Edição 1930 . 9 de novembro de 2005

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Televisão
Melodrama juvenil

A série adolescente The O.C. é moderninha,
mas tem um enredo digno de novela mexicana


Paula Aoyagui


Divulgação
The O.C.: jovens em crise num balneário chique

Quando Barrados no Baile parou de ser produzido, em 2000, uma questão ficou no ar: qual programa ocuparia o lugar desse sucesso dos anos 90 no filão dos seriados americanos para adolescentes? A resposta é: The O.C. – Um Estranho no Paraíso. Assim como a antiga série, sua sucessora focaliza a juventude de um ponto badalado da Califórnia. Em vez de Beverly Hills, o cenário aqui é o balneário chique de Orange County. Os temas não diferem: fala-se, de forma açucarada, dos conflitos familiares, dos problemas com drogas, da descoberta do sexo e daquela sensação de ser um peixe fora d'água típica da idade. A fórmula faz sucesso porque já foi testada – mas também porque passou por uma providencial atualização. O programa, exibido no Brasil pelo SBT e pelo canal pago Warner (no qual estréia nesta semana sua terceira temporada), tornou-se vitrine do que é "descolado" para os adolescentes americanos – e também vai caindo no gosto dos brasileiros. Uma medida de sua influência é a capacidade de transformar músicas em sucessos. Graças às suas aparições na série, bandas como The Killers, Modest Mouse e Death Cab for Cutie – até então, ilustres desconhecidas – ficaram populares. As gravadoras disputam a tapa um lugar na trilha sonora do seriado, que já deu origem a cinco discos.

O enredo de The O.C. é digno de um dramalhão mexicano. O protagonista Ryan (Benjamin Mckenzie) é uma versão masculina de Cinderela: trata-se de um garoto pobre cuja vida dá uma guinada ao ser adotado por uma família rica. Há também a mocinha ingênua, Marissa (Mischa Barton), que supera todos os obstáculos para ficar com Ryan. Desfilam pela série uma adolescente alcoólatra, outra que já sofreu overdose e uma mãe que dá o golpe do baú no ricaço da região e ainda tem um caso com o namorado da filha. A ousadia máxima do programa foi mostrar um tímido beijo lésbico. The O.C. é moderninho – mas bem-comportado.

 
 
 
 
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