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Especial Em
busca de um final sereno Pacientes terminais
já conseguem obter em casa tratamentos paliativos que tornam a
fase final da vida menos traumática do que nas UTIs  Okky
de Souza e Rosana Zakabi
Paulo
Vitale
 | LONGE
DO HOSPITAL A dona-de-casa paulista Maria Lima
Spazzapan, de 57 anos (com a filha Alessandra), tem câncer de endométrio. "Minha
família é muito presente e a casa está sempre cheia. É isso que me dá forças para
enfrentar a doença. Mas, às vezes, choramos juntos" |
A notícia chega pelo médico e imediatamente
deflagra uma tempestade de sentimentos negativos: raiva, culpa, depressão
e, sobretudo, medo. Descobrir que sofre de uma
doença incurável e que a expectativa de vida provavelmente não
vai além do próximo aniversário é para todo mundo,
em qualquer tempo, o choque definitivo de toda uma vida. A cultura, a biologia
e até as religiões conspiram para que as pessoas jamais estejam
prontas para morrer. Embora a morte seja uma das poucas certezas da vida, ninguém
faz planos para seus últimos momentos na Terra. Segundo estatísticas,
somente 10% dos pacientes terminais se conformam com a própria situação
e tomam providências adequadas para a fase final da vida. Os outros 90%,
confrontados com as evidências e sob o peso do trauma emocional, condicionam-se
a viver como se de alguma maneira a sentença final possa ser revertida.
Mesmo quem tem certeza de que a morte é apenas a passagem de um estado
de vida material a outro imaterial teme o processo de transição.
A atitude mais comum é acreditar em um milagre da medicina tradicional
ou em algum recurso alternativo sobre cuja eficácia é sacrilégio
conjeturar. A medicina dos grandes centros urbanos
de fato é capaz de prolongar a vida de um doente terminal por semanas ou
meses. Nas melhores unidades de tratamento intensivo (UTIs), a falência
de um órgão quase sempre pode ser contornada com um aparelho que
reproduz artificialmente suas funções. As possibilidades são
tantas que os familiares e os pacientes lúcidos podem se confortar com
a fantasia de que a morte, nesse ambiente, é opcional. Mesmo em casa, é
possível manter um doente em estado vegetativo por anos a fio, com a ajuda
de aparelhos intrusivos. A questão central nessas situações
é o que realmente o paciente grave ganha com esses dias extras e
a que preço. Existem recompensas se o fim da vida for adiado à custa
de sofrimento físico e psicológico? Os familiares, chocados com
a possibilidade de uma perda irreparável, quase sempre acham que sim e
pedem ao médico que faça tudo o que for possível com o objetivo
de manter o paciente vivo. Os próprios médicos, para quem salvar
vidas é a prioridade da profissão, usam de todos os recursos disponíveis
para isso. O principal interessado na questão, porém, muitas vezes
tem uma opinião diferente. Pesquisas feitas no Brasil e nos Estados Unidos
mostram que, já na fase de aceitação da doença e da
proximidade da morte, acima de 70% dos pacientes terminais fazem aos médicos
e à família dois pedidos. Primeiro, não querem sofrer. Segundo,
querem morrer em casa. A questão da qualidade
de vida dos pacientes terminais tem mobilizado comunidades médicas de todo
o planeta. Há em curso na medicina uma mudança de perspectiva com
relação ao tratamento que se deve dedicar a esses pacientes. A idéia
é chegar um pouco mais perto do conceito utópico, em boa
medida de "boa morte". Em termos médicos, significa colocar ênfase
no alívio da dor, no controle dos sintomas e nos cuidados espirituais e
emocionais do doente terminal. Em geral, nas unidades de tratamento intensivo,
prevalece conceito oposto. Ali se trava uma batalha obstinada pela manutenção
da vida, mesmo sob o risco de que isso venha a se reduzir ao adiamento da morte
à custa de sofrimento e desespero. Do ponto de vista dos pacientes, a boa
morte, ou o mais próximo que se pode chegar disso, significa trocar mais
alguns dias ou semanas de convivência nas UTIs com estranhos e máquinas
por momentos mais breves porém mais calorosos e recompensadores com os
entes queridos em casa. Muitos pacientes aptos do ponto de vista médico
a abandonar o hospital para compartilhar o tempo que lhe resta em casa têm
escolhido essa opção. Tomar diante
da morte uma atitude prática e racional é coisa rara. As pessoas
planejam as férias e a aposentadoria, mas quase nunca como pretendem dar
seus últimos suspiros. Para os cristãos, a explicação
pode ser buscada na longa tradição de encarar a morte como uma inimiga,
como um castigo que foi imposto à humanidade por Deus como punição
ao pecado original de Adão. Se é uma inimiga, o dever é lutar
contra ela até o limite final das forças. Essa atitude muitas vezes
contribui para que os derradeiros processos biológicos das pessoas sejam
semelhantes a uma batalha santa, e não a um sereno e cerimonial rito de
passagem. A luta sem tréguas é a regra. Mas muitas pessoas estão
buscando uma porta de saída menos traumática. A paulista Maria Lima
Spazzapan tem dores fortes constantes que não a deixam esquecer sua doença.
