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Tecnologia
A
febre das fotos
Mais
barata, a câmera digital
conquista todo tipo de público

Marlene
Jaggi
Claudio Rossi
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| Vinicius,
de 3 anos, já usa a máquina que ganhou do pai, o aficionado
Souza |
Agora
que praticamente todo mundo já tem celular, um novo brinquedinho
tomou seu lugar como objeto que todas as pessoas, de todas as idades,
têm de ter: a máquina fotográfica digital (inclusive,
às vezes, acoplada ao onipresente celular). Os números
nacionais de vendas mostram o fenômeno que elas se tornaram.
Em 2001, foram vendidas aqui 30.000 digitais; em 2003, o total disparou
para 250.000 (quatro vezes mais que em 2002); neste ano, prevê-se
que bata em 400.000 unidades. "A câmera digital dá
um ar tecnológico que as pessoas adoram. Confere status,
glamour e, com isso, vem atraindo a atenção de quem
morria de vergonha de sair por aí com uma máquina
fotográfica a tiracolo principalmente homens e adolescentes",
avalia Edmundo Salgado, diretor da Abimfi, sigla da Associação
Brasileira da Indústria de Material Fotográfico e
de Imagem. Segundo ele, esse aumento de procura estimulou investimentos
e segurou preços. Os modelos mais populares custam hoje entre
600 e 800 reais. Uma câmera de 3.2 megapixels (medida da qualidade
da foto) sai pelo mesmo preço, cerca de 1.000 reais, que
se pagava há dois anos por uma bem menos sofisticada. Cada
cópia impressa custa quase a metade dos 2 reais iniciais.
Outra
parte do sucesso das câmeras digitais está na facilidade
de manuseio. Não é preciso se preocupar com o foco
nem em comprar o filme certo. É apontar, enquadrar (mantê-la
longe do olho neste momento é mais charmoso), clicar e ver
como ficou este, o primeiro comando que o usuário
aprende a dominar, sendo o segundo o que apaga as fotos indesejáveis.
Vinicius tem 3 anos e sabe fazer tudo isso. Tem a quem puxar: seu
pai, Marcelo Ferreira de Souza, aficionado da tecnologia, armazena
imagens digitais desde 1996, quando era um dos poucos no Brasil
a possuir uma câmera não analógica. Na época,
tinha uma Casio de 0.1 megapixel, com a qual registrou 1.500 fotos
de Vinicius antes dos 2 meses de idade. De lá para cá,
Souza já teve dez modelos e acumulou um vasto número
de "álbuns" em DVD. Fácil de usar à primeira
vista, a câmera digital exige, no entanto, alguma desenvoltura
com aparelhos eletrônicos, o que pega de surpresa compradores
mais afoitos. O cearense Manoel Timbó, 37 anos, caixa há
21 anos da tradicional Padaria Ipanema, no Rio de Janeiro, comprou
a sua uma Sony de 3.2 megapixels há dois meses
e penou um pouco até dominar os botões, pedindo aulas
a fregueses e amigos. Agora, considera-se craque só
tem dez fotos impressas, mas guarda muitas outras na memória
do computador, que envia por e-mail a conterrâneos em Santa
Quitéria, a 3.000 quilômetros de distância. "Paguei
caro, mas não me arrependo. Se a foto não ficar boa,
é só apagar e fazer de novo", diz.
Mais
minuciosa no aprendizado e muito mais ambiciosa no resultado final,
a universitária paulista Jacqueline Bagdade, 19 anos, aprendeu
sozinha a manipular a câmera que ganhou do pai no Natal. "Nem
o manual nem o atendente do laboratório ajudaram", reclama
ela, que agora se dedica a dominar a técnica de editar as
fotos e usar recursos como os efeitos em sépia e negativo.
Já armazena centenas de imagens de viagens, mas seu maior
prazer é mesmo registrar as expressões de "Rudolph",
seu cãozinho maltês de 10 meses. Depois de tanto trabalho,
a maioria dos fotógrafos digitais amadores guarda tudo mesmo
no computador (há sites especializados nisso) ou em discos.
"A impressão ainda é um serviço muito caro",
reclama a paulista Cristina Pastore, 65 anos, que bateu centenas
de fotos do primeiro neto com sua digital. "Acho todas lindíssimas,
mas, se for imprimir todas, vou gastar muito." As queixas em relação
ao preço têm um gostinho, compreensível, de
saudosismo: por mais que seja prático arquivar fotos em computador,
os velhos álbuns de fotografia ainda têm a vantagem
do acesso fácil, sem contar o valor sentimental.
O
futuro da fotografia digital é se expandir cada vez mais,
pelos muitos usos a que se presta. Entre eles, as novas vertentes
de invasão de privacidade, como as fotos indiscretas tiradas
por celular de garotas distraídas. No Iraque ocupado, o Exército
americano proibiu recentemente o uso de fotos por celular, ainda
sob o efeito das imagens infames das torturas na prisão de
Abu Ghraib. Os recursos se multiplicam e, na maioria das
vezes, são apenas inocentes. Marcelo de Souza, por exemplo,
foi com a família ao pediatra recentemente e, mal se instalou
na sala de espera, fotografou o grupo com a câmera do celular
e mandou a imagem por e-mail para o médico. A notícia
de que já haviam chegado alcançou o computador dele
antes do aviso da recepcionista.
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As
preferidas
Câmeras
digitais mais vendidas no último ano
Fotos divulgação
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POWERSHOT
A300
DA CANON
Com
3.2 megapixels
1
299 reais
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CYBERSHOT
DSC P32
DA SONY
Com
3.2 megapixels
1
299 reais |
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EASYSHARE
CX6200
DA
KODAK
Com
2.0 megapixels
799
reais
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D-390
DA
OLYMPUS
Com
2.0 megapixels
999 reais |
Fonte:
Fabricantes
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