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Televisão
Bolsa-minissérie
A Globo teve o apoio de 1,6 milhão
de reais
do governo acreano para gravar Amazônia

Marcelo Marthe
Divulgação
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| José Wilker (à dir.),
como Galvez: ele não é a cara do ex-governador?
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A minissérie
Amazônia, que estreou na última terça-feira,
é uma superprodução. A Globo investiu 20 milhões
de reais na epopéia que acompanha a história do Acre
do fim do século XIX aos anos 1980. A esse valor se soma
1,6 milhão de reais injetados por outro interessado: o governo
acreano. Convencido de que uma produção nesses moldes
enaltece o estado, o ex-governador petista Jorge Viana começou
a articular a realização da "minissérie do
Acre" em 2001, com a Globo e a autora Glória Perez, ela mesma
acreana. Viana, que ocupou o poder até o fim de 2006, não
mediu esforços para concretizar seu projeto. Ganhou até
o apelido de "Jorge Galvez" referência ao aventureiro
retratado na primeira fase da trama. "Se dependesse do ex-governador,
o papel de Galvez seria dele, e não de José Wilker",
cutuca um opositor. Se o entusiasmo de Viana por Amazônia
raiou à obsessão, segundo alguns, o fato é
que sua disposição em dar apoio à série
não tem nada de inédita. Receber uma equipe da Globo
é sonho de políticos de muitos estados, pela publicidade
e outros dividendos que a exposição pode trazer à
região. Sem falar naquele gostinho de conviver com as celebridades
da TV.
A presença de uma equipe
de gravação da Globo provoca uma revolução
em qualquer lugar. E, à exceção do que acontece
com os moradores do bairro carioca do Leblon, que não agüentam
mais topar com gravações de novela em sua vizinhança,
essa revolução é bem-vinda. Ao menos em tese,
o local brindado com ela ganha antes e depois. Antes, porque a estrutura
da Globo anima a economia regional. Amazônia mobilizou
mais de 200 atores (ou metade do elenco da rede). Foram enviados
ao Acre, no total, 150 profissionais. Toda essa gente badalou na
capital, Rio Branco. "Quando os famosos apareciam nos cafés,
todo mundo corria para ficar perto deles", diz Jackie Pinheiro,
colunista do jornal A Gazeta que, aliás, deu
um jeito de fazer figuração na série. O ganho
a longo prazo é de imagem: a veiculação na
TV ajudaria a atrair turistas e empreendimentos. Três anos
atrás, o Maranhão gastou cerca de 3 milhões
de reais para ter suas dunas mostradas na novela Da Cor do Pecado.
Para as autoridades do estado na época, compensou. "Nunca
mais os réveillons nos Lençóis Maranhenses
foram os mesmos: agora tem gente saindo pelo ladrão", diz
Sérgio Macêdo, secretário estadual de Comunicação
no período.
No caso do Acre, chama atenção
que se dê prioridade a esse tipo de publicidade num estado
tão carente. O governo petista gastou cerca de 600.000 reais
para bancar a hospedagem e a alimentação da equipe
da Globo a despesa foi justificada numa licitação
como sendo para "intercâmbio cultural". O restante foi consumido
nas duas cidades cenográficas, que serão transformadas
em museus. "Não faremos como o governo de Rondônia,
que construiu cenários para a Globo e depois destruiu tudo",
diz o secretário de Comunicação, Anibal Diniz,
em alusão à estrutura montada no estado vizinho para
a série Mad Maria, em 2005. O reaproveitamento dos
cenários pode até ser um sinal de que o gasto não
foi fútil. Mais duvidosas, ao menos por enquanto, são
as vantagens que Amazônia possa trazer em turismo.
Nos primeiros capítulos, a série pintou o Acre como
o fim do mundo. E olha que Glória Perez é de lá.
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