Ela é paciente terminal de um segundo câncer. A doença atacou-lhe
o endométrio. O que a ajuda a enfrentá-la com coragem e disposição
é a presença da família. São doze irmãos, que
estão sempre por perto, um marido que ela chama de amigão, filhas
e netas. Quando se sente bem, ela consegue dirigir, faz compras e se mantém
ativa no ateliê de bijuterias de uma das filhas. A família sabe que,
nos momentos finais, diante da opção de ir para a UTI, ela preferirá
permanecer em casa. Um número cada vez maior
de médicos, principalmente oncologistas, acredita que não basta
fazer o diagnóstico mais preciso e acompanhar a evolução
do paciente por meio de exames entre suas obrigações profissionais
está também ajudar o paciente a viver da melhor maneira possível
o tempo que lhe resta. "Precisamos reconhecer que às vezes nossos esforços
médicos só servem para piorar uma situação irreversível",
disse a VEJA o clínico-geral Sherwin B. Nuland, da Universidade Yale, e
autor do best-seller científico How We Die (Como Morremos). Os procedimentos
incluídos nessa nova forma de tratar doentes terminais levam o nome genérico
de cuidados paliativos. Seu objetivo, em síntese, é permitir ao
doente a morte mais serena possível. Não é uma decisão
simples. Todas as respostas são insatisfatórias quando se tenta
determinar quando chegou a hora de desligar o respirador artificial de um paciente
terminal ou quando se pode parar a quimioterapia e passar a cuidar apenas do bem-estar
do doente. Como parar de lutar quando as chances de erro, em benefício
do paciente, podem passar de 20%? Em outras palavras, como parar de lutar se dois
em cada dez pacientes dados como irrecuperáveis podem se curar? Os dados
acima se referem a doenças não malignas do coração,
dos pulmões, do fígado e dos rins. No caso do câncer, a taxa
de acerto dos médicos é muito maior. A casuística e a profusão
de dados internacionalmente aceitos permitem traçar com mais certeza a
evolução do quadro clínico dos pacientes. A enfermidade tem
evolução previsível: as condições físicas
do paciente se deterioram muito lentamente no decorrer de vários meses,
ou até anos. De uma hora para outra, os sintomas se tornam agressivos,
o paciente piora rapidamente e, em poucos meses, morre. Por essa razão,
é vítima de câncer a grande maioria dos pacientes que conseguem
obter o controle do que será feito de sua vida nos momentos finais. A busca
de uma morte serena exige planejamento. Há várias providências
que precisam ser tomadas enquanto o doente ainda está lúcido e senhor
de si. • Instruir a família sobre eventuais
procedimentos hospitalares. Deixar claro se deseja ser internado em UTI mesmo
quando se sabe que isso não vai ajudar a melhorar sua qualidade de vida
no período final da existência. •
Fazer um testamento e mantê-lo atualizado. •
Dedicar-se a projetos pessoais planejados há tempos, como escrever um livro,
aprender pintura ou fazer uma viagem muito desejada.
