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Televisão
Astro-problema
Charlie Sheen é o
ator mais bem pago
das sitcoms americanas. E para fazer
o papel dele mesmo

Marcelo Marthe
Divulgação
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| Sheen, como o abominável solteirão
da série: qualquer semelhança não é
coincidência |
Meses atrás, o ator Charlie Sheen teve um final de casamento
barra-pesada. Sua ex, a atriz Denise Richards, o acusou de ser violento
e viciado em pornografia. Declarou ainda que temia por ela e pelas
duas filhas em razão de suas paranóias. Sheen mantinha
um revólver a seu alcance, por medo de estranhos invadirem
sua mansão. A gota d'água foi sua obsessão
pelo assassinato da mulher do ex-jogador de futebol americano O.J.
Simpson colecionava fotos de sua autópsia. Por menos
roupa-suja, outros atores americanos viram a carreira ir para o
brejo. Mas nada disso afetou seu cacife. Protagonista de Two
and a Half Men, a série cômica de maior sucesso
nos Estados Unidos atualmente, ele renovou seu contrato com a rede
CBS em condições para lá de vantajosas. Com
salário de 350.000 dólares por episódio, tornou-se
o ator de comédia mais bem pago da TV americana. Enfim: de
tão folclórico, seu mau comportamento passou a ser
um trunfo. Em Two and a Half Men (exibida no Brasil pelo
canal pago Warner), o ator interpreta uma paródia de si mesmo:
um solteirão sexista, beberrão e mau-caráter
que é obrigado a abrigar o irmão e o sobrinho em casa.
Como o irmão é um zero à esquerda em matéria
de mulher, Charlie cuida de dar dicas sórdidas de paquera
ao sobrinho.
Sheen faz jus à fama de
problemático. Nos anos 90, o ator afundou-se no álcool
e nas drogas. Foi preso e quase morreu de overdose. Era também
um mulherengo da pior estirpe. Quando o escândalo envolvendo
astros de Hollywood e a cafetina Heidi Fleiss veio à tona,
soube-se que ele havia dormido com 27 prostitutas agenciadas por
ela. Filho de Martin Sheen, o intérprete do presidente americano
na série The West Wing, ele teve um início
de carreira meteórico, como protagonista de filmes como Platoon
e Wall Street, mas depois se meteu numa série
de fiascos de bilheteria. Em 2000, foi resgatado pela televisão.
Ao assumir o posto do ator Michael J. Fox na série Spin
City, foi tão bem-sucedido que a CBS decidiu dar-lhe
um seriado próprio. O ator não deixa de se beneficiar
da maré baixa das séries cômicas. A crise do
gênero fica patente nos rankings de audiência, hoje
dominados pelos dramas. Two and a Half Men diverte
mas, bem, chega a dar saudade da abilolada Friends. Nos tempos
áureos das séries cômicas, aliás, um
salário como o dele seria fichinha. Os astros de Friends
ganhavam 1 milhão de dólares por episódio,
quase três vezes mais que o astro-problema.
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