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Televisão
Confusão
do além
O
núcleo de Da Cor do Pecado que não
tem nada a ver com a lógica ou com
o resto da novela

Ricardo
Valladares
Divulgação
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| Vanessa
e Matheus, possuídos: ele vai virar um "cortiço
de espíritos" |
No
mundinho fechado de uma novela, todas as tramas costumam ser interligadas.
De alguma maneira, o suburbano se encontra com o milionário
e o personagem cômico contracena com o trágico. Mas
em Da Cor do Pecado, que a Globo exibe às 7 da noite,
observa-se uma situação curiosa: um núcleo
totalmente isolado do restante da história. Trata-se do grupo
de médiuns e picaretas formado por Helinho (Matheus Nachtergaele),
Tancinha (Vanessa Gerbelli), Pai Gaudêncio (Francisco Cuoco)
e Cesinha (Arlindo Lopes). Enquanto a parte principal da trama acontece
no Rio de Janeiro, eles vivem no Maranhão, onde passam por
situações absurdas relacionadas com espíritos
e assombrações. "No começo esses personagens
estavam integrados ao enredo principal. Eu posso trazê-los
de volta, mas por enquanto está ótimo assim. É
a parte da novela em que eu mais me divirto ao escrever, porque
não tenho compromisso nenhum com o realismo e a coerência",
diz o autor, João Emanuel Carneiro. E bem que Carneiro está
precisando de diversão. Da Cor do Pecado é
sua primeira novela, e o trabalho está deixando-o tão
tenso que na semana passada ele quebrou um dente molar durante o
sono, de tanto apertar os maxilares.
Além
de relaxar o autor, o núcleo dos espíritos desempenha
um papel na equação que tem tornado Da Cor do Pecado
um sucesso extraordinário para o seu horário,
com média de audiência que chega aos 50 pontos. A sensual
Vanessa Gerbelli atrai o público masculino, e o humor espalhafatoso
das aventuras sobrenaturais atrai crianças e os espectadores
das classes C e D. No começo da novela, os personagens de
Francisco Cuoco e Matheus Nachtergaele davam a impressão
de que seriam apenas trambiqueiros. O primeiro se apresentava como
chefe de um conselho de bruxos que se concentra em obter um "DDD
com o além". Helinho fingia ter dons mediúnicos para
arrancar alguns trocados e beijinhos de viúvas ricas. A certa
altura, porém, Helinho passou a incorporar realmente espíritos,
e agora não tem o menor controle sobre eles. Depois surgiu
a personagem Tancinha. Logo virá à tona que ela é
um defunto, que anda por aí porque almas penadas gostam de
se apoderar de seu corpão.
Na
próxima semana, Matheus Nachtergaele vai gravar uma cena
em que terá de mudar de identidade treze vezes. Esse momento,
em que um batalhão de espíritos vai se manifestar
ao mesmo tempo, está sendo chamado de "operação
cortiço". O cortiço é o corpo de Helinho
e os inquilinos, é claro, são os mortos. Embora faça
um papel cômico, Matheus leva a sério o espiritismo
e o candomblé. Ele pratica essa última religião,
só usa roupa branca às sextas-feiras e é filho
de Oxalá. Para interpretar Helinho, ele pediu a bênção
de seu pai-de-santo. "Mesmo assim, recebi algumas ligações
de gente que dizia que eu estava desrespeitando os espíritos",
conta ele. Por desencargo de consciência, Matheus diz que
encomendou um ritual para os orixás. É isso aí,
misi fiu.
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