Nos Estados Unidos, um recurso legal chamado Living Will (Testamento em Vida,
na tradução livre), criado em 1967, permite que o cidadão
determine sob que circunstâncias deseja ter a vida prolongada artificialmente
no hospital. Em geral, trata-se de uma ordem para desligar os aparelhos quando
não há chance de recuperação. Mas se estima que menos
da metade das ordens seja realmente obedecida pelos médicos. No Brasil,
não existe legislação específica sobre o assunto.
Mesmo que o paciente deixe por escrito o desejo de não ser mantido vivo
artificialmente, prevalece a decisão do médico. Em geral, esse segue
a ética da profissão, que manda salvar vidas a qualquer preço,
e faz de tudo para prolongar a existência do paciente.
Há hoje no Brasil cerca de quarenta hospitais e clínicas que mantêm
centros de cuidados paliativos. Eles estão presentes até mesmo no
caótico serviço do SUS. Tanto o Hospital do Servidor Público
Estadual, em São Paulo, quanto o Instituto Nacional de Câncer, no
Rio de Janeiro, atendem pacientes terminais com um time que inclui, além
do médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista, assistente social,
fisioterapeuta e conselheiro espiritual. Pacientes terminais, segundo a definição
de duas dezenas de médicos ouvidos por VEJA para esta reportagem, são
os que têm doenças incuráveis e fatais, com expectativa de
vida de três a seis meses. Na rotina dos cuidados paliativos, se os sintomas
dão trégua ao paciente, o atendimento é feito no próprio
hospital caso contrário, a equipe vai à casa dele. "O medo
da morte é o que mais causa dor no doente incurável", relata a oncologista
Maria Goretti Sales Maciel, coordenadora do programa de cuidados paliativos do
Hospital do Servidor Público Estadual. "Só quando se tranqüiliza
e começa a reavaliar a vida, refletir sobre o que fez e o que deixou de
fazer, é que ele começa a se preparar para a morte", ela completa.
Manter um paciente terminal é uma decisão
que implica enormes transtornos. Quando os sintomas se agravam, é preciso
que os parentes, ou enfermeiros contratados, transformem parte da casa em um pequeno
hospital. Os momentos finais da vida podem reservar cenas aflitivas ou
mesmo assustadoras para quem os testemunha. Esses momentos podem não
ser tão serenos e contemplativos como se planejou. Mas as experiências
engrandecedoras e emocionantes são bem mais numerosas. Os psicólogos
especializados em cuidados paliativos notam que, apesar das variações,
alguns padrões podem ser observados. Pacientes com alto grau de espiritualidade,
que acreditam existir algo além da vida, enfrentam a morte de forma mais
serena. Quem teve uma vida feliz, na qual conseguiu realizar boa parte dos objetivos
da juventude, também tende a encarar a morte com mais tranqüilidade.
"Até a cultura conta. Pessoas com menor grau de instrução
demoram mais a aceitar que vão morrer dentro de pouco tempo", diz a psicóloga
Vera Anita Bifulco, do Instituto Paulista de Cancerologia.
O carioca Amarilio de Oliveira Imenes, vendedor que conversou com VEJA antes de
morrer, na semana passada, vítima de câncer no pulmão, tranqüilizou
a família durante uma internação de emergência há
meses. "Não se assuste", disse à mulher. "Jesus está aqui
do meu lado e disse que ainda não veio para fazer a colheita, que eu ainda
viverei algum tempo", sussurrou. Muitas vezes, os familiares ainda sofrem com
o chamado bem-estar final. Repentinamente, o paciente parece se recuperar como
por milagre. Sai do estado de letargia, mostra-se animado, fala como se estivesse
voltando à vida, mas morre horas depois. Esse derradeiro sopro de vitalidade,
explicam os médicos, resulta da enorme quantidade de endorfina liberada
pelo cérebro como reação natural às toxinas produzidas
pela morte dos tecidos dos órgãos internos.
