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Medicina
Outro
golpe contra a reposição
Um
novo estudo americano volta
a condenar o uso de hormônios
por mulheres na pós-menopausa

Paula
Neiva
Na
semana passada, médicos do Instituto Nacional de Saúde
dos Estados Unidos interromperam um dos maiores estudos sobre terapia
de reposição hormonal um ano antes da data prevista
para a sua conclusão. Iniciada em 1997, a pesquisa contou
com a participação de 11.000 mulheres e pretendia
avaliar o impacto do tratamento à base do hormônio
estrógeno na prevenção de doenças cardiovasculares
em pacientes na pós-menopausa. Os trabalhos foram suspensos
porque os riscos da terapia ultrapassavam os limites de segurança.
Constatou-se que o uso de comprimidos de estrógeno de origem
eqüina (vendidos sob o nome comercial de Premarin) aumenta
em 40% os riscos de derrame, não reduz a probabilidade de
uma mulher sofrer um infarto nem protege contra o câncer de
mama. O único benefício desse tipo de reposição
hormonal foi a redução dos casos de fratura de quadril
o que não compensa, evidentemente, os perigos de um
derrame.
É
a segunda vez que um trabalho sobre reposição hormonal
coordenado pelo governo americano tem de ser cancelado. Em 2002,
três anos antes do programado, decretou-se o fim de uma pesquisa
com 16.000 mulheres, entre 50 e 79 anos, submetidas à terapia
com o medicamento Premelle, uma combinação dos hormônios
estrógeno e progesterona. O motivo: aumento na possibilidade
de câncer de mama, infarto, derrame e trombose. Desde o fim
da década de 60, quando a reposição hormonal
começou a ser utilizada em larga escala contra os sintomas
da menopausa, uma centena de estudos tentou determinar o seu impacto
na prevenção de distúrbios cardiovasculares,
osteoporose e certos tipos de câncer. Os trabalhos interrompidos
do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos eram os
que envolviam o maior número de mulheres e dispunham de um
controle metodológico mais rígido.
As
primeiras reposições eram feitas apenas com estrógeno,
o principal hormônio sexual feminino. Não demorou muito
para que os médicos notassem um aumento nos casos de câncer
de útero por essa razão, somente mulheres submetidas
à histerectomia (retirada do útero) participavam do
estudo suspenso na semana passada. A progesterona entrou na terapia
de reposição hormonal para proteger o útero
da ação do estrógeno. Há que levar em
conta que o tratamento pode ser feito com versões diferentes
de estrógeno da que é usada nos comprimidos de Premarin.
Existem também combinações distintas de estrógeno
e progesterona daquela utilizada no remédio Premelle. Mas
a verdade é que, depois dos alertas lançados nos Estados
Unidos, qualquer tipo de reposição passou a ser suspeito.
Pelo menos para as pacientes.
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