, o preço das ações da rede francesa Carrefour, número dois do varejo no mundo, aumentou com os rumores de que a Wal-Mart estava se preparando para fazer uma proposta hostil pelo controle da rival. Embora suas vendas sejam somente duas vezes e meia maiores que as da rede francesa, que inventou o conceito de hipermercado na década de 60, a Wal-Mart tem um valor de mercado quase sete vezes maior.

A compra do Bompreço é uma oportunidade para a Wal-Mart colocar a operação brasileira no prumo. Quando chegaram ao país em 1995, os executivos da Wal-Mart acharam que poderiam transplantar a cultura da empresa dos EUA para o Brasil. A reação dos funcionários brasileiros foi parecida com a registrada na Alemanha, onde a cultura quase religiosa de administração da Wal-Mart foi rejeitada. Os funcionários brasileiros chegavam a se esconder no banheiro quando os gerentes os convocavam para uma espécie de ritual em que se gritam palavras de ordem de auto-estímulo.

Os estrategistas da gigante americana erraram também ao subestimar a força da concorrência local e ao apostar numa política de expansão baseada na construção de novas lojas. Comprar redes já instaladas surge agora como uma estratégia mais promissora. O grupo português Sonae, dono da quarta maior rede varejista do Brasil, sinaliza para o mercado que está disposto a vender as vinte lojas que possui em São Paulo caso apareça uma oportunidade. A Royal Ahold, ex-dona do Bompreço, que se envolveu em um escândalo de fraude contábil em 2003, está se desfazendo do patrimônio para fazer caixa. Além do Bompreço passado à Wal-Mart, a Ahold vendeu ao Unibanco por cerca de 216 milhões de dólares a operadora de cartões de crédito HiperCard, que tem 2,3 milhões de clientes.


 
 
 
 
topo voltar