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Consumo O
salto do comércio justo Cresce a venda de produtos
feitos sob a etiqueta do politicamente correto  Chrystiane
Silva
Divulgação
 | | Espanha:
ONGs se empenham em promover os produtos Fair Trade |
Somente
no ano passado, consumidores de países ricos gastaram mais de 1,2 bilhão
de dólares comprando produtos cujos fabricantes comprovadamente coíbem
abusos trabalhistas e ambientais. Esses produtos levam o selo da Fairtrade Labelling
Organization (FLO), instituição internacional que certifica fabricantes
ao redor do mundo que se comprometam a cumprir regras "solidárias"
uma espécie de cartilha politicamente correta aplicada ao comércio
internacional. A idéia surgiu na década de 60, quando agências
de cooperação e organizações não-governamentais
americanas cogitaram criar uma ajuda financeira a pequenos produtores que se dispusessem
a reduzir o uso de agrotóxicos e não empregar trabalho infantil.
Depois de quase cair no esquecimento por décadas, um sistema similar foi
criado em 1986, e a moda "pegou" nos anos 90 com o surgimento de uma classe de
consumidores, nos países ricos, disposta a pagar mais na esperança
de promover a defesa do meio ambiente e dos direitos humanos em lugares distantes.
No ano passado, as vendas mundiais desse tipo de produto aumentaram 30%.
Com o crescimento desse mercado, empresas como a rede de cafeterias Starbucks
e a Dunkin' Donuts só passaram a importar café de produtores certificados.
Outras gigantes, como a Kraft, possuem várias linhas de produtos que levam
o selo do comércio justo. Calcula-se que 1 milhão de produtores
e suas famílias estejam sendo beneficiados em cinqüenta países.
Periodicamente fiscalizados, eles exportam não só produtos agrícolas
como café, chá e cacau , mas também vinhos e
artigos esportivos.
Divulgação
 | | Starbucks:
só café certificado |
No
Brasil, a implementação do sistema teve dificuldades curiosas. No
início, várias empresas americanas e européias se encantavam
com o compromisso ambiental e trabalhista dos produtores locais, mas negavam-se
a pagar-lhes o prêmio previsto no mecanismo. Além disso, muitos sindicatos
de produtores rurais diziam que o sistema de fair trade, repleto de exigências,
não passava de um instrumento dos países ricos para conter exportações
de nações em desenvolvimento. O mecanismo só foi implantado
no Brasil em 1998. Hoje reúne dezessete grupos de produtores, que exportaram,
no ano passado, 2 milhões de dólares em produtos com o selo. Um
dos casos mais bem-sucedidos é o projeto Suco Justo. Alemães e austríacos
ficaram sensibilizados com o trabalho infantil na colheita de laranja e se comprometeram
a pagar um preço igual ou maior que o definido pelo mercado e mais um prêmio
de 100 dólares por tonelada de suco vendida. O grupo de colhedores beneficiados
pertence à Associação dos Citricultores do Paraná
(Acipar). Com o dinheiro do prêmio foram criados cursos de capacitação
de colhedores, manutenção de tratores, datilografia e informática.
Vendas solidárias Exigências
do sistema de fair trade 1 Criar associações
democráticas que reúnam os produtores
2 Ser transparente na prestação de contas
3 Não discriminar nem mulheres nem índios
4 Reduzir o uso de agrotóxicos 5
Abolir o trabalho forçado 6 Não
empregar crianças 7 Criar empregos
com carteira assinada 8 Ter condições
de trabalho saudáveis e seguras
Fonte: BSD Desenvolvimento Econômico e Social (consultoria
especializada em comércio justo e responsabilidade social, empresarial
e representante da FLO no Brasil) | | |