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Internacional
Agora
é no voto
A
oposição venezuelana consegue aprovar
plebiscito que pode tirar Chávez do poder

José
Eduardo Barella
Reuters
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AP
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Chávez: derrotado por um abaixo-assinado |
Venezuelanos
comemoram a vitória no abaixo-assinado: o impasse político que
paralisa o país será decidido nas urnas |
Quando
reescreveu a Constituição da Venezuela para aumentar
o próprio poder, o presidente Hugo Chávez incluiu
a possibilidade de a população convocar, por meio
de abaixo-assinados, plebiscitos para desalojar qualquer funcionário
público e até abreviar o mandato do próprio
presidente. Esse mecanismo, igual ao que permitiu a eleição
de Arnold Schwarzenegger na Califórnia, acabou por ser usado
contra seu criador. Na semana passada, a Justiça Eleitoral
venezuelana confirmou que a oposição conseguiu reunir
assinaturas em quantidade suficiente para tentar abreviar o mandato
do presidente. Pelos prazos legais, o referendo deverá ser
realizado em 8 de agosto. Se Chávez perder, serão
convocadas novas eleições presidenciais num prazo
de trinta dias. Milhares de venezuelanos saíram às
ruas para comemorar o resultado. Outros tantos, favoráveis
ao governo, reagiram incendiando carros e disparando tiros contra
o gabinete do prefeito de Caracas, o oposicionista Alfredo Peña.
Com
o plebiscito, abre-se a perspectiva de uma solução
constitucional para o impasse político que se agravou nos
últimos dois anos. As pesquisas indicam que Chávez
pode ser derrotado, mas ele ainda tem vários trunfos na manga.
Um deles é a possibilidade de se candidatar novamente a presidente.
A Constituição é omissa em relação
a essa possibilidade, e a Corte Suprema, que ainda não deu
um parecer sobre o tema, tem a maioria dos juízes nomeada
por Chávez. Além disso, se conseguir protelar a realização
do plebiscito para depois de 19 de agosto, quando já tiver
decorrido mais de dois terços do seu mandato, quem assume
o poder em caso de derrota do presidente é o vice. Nesse
caso, Chávez poderia concorrer novamente em 2006.
O
abaixo-assinado representou a maior vitória da oposição
desde que o presidente assumiu o poder, em 1998. Nestes seis anos,
Chávez usou sua popularidade para convocar e vencer seis
plebiscitos, prolongar o próprio mandato e reescrever a Constituição.
Ele ainda sobreviveu a um golpe militar. Nos últimos dois
anos, a oposição convocou quatro greves gerais pedindo
sua renúncia. Até a produção de petróleo
(a Venezuela é o quinto maior produtor mundial) foi temporariamente
suspensa. A derrota de Chavez afetaria também Fidel Castro,
a quem o venezuelano fornece petróleo quase de graça.
Em troca, Fidel mantém assessores militares na Venezuela.
"Ambos sabem que uma eleição livre na Venezuela pode
matar dois pássaros com uma só pedrada", escreveu
em artigo Diego Arria, ex-embaixador venezuelano na ONU.
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