Edição 1857 . 9 de junho de 2004

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Saúde
O implante vapt-vupt

Técnica restaura dente em um mês,
mas só é indicada em alguns casos

 
Leo Feltran
Tatilanne e seus dentistas: implante com função e estética em quatro horas

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Uma nova técnica vem ganhando adeptos nos consultórios de dentistas no Brasil: o chamado implante de carga imediata. Ou, no popular, um tratamento vapt-vupt, que permite ao paciente submeter-se a todas as etapas do processo numa única consulta – e sair dela já com os dentes prontinhos para ser usados. O procedimento não é exatamente uma novidade (chegou ao Brasil há cerca de quatro anos), mas só agora começa a ser usado com mais freqüência e tem incendiado o debate dos profissionais dos consultórios. Não se trata de nenhum milagre que aposenta de vez o implante tradicional, que leva até oito meses para conseguir o resultado definitivo. O tratamento imediato só é recomendado para dois tipos de paciente: aquele que perdeu um dos dentes da frente e tem estrutura óssea suficientemente preservada e o que precisa substituir todos os dentes da arcada inferior – caso em que a prótese inteira é fixada por meio de quatro implantes. Nas demais situações, a melhor indicação ainda é o método convencional.

A maior vantagem do novo procedimento é que ele encurta a duração da parte mais incômoda do processo. Pelo sistema tradicional, o paciente primeiro faz a cirurgia para implantação no osso da raiz artificial, um pino de titânio. Em seguida, é preciso esperar até seis meses para o pino integrar-se ao osso. Por fim, volta ao consultório para uma nova incisão e a colocação do chamado "pilar externo", peça que é rosqueada ao pino para sustentar o novo dente. No implante de carga imediata tudo isso acontece num só dia. Em alguns casos, é possível sair já com o dente definitivo. Em outros, com um provisório, que será substituído pela coroa definitiva cerca de um mês depois.

Esse ganho de tempo surgiu de estudos do próprio Per Ingvar Bränemark, o sueco que criou, há quarenta anos, o "protocolo" para implantes dentários e é hoje radicado no Brasil. Há dez anos, ele iniciou pesquisas para encurtar e simplificar o processo e chegou à conclusão de que, em alguns casos, não seria necessário esperar tanto, e os movimentos da mastigação poderiam até estimular a integração do pino ao osso. "Hoje, a carga imediata é comum em vários consultórios", afirma o cirurgião-dentista José Marcio Leite do Amaral, professor dos cursos de pós-graduação em implantodontia da Universidade Metropolitana de Santos e do Senac-SP e um dos primeiros a aderir à nova técnica: já ofereceu o tratamento a 120 pacientes. A estudante Tatilanne Gonçalves de Santos, 21 anos, implantou dois dentes frontais superiores que não haviam nascido naturalmente. "Tive de fazer um tratamento ortodôntico de quatro anos para criar os espaços. A colocação dos pinos levou apenas quatro horas", conta ela. Os dentes definitivos de Tatilanne foram construídos sobre pilares de zircônia, material que favorece o resultado estético, diz o professor de dentística Paulo Kano. Por ser novidade, o implante de carga imediata é visto com cautela, embora as chances de sucesso nos dois casos sejam as mesmas: 97%. Os preços também não variam. Em qualquer tipo de tratamento, pagam-se entre 1.000 e 2.000 reais pelo implante de cada pino e mais 1.000 a 3.000 reais por coroa definitiva.

 
 
 
 
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