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Televisão
Sem compromisso
Celebridade
vai ficar na memória como
um folhetim em que só se faz sexo casual

Marcelo Carneiro
Fotos divulgação
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Os
vilões Laura e Marcos (à esq.), e Inácio
e Darlene: tirando o atraso |
Na
novela Celebridade, amor e sexo não combinam. A menos
de um mês de seu término, o folhetim da Rede Globo
registra um altíssimo nível de cenas entre os lençóis,
mas poucas delas são fruto de romances tradicionais. Para
os personagens do autor Gilberto Braga, o sexo é uma necessidade,
uma diversão ou até uma ferramenta para manipular
os outros tudo menos uma conseqüência daquele
amor infinito que costumava alimentar heróis e heroínas
de novela. Os mais libertinos são os vilões Laura
(Cláudia Abreu) e Marcos (Márcio Garcia). Além
de se divertirem entre eles, os dois pulam de cama em cama sempre
que podem tirar vantagem disso. Laura que não por
acaso tem o apelido de "Cachorra" já experimentou
do lesbianismo ao sadomasoquismo. Menos calculistas, mas também
adeptos do sexo sem compromisso, são os personagens Inácio
(Bruno Gagliasso), Darlene (Deborah Secco), Vladimir (Marcelo Faria)
e Jaqueline (Juliana Paes). Os três últimos mantêm,
desde o começo da história, um triângulo amoroso.
No momento, Vladimir e Jaqueline estão libidinosamente unidos.
Eis um diálogo típico entre os dois: "Ai, bombeirão,
nosso caso podia virar uma coisa séria de verdade", diz ela.
E ele responde: "Mas por que complicar? Isso já está
seriíssimo". Darlene e Inácio têm protagonizado
seqüências ousadas. Ela não tem certeza se já
esqueceu Vladimir, e ele é um adolescente problemático.
Ainda assim, os dois vão tirando o atraso na cama
enquanto decidem o que querem da vida. O curioso é que, sim,
há casais apaixonados, como Fernando (Marcos Palmeira) e
Maria Clara (Malu Mader), Nelito (Taumaturgo Ferreira) e Eliete
(Isabela Garcia). Mas esses fazem pouco ou nenhum
sexo.
O
tratamento do sexo passou por várias fases na teledramaturgia
do horário nobre. Em 1977, a Globo suspendeu Despedida
de Casado, de Walter George Durst, quando as chamadas para a
novela já estavam no ar. Tudo porque a sinopse mostrava uma
heroína (Regina Duarte) que, ao se separar, buscava os prazeres
da vida de solteira. "Por muito tempo, a mulher que fazia sexo era
a prostituta ou a mocinha que era seduzida, ficava grávida
e depois abandonada como punição", diz o especialista
em novelas Mauro Alencar. Com o tempo, o sexo foi ganhando espaço,
mas ainda se mantinha dentro de um contexto clássico, em
que herói e mocinha trocavam carinhos durante dezenas de
capítulos e só então iam para a cama. O sexo
sem compromisso ficava restrito a um ou outro personagem, normalmente
cômico. Gilberto Braga inverteu a equação. Pode
até ser que o autor se mostre um romântico de última
hora e inunde o final da novela com casais fogosos e comprometidos.
Mas Celebridade vai ficar na memória por sua visão
desapaixonada e até cínica da vida de
alcova de seus personagens.
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