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Varejo
O
Brasil na mira
A
Wal-Mart compra o Bompreço e
já é a terceira maior rede no país
Raul Junior
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| Wal-Mart
em São Paulo: maior poder de barganha com fornecedores
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A Wal-Mart,
a maior empresa do mundo, decidiu acelerar o processo de aquisições
neste ano. A caça vem se dando mais no exterior porque nos
Estados Unidos sua presença é tão dominante
que as próprias lojas já estão competindo entre
si, num processo que, para empresários de visão mais
clássica, seria de autocanibalização. A onda
de expansão chegou ao Brasil. Na semana passada, a Wal-Mart
anunciou a compra por 300 milhões de dólares do Bompreço,
a cadeia de supermercados controlada pelo grupo holandês Royal
Ahold. Com uma tacada, a Wal-Mart se tornou líder na Região
Nordeste, quintuplicou o número de lojas no Brasil e subiu
da sexta colocação do ranking do varejo para a terceira,
atrás somente do Pão de Açúcar e do
Carrefour. Como passará a comercializar um número
maior de produtos, está finalmente em melhores condições
para fazer no Brasil o que sabe como poucos: negociar preços
mais baixos com seus fornecedores. O mercado financeiro nos EUA
reagiu com entusiasmo à aquisição do Bompreço.
Logo depois do anúncio, as ações da Wal-Mart
chegaram ao nível mais alto dos últimos dois anos.
O
império criado por Sam Walton, morto há onze anos,
é uma das poucas empresas que podem se orgulhar de ter um
faturamento maior que a economia da maioria dos países. Com
vendas anuais de 256 bilhões de dólares, a Wal-Mart
é uma entidade cuja envergadura econômica equivale
ao PIB da Áustria ou da Bélgica. A Wal-Mart costuma
provocar abalos sísmicos no mercado, mesmo quando está
apenas no centro de boatos. No fim de fevereiro, o preço
das ações da rede francesa Carrefour, número
dois do varejo no mundo, aumentou com os rumores de que a Wal-Mart
estava se preparando para fazer uma proposta hostil pelo controle
da rival. Embora suas vendas sejam somente duas vezes e meia maiores
que as da rede francesa, que inventou o conceito de hipermercado
na década de 60, a Wal-Mart tem um valor de mercado quase
sete vezes maior.
A
compra do Bompreço é uma oportunidade para a Wal-Mart
colocar a operação brasileira no prumo. Quando chegaram
ao país em 1995, os executivos da Wal-Mart acharam que poderiam
transplantar a cultura da empresa dos EUA para o Brasil. A reação
dos funcionários brasileiros foi parecida com a registrada
na Alemanha, onde a cultura quase religiosa de administração
da Wal-Mart foi rejeitada. Os funcionários brasileiros chegavam
a se esconder no banheiro quando os gerentes os convocavam para
uma espécie de ritual em que se gritam palavras de ordem
de auto-estímulo.
Os
estrategistas da gigante americana erraram também ao subestimar
a força da concorrência local e ao apostar numa política
de expansão baseada na construção de novas
lojas. Comprar redes já instaladas surge agora como uma estratégia
mais promissora. O grupo português Sonae, dono da quarta maior
rede varejista do Brasil, sinaliza para o mercado que está
disposto a vender as vinte lojas que possui em São Paulo
caso apareça uma oportunidade. A Royal Ahold, ex-dona do
Bompreço, que se envolveu em um escândalo de fraude
contábil em 2003, está se desfazendo do patrimônio
para fazer caixa. Além do Bompreço passado à
Wal-Mart, a Ahold vendeu ao Unibanco por cerca de 216 milhões
de dólares a operadora de cartões de crédito
HiperCard, que tem 2,3 milhões de clientes.
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