Edição 1930 . 9 de novembro de 2005

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Beleza
Aperto com conforto

Comprimir continua a ser
preciso. A diferença é que
agora dá para respirar


Otavio Dias de Oliveira
Do espartilho ao modelador: sai a barbatana de baleia, entra a microfibra

Em tempos que hoje só se vêem no cinema, as mulheres tinham busto cheio, cinturinha de vespa e quadris largos; uma certa barriguinha era perfeitamente aceitável. Redesenhado pela mudança de costumes, o corpo feminino hoje em dia requer busto proporcional, quadris menos pneumáticos e barriga zero; cintura, basta que exista. Como infelizmente a maioria das mulheres não nasce (e cresce) com o corpo que a moda exige, para caber nas roupas apela-se para um truque das antigas: a lingerie que ressalta, reduz e molda. Na época das tataravós, o recurso era o espartilho, uma espécie de instrumento de tortura eficientíssimo em seus propósitos. Despida de barbatanas, cordões e outros instrumentos de alta compressão, a peça agora se chama modelador. Infinitamente mais confortável, aperta menos e, portanto, molda o corpo de forma mais branda. Está, sem trocadilhos, em expansão. "Há seis anos, as lingeries modeladoras ou redutoras representavam apenas 3% das vendas; hoje chegam a 8% e não param de crescer", diz Ligia Buonamici, responsável pelo desenvolvimento da linha na Liz.

No espartilho, em uso até a I Guerra Mundial, um conjunto de varetas de madeira ou barbatanas de baleia recoberto por tecido nobre e enfeitado de laços e rendas comprimia o torso, principalmente a parte inferior, onde as costelas são flexíveis. Com isso, o busto saltava e a cintura afinava até inimagináveis 40 centímetros (a título de comparação, as magérrimas modelos têm 60 centímetros; o pescoço de Mike Tyson, 50 centímetros). "A respiração era totalmente pulmonar, sem nada de abdominal", conta o historiador João Braga, professor de história da moda do Senac de São Paulo. Mesmo se recolhendo de tempos em tempos para desapertar o espartilho e respirar de verdade, as usuárias sofriam desmaios freqüentes. Os modeladores atuais são de microfibra e, em geral, sem costura. O efeito é obtido pela mescla de fios diferentes e pelo tamanho alternado dos pontos, que dão elasticidade diferente a cada pedaço: a trama em torno do busto é macia, a do bumbum comprime mais embaixo do que em cima, a do culote aperta e a da barriga comprime. Há cerca de vinte modelos, entre calcinha, bermuda, legging e peças inteiriças. São quentes e absolutamente anti-sensuais – mulher alguma quer ser pega num deles. Se for para mostrar, prefere um corselete com barbatana, laços, fitas e rendinhas. Em suma, uma imitação de espartilho.

 
 
 
 
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