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Brasil Menos
de 1% tem o selo verde Poucas madeireiras
têm padrão de excelência. São justamente elas
que mais sofrem com o Ibama  Leonardo
Coutinho Antonio
Milena
 | | Uma
das serrarias que fazem manejo sustentável: madeira legal em extinção
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Apenas 20% das 3.000 madeireiras
que atuam na Amazônia respeitam as leis ambientais e trabalhistas do país.
Dessas, só quinze, o equivalente a 0,5% do total, exercem sua atividade
com padrão de excelência que preenche todos os requisitos internacionais
de preservação ambiental. Não cortam árvores raras
ou jovens e respeitam um intervalo de 25 anos para explorar uma mesma área
medida que permite a regeneração da floresta. Seus empregados
dispõem de bons alojamentos, comida e escola para os filhos. Por seguirem
esses princípios, receberam o certificado Forest Stewardship Council (FSC),
um tipo de ISO 9000 das madeireiras que é conhecido como selo verde. São
empresas que deveriam ter atenção especial do governo. Deveriam.
Mas elas são as madeireiras mais penalizadas por ele.
Na semana passada, uma das quinze serrarias que tinham o selo verde, a fábrica
de compensados Gethal Amazonas, fechou as portas. Motivo? O Ibama protelou a concessão
de novas autorizações para que ela extraísse madeira da floresta
Amazônica. "Assumimos que as autorizações sairão tarde
demais", admite Antonio Carlos Hummel, diretor de florestas do Ibama. Como usa
padrão internacional de exploração, a Gethal não derrubou
árvores ilegalmente. Sobreviveu até outubro vendendo estoques. Quando
eles acabaram, demitiu seus 720 funcionários e saiu do ramo. "Quisemos
dar bom exemplo, mas o governo nos tratou como se operássemos na ilegalidade",
diz Carlos Alberto Guerreiro, o principal executivo da empresa.
Ao que tudo indica, a companhia não quebrou por ineficiência. Mesmo
seguindo as regras do selo verde, ela vinha conseguindo competir com as madeireiras
chinesas, que há cinco anos dominam o mercado mundial. Ela se mantinha
mesmo operando com margens de lucro muito baixas. O caso da Gethal não
é exceção. Neste ano, o Ibama também não concedeu
nenhuma autorização para outras sete serrarias detentoras do selo
verde, que, juntas, respondem por 90% da produção de madeira certificada
da Amazônia. A situação tende a se agravar em 2006. Depois
que a Gethal quebrou, o Ibama prometeu desengavetar as autorizações.
Mesmo que o órgão cumpra a promessa imediatamente, as madeireiras
só terão um mês para retirar da floresta toda a matéria-prima
de que precisam. Isso porque o corte é permitido apenas durante a seca,
que acaba em dezembro. Pelo menos outras duas empresas estão em situação
semelhante à da Gethal. A multinacional Precious Woods deve suspender as
atividades nesta semana, quando seus estoques terminam. Desde o ano passado, a
produção da Cikel, uma das maiores madeireiras do país, caiu
pela metade. Quatrocentos de seus 1 300 empregados foram demitidos. Como a companhia
não acumulou madeira suficiente para sobreviver em 2006, as demissões
devem continuar. Outras empresas desistiram de esperar pelo Ibama. A Orsa Florestal,
por exemplo, conseguiu na Justiça uma liminar que lhe garante o corte legal
de madeira. Assim, explora a maior área de manejo sustentado da Amazônia
graças a uma medida judicial.
O Ibama acredita que preserva a floresta quando protela a concessão de
autorizações. Mas faz o oposto. Ao impedir que empresas sérias
prosperem, o órgão abre espaço para devastadores. Hoje, 2
400 madeireiras cometem atrocidades na floresta. Desmatam, derrubam espécies
ameaçadas e usam métodos que destroem, pelo menos, metade da vegetação
da área onde atuam. Só estão em operação porque
o Ibama não tem fiscais suficientes. "Neutralizar o madeireiro que cumpre
a lei é uma maneira de favorecer o mercado ilegal, que está cada
vez mais aquecido", diz José Natalino Silva, da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), outro órgão do governo. O incentivo
à ilegalidade produziu estímulos negativos até na população
ribeirinha, que aderiu ao comércio ilegal de madeira. Ela avança
sobre a floresta sem autorização porque sabe que o governo é
incapaz de puni-la. Afirma Claudia Azevedo-Ramos, do Instituto de Pesquisa Ambiental
da Amazônia (Ipam): "O governo os ensina a sobreviver na ilegalidade".
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