Edição 1857 . 9 de junho de 2004

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Tecnologia
A febre das fotos

Mais barata, a câmera digital
conquista todo tipo de público


Marlene Jaggi

 
Claudio Rossi
Vinicius, de 3 anos, já usa a máquina que ganhou do pai, o aficionado Souza

Agora que praticamente todo mundo já tem celular, um novo brinquedinho tomou seu lugar como objeto que todas as pessoas, de todas as idades, têm de ter: a máquina fotográfica digital (inclusive, às vezes, acoplada ao onipresente celular). Os números nacionais de vendas mostram o fenômeno que elas se tornaram. Em 2001, foram vendidas aqui 30.000 digitais; em 2003, o total disparou para 250.000 (quatro vezes mais que em 2002); neste ano, prevê-se que bata em 400.000 unidades. "A câmera digital dá um ar tecnológico que as pessoas adoram. Confere status, glamour e, com isso, vem atraindo a atenção de quem morria de vergonha de sair por aí com uma máquina fotográfica a tiracolo – principalmente homens e adolescentes", avalia Edmundo Salgado, diretor da Abimfi, sigla da Associação Brasileira da Indústria de Material Fotográfico e de Imagem. Segundo ele, esse aumento de procura estimulou investimentos e segurou preços. Os modelos mais populares custam hoje entre 600 e 800 reais. Uma câmera de 3.2 megapixels (medida da qualidade da foto) sai pelo mesmo preço, cerca de 1.000 reais, que se pagava há dois anos por uma bem menos sofisticada. Cada cópia impressa custa quase a metade dos 2 reais iniciais.

Outra parte do sucesso das câmeras digitais está na facilidade de manuseio. Não é preciso se preocupar com o foco nem em comprar o filme certo. É apontar, enquadrar (mantê-la longe do olho neste momento é mais charmoso), clicar e ver como ficou – este, o primeiro comando que o usuário aprende a dominar, sendo o segundo o que apaga as fotos indesejáveis. Vinicius tem 3 anos e sabe fazer tudo isso. Tem a quem puxar: seu pai, Marcelo Ferreira de Souza, aficionado da tecnologia, armazena imagens digitais desde 1996, quando era um dos poucos no Brasil a possuir uma câmera não analógica. Na época, tinha uma Casio de 0.1 megapixel, com a qual registrou 1.500 fotos de Vinicius antes dos 2 meses de idade. De lá para cá, Souza já teve dez modelos e acumulou um vasto número de "álbuns" em DVD. Fácil de usar à primeira vista, a câmera digital exige, no entanto, alguma desenvoltura com aparelhos eletrônicos, o que pega de surpresa compradores mais afoitos. O cearense Manoel Timbó, 37 anos, caixa há 21 anos da tradicional Padaria Ipanema, no Rio de Janeiro, comprou a sua – uma Sony de 3.2 megapixels – há dois meses e penou um pouco até dominar os botões, pedindo aulas a fregueses e amigos. Agora, considera-se craque – só tem dez fotos impressas, mas guarda muitas outras na memória do computador, que envia por e-mail a conterrâneos em Santa Quitéria, a 3.000 quilômetros de distância. "Paguei caro, mas não me arrependo. Se a foto não ficar boa, é só apagar e fazer de novo", diz.

Mais minuciosa no aprendizado e muito mais ambiciosa no resultado final, a universitária paulista Jacqueline Bagdade, 19 anos, aprendeu sozinha a manipular a câmera que ganhou do pai no Natal. "Nem o manual nem o atendente do laboratório ajudaram", reclama ela, que agora se dedica a dominar a técnica de editar as fotos e usar recursos como os efeitos em sépia e negativo. Já armazena centenas de imagens de viagens, mas seu maior prazer é mesmo registrar as expressões de "Rudolph", seu cãozinho maltês de 10 meses. Depois de tanto trabalho, a maioria dos fotógrafos digitais amadores guarda tudo mesmo no computador (há sites especializados nisso) ou em discos. "A impressão ainda é um serviço muito caro", reclama a paulista Cristina Pastore, 65 anos, que bateu centenas de fotos do primeiro neto com sua digital. "Acho todas lindíssimas, mas, se for imprimir todas, vou gastar muito." As queixas em relação ao preço têm um gostinho, compreensível, de saudosismo: por mais que seja prático arquivar fotos em computador, os velhos álbuns de fotografia ainda têm a vantagem do acesso fácil, sem contar o valor sentimental.

O futuro da fotografia digital é se expandir cada vez mais, pelos muitos usos a que se presta. Entre eles, as novas vertentes de invasão de privacidade, como as fotos indiscretas tiradas por celular de garotas distraídas. No Iraque ocupado, o Exército americano proibiu recentemente o uso de fotos por celular, ainda sob o efeito das imagens infames das torturas na prisão de Abu Ghraib. Os recursos se multiplicam – e, na maioria das vezes, são apenas inocentes. Marcelo de Souza, por exemplo, foi com a família ao pediatra recentemente e, mal se instalou na sala de espera, fotografou o grupo com a câmera do celular e mandou a imagem por e-mail para o médico. A notícia de que já haviam chegado alcançou o computador dele antes do aviso da recepcionista.

 

As preferidas

Câmeras digitais mais vendidas no último ano

 
Fotos divulgação

POWERSHOT A300
DA CANON
Com 3.2 megapixels
1 299 reais

CYBERSHOT DSC P32
DA SONY
Com 3.2 megapixels
1 299 reais

EASYSHARE CX6200
DA KODAK
Com 2.0 megapixels
799 reais

D-390 DA OLYMPUS
Com 2.0 megapixels
999 reais

Fonte: Fabricantes

 

 
 
 
 
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