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Beleza Alisar
ou não alisar Depois
dos 60, a mulher que faz plástica, Botox e preenchimento corre sério
risco de ficar com cara de quem fez plástica, Botox e preenchimento
 Laura
Ming
Praticamente toda mulher, dada
a opção, prefere adiar quanto pode a manifestação
de rugas, manchas, cabelos brancos, flacidez e quaisquer outras evidências
de que está envelhecendo. A caixa de ferramentas antiidade, que não
pára de se expandir, começa com cremes, Botox, laser, Botox, ácidos
e mais Botox, com eventuais passagens pela mesa de lipoaspiração
este, um procedimento de maior risco, que exige internação
e anestesia. Chega a hora, porém, em que a vaidosa militante tem de encarar
a inevitável primeira cirurgia plástica, e aí mora o perigo.
Seguem-se a segunda, a terceira, injeções de ácidos para
inflar áreas muito esticadas, mais Botox, que é de praxe, e de repente
a mulher ganhou outra cara e nem percebe. Ou alguém reconhece de pronto
na plastificada loira acima a bela atriz Faye Dunaway, estrela de Bonnie e
Clyde e de Chinatown, hoje com 65 anos? "Trata-se de um problema que
atinge principalmente mulheres com mais de 60 anos e diversas plásticas
no currículo", diz o cirurgião Pedro Vital, de São Paulo.
"Há casos em que a pessoa está tão deformada que não
tenho como mexer. Mando para casa."
Há um limite numérico para tratamentos e cirurgias estéticas?
Em termos, dizem os médicos. O problema, segundo eles, não está
no procedimento em si, que se for bem feito pode ser repetido sem problema. O
que marca, em geral de forma indelével, é o exagero. Das cirurgias
de rejuvenescimento facial, a mais comum é o lifting, que, como indica
o nome em inglês, "levanta" o rosto ao puxar a pele, cortar o excesso e
recosturá-la em pontos escondidos, geralmente atrás da orelha. Feito
da maneira certa, rejuvenesce sem que se note a diferença. "Ao operar,
o médico tem de ter sempre em mente a idade da paciente. Não faz
sentido dar a quem tem 50 anos um rosto de 25. Um pouco de pé-de-galinha
não faz mal a ninguém", ensina o cirurgião Juarez Avelar,
ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em São
Paulo. Perfeito na teoria, difícil de aceitar na prática. "Já
tive pacientes que, quando as amigas não perceberam que tinham sido operadas,
ficaram chateadas. Precisei mostrar as fotos de antes para que elas conferissem
as melhoras e saíssem satisfeitas", diz o cirurgião carioca José
de Gervais. Como exageros são recorrentes, considera-se que até
três liftings, a intervalos de no mínimo dez anos, são aceitáveis
(veja o quadro). Mais do que isso, é grande o risco de a pessoa
ficar (toc, toc, toc) com cara de quem fez plástica. É melhor, no
caso, apelar para tratamentos temporários, como Botox (que alisa, paralisando
os músculos) e preenchimentos (que inflam, com substâncias variadas,
áreas murchas como maçãs do rosto e lábios). Mais
uma vez: basta um pequeno erro de proporção para que a pessoa fique
(de novo: toc, toc, toc) com cara de quem pôs Botox ou fez preenchimento.
"O preenchimento pode ser tanto uma dádiva quanto um pecado", alerta Aristóteles
Bersou Júnior, cirurgião plástico de São Paulo. "O
mais importante é que seja feito com substâncias que o corpo absorva
com o tempo. Assim, um eventual exagero pode mais tarde ser corrigido."
Inevitavelmente, quanto mais a mulher (e o homem, diga-se de passagem) se empenha
em rejuvenescer, maior a certeza de que, em dado momento, vai extrapolar. Umas
extrapolam mais, outras menos. A apresentadora de TV Hebe Camargo (pela própria
contabilidade, duas plásticas de mamas, duas lipos, dois liftings) está
conservadíssima para seus 77 anos, não obstante os zigomas mais
estufados do que o bom senso recomenda. "Com tantos recursos, por que não
ficar melhor?", pergunta. E reitera: "Nunca fico doente. Só vou a hospital
para cirurgia plástica". Já Faye Dunaway é vítima
notória da dupla maçãs e lábios hiperestufados (no
seu caso, assessorados por dentes milimetricamente perfeitos), excessos que também
afetam Suzanne Somers, 60 anos, a loirinha dos seriados Three's Company,
megassucesso da TV americana nos anos 70, e, mais recentemente, Step by Step,
exibido no Brasil pela TV a cabo, que fez a primeira e muito comentada plástica
ainda "menina", aos 55, e saiu da cirurgia outra pessoa, de olhos quase amendoados
e lábios triplicados. Entre as brasileiras de pele lisíssima, a
atriz Rosamaria Murtinho, que passou dos 70 e vamos mudar de assunto, fez dois
liftings e está criando coragem para operar o pescoço, usa Botox
entre as sobrancelhas "para não ficar com cara de brava" e tem planos de
ganhar uns 2 quilos e, na seqüência, lipoaspirar a barriga. "Acho que
as pessoas na minha idade ficam mais bonitas com mais peso e não quero
que vá tudo para a barriga. Mas ao mesmo tempo me questiono se nessa idade
vale a pena", diz, muito sensata. De fato, lipo sob a pele envelhecida é
prática arriscada: uma vez removida a camada de gordura, a área
externa, sem elasticidade, tende a ficar ondulada. Sabendo-se portanto que depois
dos 60 lipo ondula, lifting estica demais, Botox paralisa e preenchimentos inflam
em excesso, conclui-se que fórmula perfeita para o bem envelhecer não
há. Ou melhor, há, só que é privilégio de pouquíssimas
quem diz que Suzana Vieira, capaz de tirar de letra cenas de tórrida
paixão em novelas, tem 64 anos? Ou então é questão
de encarar a passagem do tempo da melhor forma possível, exibindo rugas
e cabelos brancos com pose e altivez, como faz, aos 80 anos, a rainha Elizabeth
da Inglaterra provavelmente a única milionária do planeta
que jamais se submeteu a uma cirurgia plástica.
HORA DE PARAR Alguns
procedimentos estéticos podem ser repetidos indefinidamente. Outros, principalmente
os mais invasivos, têm limites ditados pela freqüência
e pela idade Lifting:
não é recomendável fazer mais de três plásticas
no rosto e no pescoço. Com o tempo, a pele vai ficando mais fina e o resultado,
artificial Abdômen: a
plástica nessa região costura a musculatura e retira todo o excesso
de pele. Por ser uma cirurgia grande, numa área vital e com recuperação
prolongada, não deve ser repetida Seios:
o limite para a colocação ou substituição de próteses
é a elasticidade da pele. Quanto mais idade, menos aconselhável
Lipoaspiração:
o fator determinante, mais uma vez, é a elasticidade da pele. Quanto menor,
mais ondulada ficará a área submetida ao procedimento |
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