Edição 1844 . 10 de março de 2004

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Medicina
Outro golpe contra a reposição

Um novo estudo americano volta
a condenar o uso de hormônios
por mulheres na pós-menopausa


Paula Neiva

VEJA Saúde

Na semana passada, médicos do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos interromperam um dos maiores estudos sobre terapia de reposição hormonal um ano antes da data prevista para a sua conclusão. Iniciada em 1997, a pesquisa contou com a participação de 11.000 mulheres e pretendia avaliar o impacto do tratamento à base do hormônio estrógeno na prevenção de doenças cardiovasculares em pacientes na pós-menopausa. Os trabalhos foram suspensos porque os riscos da terapia ultrapassavam os limites de segurança. Constatou-se que o uso de comprimidos de estrógeno de origem eqüina (vendidos sob o nome comercial de Premarin) aumenta em 40% os riscos de derrame, não reduz a probabilidade de uma mulher sofrer um infarto nem protege contra o câncer de mama. O único benefício desse tipo de reposição hormonal foi a redução dos casos de fratura de quadril – o que não compensa, evidentemente, os perigos de um derrame.

É a segunda vez que um trabalho sobre reposição hormonal coordenado pelo governo americano tem de ser cancelado. Em 2002, três anos antes do programado, decretou-se o fim de uma pesquisa com 16.000 mulheres, entre 50 e 79 anos, submetidas à terapia com o medicamento Premelle, uma combinação dos hormônios estrógeno e progesterona. O motivo: aumento na possibilidade de câncer de mama, infarto, derrame e trombose. Desde o fim da década de 60, quando a reposição hormonal começou a ser utilizada em larga escala contra os sintomas da menopausa, uma centena de estudos tentou determinar o seu impacto na prevenção de distúrbios cardiovasculares, osteoporose e certos tipos de câncer. Os trabalhos interrompidos do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos eram os que envolviam o maior número de mulheres e dispunham de um controle metodológico mais rígido.

As primeiras reposições eram feitas apenas com estrógeno, o principal hormônio sexual feminino. Não demorou muito para que os médicos notassem um aumento nos casos de câncer de útero – por essa razão, somente mulheres submetidas à histerectomia (retirada do útero) participavam do estudo suspenso na semana passada. A progesterona entrou na terapia de reposição hormonal para proteger o útero da ação do estrógeno. Há que levar em conta que o tratamento pode ser feito com versões diferentes de estrógeno da que é usada nos comprimidos de Premarin. Existem também combinações distintas de estrógeno e progesterona daquela utilizada no remédio Premelle. Mas a verdade é que, depois dos alertas lançados nos Estados Unidos, qualquer tipo de reposição passou a ser suspeito. Pelo menos para as pacientes.

 

 
 
 
 
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