'
 


    

 
Edição 1990 . 10 de janeiro de 2007

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Comportamento
Proibido para menores

Caros e assinados por artistas, estes
bonecos são brinquedinhos, sim,
mas só para gente grande


Bel Moherdaui

 

Fotos de Paulo Vitale e Everton Ballardin
Charme e diversão: peças de todos os tamanhos, preços e estilos são exibidas como obras de arte por colecionadores como Rosenbaum

EXCLUSIVO ON-LINE
Imagens dos brinquedos

Parecem brinquedo, mas criança não pode nem chegar perto. São feitos de plástico, vinil ou resina, mas têm preço de objetos de arte. Vendidos em galerias, sites, lojas de decoração e agora também em espaços exclusivos, os art toys, verdadeiros bonequinhos de adultos (nada a ver com as figuras infláveis que se compram escondido), não servem para brincar, embora muitos sejam até articulados, mas para admirar e colecionar. Em geral são feitos por artistas plásticos, assinados e numerados, com poucos exemplares disponíveis. Fruto da mistura entre a cultura dos quadrinhos, dos mangás japoneses e do grafite, eles se tornaram diversão de moços e moças da turma dos modernos há quatro ou cinco anos e nos últimos meses conquistaram o coração dos colecionadores em geral, dispostos a gastar, por exemplo, quase 500 reais num gato preto e branco inflável, revestido de resina, de dois palmos de altura.

"Os meus toys ficam em uma vitrine na minha casa e a empregada nem limpa, com medo de quebrar. Sou ciumento", confessa o estilista Marcelo Sommer, 39 anos, dono de quase três dezenas de brinquedinhos de gente grande. "O mais caro custou uns 130 dólares (cerca de 300 reais), mas já vi outros muito mais caros. Eu mesmo quase comprei uma bola do Takashi Murakami, aquele que desenhou bolsas para a Louis Vuitton, por 500 dólares, mas resisti", explica ele, que costuma adquirir seus exemplares em viagens ao Japão e aos Estados Unidos. Entre as peças mais disputadas pelos aficionados estão as bonecas góticas baseadas nos desenhos da americana Camille Rose Garcia. Katie and Sadie, nome de uma boneca de duas cabeças e três pernas, foi a primeira da série a esgotar-se na Plastik, loja de art toy recém-inaugurada em São Paulo (um novo carregamento já foi encomendado). Mas lá ainda é possível encontrar, por 430 reais cada uma, as colegas Cherry Girl (que tem um sorvete na cabeça), Patch (que usa um tapa-olho de pirata) e a ruivinha Lulu. Outro incensado designer desse meio é o japonês Yoshitomo Nara, destaque da arte pop de seu país e criador do meigo sonâmbulo e do cachorrinho que gira dentro de uma xícara. Na seção fofura enquadram-se os ursinhos Kuma, pintados a mão pela designer colombiana Maria Sarmiento (1.500 reais o grande, vestido de Batman, e 600 reais a gueixa, média). Fazem sucesso, ainda, os Bearbricks (ursinhos com diferentes "estampas", como pele de animais, desenhos de terror e até uma criada pela Fundação Andy Warhol), as figuras do ilustrador londrino Will Sweeney – como o Hot Dog Man e os Kebab Twins (roxos-batata, em formato de churrasquinho grego) – e os muito politicamente incorretos coelhinhos Smorkin' Labbit, do designer espanhol Frank Kozik, que não dispensa o cigarro no canto da boca (em torno de 260 reais).

"Na verdade, são todos um pouco sádicos. Tenho um ursinho rosa com sangue na boca e nas mãos. Vem junto uma espécie de roteiro explicando o porquê do sangue: ele bate tanto no amiguinho que fica assim", diz o arquiteto Marcelo Rosenbaum, dono de mais de 100 art toys, entre outras "bugigangas" colecionáveis. "No meu aniversário foi até engraçado, porque eu só ganhei brinquedo. E de todos os tipos, porque no final as pessoas acham que tudo pode", diverte-se. O duro, em alguns casos, é preservar os brinquedos de olhinhos e mãozinhas ávidas de crianças. "Minha mãe achou estranho me ver brigando com a minha própria filha por causa de um brinquedo", diz a estilista Adriana Barra, que espalha seus quase cinqüenta bonecos pelo ateliê e pela casa. "Explico para a Amélie, que tem 2 anos, que aqueles são os brinquedos da mamãe. Mas ela não consegue entender a diferença entre os dela e os meus", resigna-se.

 
 
 
 
topovoltar