A crescente aceitação dos cuidados paliativos traz embutida uma
reação às grandes transformações por que passaram
os rituais da morte no mundo moderno. Até o início do século
XX, o mais comum era morrer em casa porque os recursos terapêuticos dos
hospitais eram limitados. A morte ocorria no próprio leito, com o doente
cercado pela família e, talvez, também pelos amigos e vizinhos.
Consumada a morte, a família cumpria a solenidade do luto, cobrindo-se
de preto e abstendo-se de comparecer a acontecimentos festivos durante um longo
período. Com o advento dos antibióticos e das cirurgias mais seguras,
nos anos 30, tornou-se mais comum morrer em hospitais. A criação
das UTIs, no início dos anos 70, abriu uma nova porta de comodidade para
os familiares e de esperança para o doente. "Inicialmente, as UTIs eram
destinadas apenas aos pacientes com chances reais de cura. Hoje esse conceito
mudou, e mandam-se para a UTI pessoas sem possibilidade de recuperação",
critica o cirurgião oncológico Guilherme Mendes Filho, do Instituto
Paulista de Cancerologia. A evolução dos tratamentos reduziu a fatalidade
de muitas doenças, mas ao mesmo tempo contribuiu para imbuir a sociedade
de um certo sentimento de onipotência com relação à
morte. Criou-se a fantasia inconsciente de que é possível evitá-la
indefinidamente se forem tomados os cuidados necessários.
A ilusão da imortalidade, evidentemente, serve muito bem às famílias
angustiadas por uma perda iminente. "Mesmo sabendo que mais uma transfusão
de sangue ou outra temporada na UTI não irão salvar o paciente,
as famílias não conseguem interromper o ciclo de tentativas de salvar-lhe
a vida", diz o médico James Hallenbeck, professor da Universidade Stanford
e autor do livro Palliative Care Perspectives (Perspectivas em Cuidados
Paliativos). Convencidos de que os cuidados paliativos são um passo fundamental
para o progresso da medicina, médicos de muitos países têm
promovido uma autocrítica quanto à atuação da classe
nas últimas décadas. Eles argumentam que tanto as famílias
dos pacientes como os próprios médicos passaram a enxergar a morte
como uma derrota, e não como um acontecimento natural da existência
humana. "Nossa cultura perdeu o foco no bem-estar do paciente. Treinamos nossos
médicos para ser guerreiros, ou sacerdotes, que negam a morte a todo custo",
disse a VEJA o médico americano Ira Byock, autor do livro Dying Well:
Peace and Possibilities at the End of Life (Morrendo Bem: Paz e Possibilidades
no Final da Vida). Resume o oncologista carioca Dante Pagnoncelli, do Hospital
São Lucas: "O médico brasileiro não é formado para
atender quem vai morrer. Até o último dia do paciente ele encoraja
o tratamento, mesmo sabendo que não há mais chance de vida".
Mirian
Fichtner
 | "INTERNAÇÃO
É O PIOR" Araci na Sala de Silêncio, local de
meditação no Instituto Nacional de Câncer, no Rio: "No hospital só vejo gente
morrendo, é um pesadelo" |
A dona-de-casa
carioca Araci Carolina Rosa, de 60 anos, enfrenta um câncer de colo de útero
há quatro anos. Passou por vários tratamentos, mas o tumor aumentou
e comprometeu o funcionamento de seus rins, bexiga e intestino. Em 2003, sem chance
de cura, Araci começou a ser tratada no setor de cuidados paliativos do
Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. "Graças aos
remédios que tenho tomado, sinto pouca dor física", diz ela. "A
dor maior é o fato de saber que eu carrego essa doença comigo, e
que não posso fazer nada para combatê-la." No dia-a-dia, tenta levar
uma vida normal em casa, ao lado do marido, dos filhos e dos netos. Não
há, contudo, como não pensar na doença e, algumas vezes,
na própria morte, ela admite. "Eu já lutei muito contra o tumor,
mas agora não tenho mais forças para isso", conta. No fim de outubro,
ela passou mal e foi internada no Inca. Durante as duas semanas em que permaneceu
hospitalizada, morreram duas pacientes internadas no mesmo quarto que ela. Araci
entrou em depressão. "Um dos meus maiores pesadelos é ter de ficar
internada. No hospital, só vejo morrer gente na mesma situação
que eu", diz ela. "Como meu caso não tem mais solução, é
muito melhor ficar em casa, que é um lugar cheio de crianças e vida."
