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André
Petry Até petista duvida
O deputado Paulo Rubem Santiago é um petista da gema. Está filiado
ao partido há 26 anos, foi deputado estadual em Pernambuco por oito anos
e, agora, está no exercício de seu primeiro mandato como deputado
federal em Brasília. Ele acaba de acender uma luz na escuridão.
Depois de ouvir mais um depoimento do empresário Luiz Antônio Vedoin,
o maestro da orquestra dos sanguessugas, o petista pediu ao PT que abrisse uma
investigação sobre outro petista. "Se as acusações
forem comprovadas, o PT precisa expulsá-lo sumariamente, e não é
medida propagandística. O PT não pode ficar de espectador", diz
Santiago, que integra a CPI dos Sanguessugas.
Não é coisa comum. Em geral, petista acha que outro petista não
pode nem ser investigado, como se estivessem acima do bem e do mal, acima dos
mortais comuns. E o outro petista sobre quem se exige investigação
também é da gema. Chama-se José Airton Cirilo. Já
foi candidato ao governo do Ceará, já ocupou posto de comando numa
agência reguladora no governo de Lula e pertence à direção
nacional do PT. É candidato a deputado federal. E anda dizendo que, quando
Lula visitar o Ceará, pretende subir em seu palanque eleitoral sem medo
de ser feliz. Vai ser uma cena e tanto. 
Quando VEJA publicou reportagem de capa sob o título "A lista da vergonha",
com o devastador depoimento de Vedoin, ficou-se sabendo de detalhes da atuação
de Cirilo na máfia dos sanguessugas. Ele é acusado de intermediar,
junto ao Ministério da Saúde, a liberação de verba
para a compra das ambulâncias superfaturadas. No seu périplo de sanguessuga,
Cirilo é acusado de trabalhar ao lado de um assessor, José Caubi
Diniz, e de um sobrinho, Raimundo Lacerda Filho. Cirilo admite que se encontrou
algumas vezes com Vedoin, mas nega ter feito qualquer serviço e
nega com verve peremptória. Diz que a denúncia é "totalmente
fantasiosa" e que é vítima de "uma campanha sórdida".
Pode ser. Mas Vedoin entregou agora à Justiça os fac-símiles
reproduzidos neste texto. São trechos de sua planilha de controle, na qual
ele registrava cada depósito em favor do assessor Diniz e do sobrinho Lacerda.
Os depósitos não são apenas anotações, que
Vedoin poderia ter inventado. Ele exibe os comprovantes dos depósitos registrados
na planilha, o que dá ao papel uma solidez documental. Um detalhismo de
lascar. O primeiro depósito
é de 1º de abril de 2003, no valor de 35 000 reais, para o sobrinho
Lacerda. O segundo, também de 35 000 reais, saiu em 20 de abril, em favor
do assessor Diniz. A ciranda vai até 5 de dezembro de 2003, quando 20 000
reais são enviados a uma empresa do sobrinho Lacerda, a MC Lacerda. Ao
todo, a planilha lista 32 depósitos, que somam mais de 867 000 reais. Cirilo
diz que o assessor e o sobrinho usaram seu nome para roubar.
Pode ser. A boa notícia é que, desta vez, até petista duvida.
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