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Beleza
Aperto com conforto
Comprimir continua a ser
preciso. A diferença é que
agora dá para respirar
Otavio Dias de Oliveira
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| Do espartilho ao modelador: sai a barbatana
de baleia, entra a microfibra |
Em tempos que hoje só se vêem no cinema, as mulheres
tinham busto cheio, cinturinha de vespa e quadris largos; uma certa
barriguinha era perfeitamente aceitável. Redesenhado pela mudança
de costumes, o corpo feminino hoje em dia requer busto proporcional,
quadris menos pneumáticos e barriga zero; cintura, basta que
exista. Como infelizmente a maioria das mulheres não nasce
(e cresce) com o corpo que a moda exige, para caber nas roupas apela-se
para um truque das antigas: a lingerie que ressalta, reduz e molda.
Na época das tataravós, o recurso era o espartilho,
uma espécie de instrumento de tortura eficientíssimo
em seus propósitos. Despida de barbatanas, cordões e
outros instrumentos de alta compressão, a peça agora
se chama modelador. Infinitamente mais confortável, aperta
menos e, portanto, molda o corpo de forma mais branda. Está,
sem trocadilhos, em expansão. "Há seis anos, as lingeries
modeladoras ou redutoras representavam apenas 3% das vendas; hoje
chegam a 8% e não param de crescer", diz Ligia Buonamici, responsável
pelo desenvolvimento da linha na Liz.
No espartilho, em uso até a I Guerra
Mundial, um conjunto de varetas de madeira ou barbatanas de baleia
recoberto por tecido nobre e enfeitado de laços e rendas
comprimia o torso, principalmente a parte inferior, onde as costelas
são flexíveis. Com isso, o busto saltava e a cintura
afinava até inimagináveis 40 centímetros (a
título de comparação, as magérrimas
modelos têm 60 centímetros; o pescoço de Mike
Tyson, 50 centímetros). "A respiração era totalmente
pulmonar, sem nada de abdominal", conta o historiador João
Braga, professor de história da moda do Senac de São
Paulo. Mesmo se recolhendo de tempos em tempos para desapertar o
espartilho e respirar de verdade, as usuárias sofriam desmaios
freqüentes. Os modeladores atuais são de microfibra
e, em geral, sem costura. O efeito é obtido pela mescla de
fios diferentes e pelo tamanho alternado dos pontos, que dão
elasticidade diferente a cada pedaço: a trama em torno do
busto é macia, a do bumbum comprime mais embaixo do que em
cima, a do culote aperta e a da barriga comprime. Há cerca
de vinte modelos, entre calcinha, bermuda, legging e peças
inteiriças. São quentes e absolutamente anti-sensuais
mulher alguma quer ser pega num deles. Se for para mostrar,
prefere um corselete com barbatana, laços, fitas e rendinhas.
Em suma, uma imitação de espartilho.
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