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Ministério
Vampiros no gabinete
Com
dois homens de confiança acusados de
corrupção, o ministro da Saúde, Humberto
Costa, fica em situação delicada
Ed Ferreira/AE
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Sérgio Tomisaki/Ag. O Globo
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| Luiz
Cláudio Gomes da Silva (à esq.) e Reginaldo
Muniz: Costa os trouxe do Recife para ocuparem cargos importantes
em Brasília |
Quando
a Operação Vampiro estourou, no mês passado,
prendendo dezessete lobistas, empresários e funcionários
públicos envolvidos em fraudes nas licitações
do Ministério da Saúde, pareceu que o caso seria estritamente
policial. Os acusados eram todos desconhecidos, gente que não
constava sequer do segundo escalão no organograma do ministério.
Cada vez mais, contudo, o caso ganha a dimensão de um escândalo
político que deixa em situação delicada o próprio
ministro da Saúde, Humberto Costa. Não há,
até agora, sinais de que ele tenha ligação
direta com as ilegalidades. Mas as investigações da
Polícia Federal apontam o envolvimento de dois de seus homens
de confiança nas falcatruas: Luiz Cláudio Gomes da
Silva, que comandava as compras do ministério, e Reginaldo
Muniz, que dirigia a Fundação Nacional de Saúde.
Ambos são velhos conhecidos de Costa e foram trazidos por
ele do Recife, sua base política, para os cargos de destaque
que ocupavam. "Foi uma surpresa tremenda, uma decepção",
repetia Humberto Costa pela enésima vez na semana passada,
em seu gabinete. É preciso uma dose elefantina de complacência
para aceitar de um ministro uma justificativa desse tipo. Um homem
público que detém um posto tão elevado deve,
sim, ser julgado no plano político por sua capacidade de
cercar-se de assessores competentes e mais ainda honestos.
Sérgio Dutti/AE
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| Humberto
Costa: "O presidente me apóia. Disse que às
vezes até um pai se engana com o filho"
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Humberto Costa tem gasto muita energia na tentativa de conter os
danos causados pelo escândalo. Mostra bastante cansaço,
mas garante que está firme no cargo. "O presidente me apóia.
Disse que isso acontece, e que às vezes até um pai
se engana com o filho", afirma. Se Lula está disposto a ser
uma mãe para o correligionário, de quem é amigo
desde a fundação do PT, o mesmo não ocorre
em outras esferas. A idéia de que Humberto Costa deveria
afastar-se do Ministério da Saúde ganha força
em Brasília. "Os fatos são de alta gravidade. Não
estou pedindo a cabeça do ministro, mas será extremamente
comprometedor para o governo mantê-lo na equipe", afirma Jefferson
Péres, líder do PDT no Senado. Mesmo dentro do PT
há pressões semelhantes. "Com esses homens de confiança
envolvidos no escândalo, das duas uma: ou ele sabia o que
estava acontecendo ou não tem controle de sua pasta", diz
um petista que é próximo de Lula e de José
Dirceu. Para completar a confusão em torno de Costa, seus
adversários na política de Pernambuco relembraram
um caso em que a Secretaria da Saúde do Recife, comandada
por ele de 2001 a meados de 2002, fez quatro contratos sem licitação
no valor de 3,2 milhões de reais com empresas prestadoras
de serviço que depois foram doadoras de sua campanha ao governo
estadual, em 2002. Na gerência dos contratos estava Luiz Cláudio
Gomes da Silva o homem de confiança do ministro que
a PF encarcerou em 19 de maio. Nesse caso, Humberto Costa tem a
seu favor a aprovação dada pelo Tribunal de Contas
do Estado aos negócios e o fato de as doações
terem sido declaradas em sua documentação de campanha.
Não
bastassem os apuros do ministro da Saúde, outro petista graúdo
enredou-se no baile dos vampiros na semana passada. Trata-se do
tesoureiro da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002,
Delúbio Soares. O nome de Delúbio surgiu nas investigações
a partir do depoimento do empresário Francisco Danúbio
Honorato, que foi preso. Honorato declarou à Polícia
Federal e ao Ministério Público ter ouvido comentários
de que o lobista Laerte Corrêa Júnior, um dos integrantes
da quadrilha, conhecido como "Gordo", tinha o aval de Delúbio
para pedir dinheiro às empresas farmacêuticas e representar
os interesses dessas no Ministério da Saúde. Todo
lobista costuma espalhar que possui uma influência maior do
que a que detém de verdade. Mas Laerte Corrêa Júnior
foi justamente o lobista que intermediou as doações
das empresas farmacêuticas para a campanha presidencial do
PT no segundo turno, quando Lula já estava praticamente eleito.
Ao saber do conteúdo do depoimento, Delúbio Soares
confirmou ter feito reuniões com o Gordo. Disse que ele fora
indicado pelas indústrias farmacêuticas e que, depois
da eleição, foi à sede do PT algumas vezes,
supostamente para filiar algumas pessoas ao partido. Segundo Delúbio,
a ação de Laerte rendeu à campanha presidencial
1,5 milhão de reais em doações de empresas
farmacêuticas. Menos da metade, 700.000
reais, aparece na prestação de contas oficial da campanha.
"Ninguém está autorizado a falar nem a intermediar
interesses em nome do PT ou em meu nome. Nossos advogados vão
processar todos os que disserem coisas inverídicas. Não
vamos deixar barato", declarou Delúbio na semana passada.
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