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Comportamento
Proibido para menores
Caros e assinados por artistas, estes bonecos são brinquedinhos, sim,
mas só para gente grande  Bel
Moherdaui Fotos
de Paulo Vitale e Everton Ballardin
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e diversão: peças de todos os tamanhos, preços e estilos são exibidas como obras
de arte por colecionadores como Rosenbaum |  |
Parecem brinquedo, mas criança
não pode nem chegar perto. São feitos de plástico, vinil
ou resina, mas têm preço de objetos de arte. Vendidos em galerias,
sites, lojas de decoração e agora também em espaços
exclusivos, os art toys, verdadeiros bonequinhos de adultos (nada a ver com as
figuras infláveis que se compram escondido), não servem para brincar,
embora muitos sejam até articulados, mas para admirar e colecionar. Em
geral são feitos por artistas plásticos, assinados e numerados,
com poucos exemplares disponíveis. Fruto da mistura entre a cultura dos
quadrinhos, dos mangás japoneses e do grafite, eles se tornaram diversão
de moços e moças da turma dos modernos há quatro ou cinco
anos e nos últimos meses conquistaram o coração dos colecionadores
em geral, dispostos a gastar, por exemplo, quase 500 reais num gato preto e branco
inflável, revestido de resina, de dois palmos de altura.
"Os meus toys ficam em uma vitrine na minha casa e a empregada
nem limpa, com medo de quebrar. Sou ciumento", confessa o estilista Marcelo Sommer,
39 anos, dono de quase três dezenas de brinquedinhos de gente grande. "O
mais caro custou uns 130 dólares (cerca de 300 reais), mas já vi
outros muito mais caros. Eu mesmo quase comprei uma bola do Takashi Murakami,
aquele que desenhou bolsas para a Louis Vuitton, por 500 dólares, mas resisti",
explica ele, que costuma adquirir seus exemplares em viagens ao Japão e
aos Estados Unidos. Entre as peças mais disputadas pelos aficionados estão
as bonecas góticas baseadas nos desenhos da americana Camille Rose Garcia.
Katie and Sadie, nome de uma boneca de duas cabeças e três pernas,
foi a primeira da série a esgotar-se na Plastik, loja de art toy recém-inaugurada
em São Paulo (um novo carregamento já foi encomendado). Mas lá
ainda é possível encontrar, por 430 reais cada uma, as colegas Cherry
Girl (que tem um sorvete na cabeça), Patch (que usa um tapa-olho de pirata)
e a ruivinha Lulu. Outro incensado designer desse meio é o japonês
Yoshitomo Nara, destaque da arte pop de seu país e criador do meigo sonâmbulo
e do cachorrinho que gira dentro de uma xícara. Na seção
fofura enquadram-se os ursinhos Kuma, pintados a mão pela designer colombiana
Maria Sarmiento (1.500 reais o grande, vestido de Batman, e 600 reais a gueixa,
média). Fazem sucesso, ainda, os Bearbricks (ursinhos com diferentes "estampas",
como pele de animais, desenhos de terror e até uma criada pela Fundação
Andy Warhol), as figuras do ilustrador londrino Will Sweeney como o Hot
Dog Man e os Kebab Twins (roxos-batata, em formato de churrasquinho grego)
e os muito politicamente incorretos coelhinhos Smorkin' Labbit, do designer espanhol
Frank Kozik, que não dispensa o cigarro no canto da boca (em torno de 260
reais). "Na verdade, são todos
um pouco sádicos. Tenho um ursinho rosa com sangue na boca e nas mãos.
Vem junto uma espécie de roteiro explicando o porquê do sangue: ele
bate tanto no amiguinho que fica assim", diz o arquiteto Marcelo Rosenbaum, dono
de mais de 100 art toys, entre outras "bugigangas" colecionáveis. "No meu
aniversário foi até engraçado, porque eu só ganhei
brinquedo. E de todos os tipos, porque no final as pessoas acham que tudo pode",
diverte-se. O duro, em alguns casos, é preservar os brinquedos de olhinhos
e mãozinhas ávidas de crianças. "Minha mãe achou estranho
me ver brigando com a minha própria filha por causa de um brinquedo", diz
a estilista Adriana Barra, que espalha seus quase cinqüenta bonecos pelo
ateliê e pela casa. "Explico para a Amélie, que tem 2 anos, que aqueles
são os brinquedos da mamãe. Mas ela não consegue entender
a diferença entre os dela e os meus", resigna-se. |