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Paulo
Vitale
 | AULA
DE ENTUSIASMO A professora Rosemari, que mesmo
com câncer planeja longas viagens: "Ser tratada em casa faz uma grande diferença
para a qualidade de vida" |
A professora
de história paulista Rosemari de Campos Andrade, de 58 anos, solteira,
dedica a vida à sua maior paixão: viajar pelo mundo. Conhece toda
a Europa e as Américas do Norte e do Sul. Já foi ao Havaí
e à Islândia. "Conheço até a terra de Papai Noel, na
Finlândia, próximo ao Pólo Norte", orgulha-se. Em novembro
de 2003, quando fazia um safári na África do Sul, começou
a sentir uma dorzinha incômoda na região abdominal. De volta ao Brasil,
foi diagnosticado um câncer no ovário, extirpado logo em seguida.
Em 2005, o tumor voltou a se manifestar, e as sessões de quimioterapia
a que ela se submeteu começaram a perder a eficácia. Mesmo 14 quilos
mais magra, Rosemari não se deixa abater. No momento, planeja uma nova
viagem, desta vez ao Sudeste Asiático. "Sempre acredito que vou melhorar,
faz parte do meu temperamento", diz. "Mas, se por acaso não melhorar, só
não quero sofrer." Falante e simpática, a professora credita boa
parte de seu entusiasmo aos cuidados paliativos ministrados pela equipe do Hospital
do Servidor Público Estadual de São Paulo. Até mesmo procedimentos
delicados, como a paracentese, drenagem do líquido que se acumula no abdome,
são feitos em sua própria casa. "Isso faz uma grande diferença
para tudo que se relaciona à qualidade de vida", comenta Rosemari. |
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Mirian
Fichtner
 | CARINHO
DA FAMÍLIA Maria de Lourdes com o marido,
filhos e a neta: cuidados em casa |
Moradora
de Itaboraí, no estado do Rio, Maria de Lourdes Maciel da Silva, de 49
anos, tem câncer de colo de útero desde 2000. Há dois anos,
soube que não havia chance de cura. Desde então, recebe apenas tratamento
paliativo. Já no início, Maria de Lourdes rejeitou a idéia
de ser hospitalizada, sobretudo em UTI. "Como não tinha cura, eu preferi
ficar em casa, com meu marido, meus filhos e netos, a enfrentar mais um sofrimento,
que é o de ficar internada", diz ela. Maria de Lourdes superou as expectativas
dos médicos. A previsão inicial era que lhe restavam apenas alguns
meses de vida, mas já se passaram dois anos. "Tem dia que eu acordo bem,
tem dia que acordo mal. Vou vivendo até o dia em que Deus quiser", diz.
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Mirian
Fichtner
 | VIDA
QUASE NORMAL Carneiro e a mulher, Teresinha: vontade
de ajudar |
O carioca José
Carlos Carneiro, professor de 64 anos, descobriu que tinha câncer de próstata
há sete anos. Em 2003, ele foi considerado em estado terminal. Parou com
as sessões de radioterapia e foi encaminhado aos cuidados paliativos do
Inca. Aos poucos foi se sentindo melhor, começou a fazer caminhadas e voltou
a freqüentar festas e churrascos. "Minha vida hoje é praticamente
normal", diz ele. "O tumor continua lá, mas não me incomoda, e isso
é o mais importante." A gravidade da doença fez com que ele refletisse
sobre a vida. "Percebi que ajudava as pessoas menos do que eu era capaz", conta.
Não sabe quanto tempo lhe resta, mas pretende usá-lo para fazer
trabalho voluntário em hospitais. | |
Com reportagem de
Rafael Corrêa |