Edição 1930 . 9 de novembro de 2005

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Televisão
Mamma mia!

Roqueiro sessentão eletriza
a Itália num humorístico


Paula Aoyagui


Filippo Monteforte/AFP
Celentano (à dir.), com Benigni: na lista negra de Berlusconi

Nas últimas semanas, a Itália viveu um daqueles momentos em que um país inteiro é eletrizado pela TV. Comandado por Adriano Celentano, um roqueiro sessentão, o especial de humor Rockpolitik mobilizou o recorde de 15 milhões de espectadores num de seus três episódios já exibidos (o quarto e último irá ao ar nesta semana). Celentano recebeu convidados como o cantor Eros Ramazzotti e o ator Roberto Benigni. Mas a figura mais comentada (e satirizada) de seu programa é o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Logo na estréia, ele fez piadas ácidas sobre Berlusconi e o acusou de tolher a liberdade de expressão – o primeiro-ministro é dono das três redes de TV privadas da Itália e controla as emissoras estatais (inclusive a RAI UNO, que exibe o especial). Irritado, Berlusconi divulgou o nome de sete comediantes que estariam abusando nas sátiras a seu respeito, com Celentano no topo da lista. O primeiro-ministro já pedira a cabeça de outros humoristas no passado, e eles caíram no ostracismo. Mas Celentano voltou à carga no programa em que recebeu Benigni, quando atingiu a marca de 68% dos espectadores sintonizados: juntos, eles escreveram uma carta fictícia de desculpas. O roqueiro, que ganhará um cachê equivalente a 3,8 milhões de reais pelo especial, incluiu em seu contrato uma cláusula que garante autonomia sobre seus comentários. Resta saber se a popularidade funcionará como escudo contra Berlusconi.

 
 
 
 
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