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Automóveis
Outro
herói capitalista
Seu
nome é Luca di
Montezemolo.
Sua
missão: fazer com que a Fiat
saia
do buraco
O
capitalismo italiano está atravessando um momento de pesadas
turbulências. Pipocam escândalos envolvendo grupos gigantescos,
como a Parmalat e a Cirio, e não faltam empresas que perderam
a aura de solidez caso da Fiat, orgulho peninsular e responsável
por 5% do produto interno bruto da Itália. Mas, se há
uma razão para otimismo, é que nessas horas, não
importa a latitude, costumam emergir os homens com talento para
salvadores da pátria. O bolonhês Luca Cordero di Montezemolo
é um desses heróis de que a história capitalista
está cheia. Aos 56 anos, advogado com curso de direito comercial
pela Universidade Columbia, ele foi escolhido para suceder Umberto
Agnelli, que morreu de câncer no mês passado, na presidência
da problemática Fiat, justamente.
Em
mais de trinta anos de carreira no maior grupo italiano, Montezemolo
galgou posições que o tornaram íntimo da família
Agnelli, que controla a Fiat. Foi ele quem reergueu a Ferrari a
partir de 1991. Contratou o alemão Michael Schumacher e conseguiu,
assim, que um piloto da Ferrari ganhasse um campeonato de Fórmula
1 depois de 21 anos de seca. De quebra, fez com que o faturamento
com a venda de carros da marca aumentasse cinco vezes. Montezemolo
já era uma figura famosa mesmo antes de levantar a Ferrari.
Foi vice-presidente do clube turinês Juventus, que também
pertence à família Agnelli, e um dos organizadores
da Copa do Mundo de 1990.
O
novo número 1 da Fiat é um fanático pelo trabalho
em equipe. Uma de suas frases mais repetidas é de que não
há show de uma estrela só. Montezemolo também
é conhecido por ser detalhista ao extremo. "Antes de decidir
pela contratação de Rubens Barrichello, ele me ligou
várias vezes ao longo de seis meses, para fazer perguntas
sobre aspectos diversos, como o comportamento do piloto na noite
paulistana e a sua família", diz Piero Gancia, representante
da Ferrari no Brasil, que conhece o novo presidente do Grupo Fiat
desde os anos 70. Em março, Montezemolo chegou à presidência
da Confederação das Indústrias da Itália
(Confindustria), a mais importante organização patronal
do país. À frente da Fiat, ele terá um desafio
portentoso. Os bancos e os concorrentes têm sérias
dúvidas sobre o futuro do grupo. A divisão de automóveis,
que era a segunda maior da Europa em vendas no começo dos
anos 90, atrás apenas da Volkswagen, hoje é a quarta.
Trabalha no vermelho há anos. Falta capital para investir
e para competir com as outras grandes montadoras. A herança
boa é que o processo de profunda reestruturação
levado adiante por Giuseppe Morchio, presidente executivo que foi
embora logo depois da indicação de Montezemolo, vinha
dando resultados positivos. Tanto que o novo presidente do grupo
disse que pretende continuá-lo.
Caso
a Fiat não saia do buraco, um empréstimo de 3,66 bilhões
de dólares de bancos italianos poderá ser convertido
em ações em 2005. Se isso ocorrer, é praticamente
certo que a família Agnelli perderá o controle da
empresa. A General Motors, que detinha 20% das ações
da Fiat e agora conta com 10%, também está na corrida
pelo domínio acionário, na eventualidade de o clã
perder a participação que tem. Quando a transação
com a GM ocorreu, em 2000, a Fiat acordou que, na hipótese
de ela ser vendida, a montadora americana teria preferência
para adquirir um volume de ações suficiente para torná-la
controladora do grupo.
Montezemolo
contratou para o lugar de Morchio o executivo Sergio Marchionne,
sem experiência na indústria automobilística,
mas que é tido como especialista em sanear empresas. O anúncio
da contratação de Marchionne fez com que as ações
da Fiat subissem. "O mais importante foi a velocidade com que as
nomeações foram feitas e os sinais de que o plano
de reestruturação seria seguido", diz Rubens Carvalho,
presidente da Associação Brasileira dos Concessionários
de Automóveis Fiat (Abracaf). No Brasil, o segundo mercado
da Fiat no mundo, depois da própria Itália, a luta
é bastante renhida. O objetivo imediato da subsidiária
é diminuir o prejuízo de 284,5 milhões de reais
de 2003.
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