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Televisão
Mamma mia!
Roqueiro sessentão eletriza
a Itália num humorístico

Paula Aoyagui
Filippo Monteforte/AFP
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| Celentano (à dir.), com Benigni: na
lista negra de Berlusconi |
Nas últimas semanas, a Itália
viveu um daqueles momentos em que um país inteiro é
eletrizado pela TV. Comandado por Adriano Celentano, um roqueiro
sessentão, o especial de humor Rockpolitik mobilizou
o recorde de 15 milhões de espectadores num de seus três
episódios já exibidos (o quarto e último irá
ao ar nesta semana). Celentano recebeu convidados como o cantor
Eros Ramazzotti e o ator Roberto Benigni. Mas a figura mais comentada
(e satirizada) de seu programa é o primeiro-ministro italiano
Silvio Berlusconi. Logo na estréia, ele fez piadas ácidas
sobre Berlusconi e o acusou de tolher a liberdade de expressão
o primeiro-ministro é dono das três redes de
TV privadas da Itália e controla as emissoras estatais (inclusive
a RAI UNO, que exibe o especial). Irritado, Berlusconi divulgou
o nome de sete comediantes que estariam abusando nas sátiras
a seu respeito, com Celentano no topo da lista. O primeiro-ministro
já pedira a cabeça de outros humoristas no passado,
e eles caíram no ostracismo. Mas Celentano voltou à
carga no programa em que recebeu Benigni, quando atingiu a marca
de 68% dos espectadores sintonizados: juntos, eles escreveram uma
carta fictícia de desculpas. O roqueiro, que ganhará
um cachê equivalente a 3,8 milhões de reais pelo especial,
incluiu em seu contrato uma cláusula que garante autonomia
sobre seus comentários. Resta saber se a popularidade funcionará
como escudo contra Berlusconi.
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