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Lavação
de roupa
Sai na íntegra
a histórica entrevista
que John Lennon deu para a
revista Rolling Stone

Sérgio
Martins
Em 8 de dezembro
de 1970, Jann Wenner, editor da revista Rolling Stone, entrevistou
o casal John Lennon e Yoko Ono. O que seria mais uma surrada conversa
sobre o processo de criação do novo disco John tinha
acabado de gravar Plastic Ono Band se transformou num momento
histórico do jornalismo musical. Pela primeira vez um artista consagrado
abria o jogo sobre drogas, sexo e, principalmente, seus problemas com
parceiros de trabalho e desafetos. Publicada nas edições
de janeiro e fevereiro de 1971 da Rolling Stone, a íntegra
dessa entrevista aparece no livro Lembranças de Lennon (tradução
de Márcio Grillo; Conrad Editora; 155 páginas; 19,80 reais).
Wenner teve
a sorte de encontrar Lennon num momento delicado. O cantor ainda não
se tinha recuperado da dissolução dos Beatles, oito meses
antes, e dera para seguir a terapia do "grito primal" que consistia
em fazer o paciente berrar e pôr para fora os seus sentimentos.
Por causa dessa combinação de fatores, Wenner presenciou
uma lavação de roupa suja sem precedentes. Lennon minimiza
a importância dos Beatles e os chama de "vendidos", tolos e egoístas.
Reclama, ressentido, que durante anos o quarteto foi obrigado a esconder
sua predileção por rock e experiências com drogas
para parecer um grupo de rapazes bem-comportados. A situação
se tornou insuportável quando, no auge da fama, os Beatles ganharam
ares de semideuses. Eram visitados por cegos e aleijados em busca de cura
após os shows, e muitas vezes tinham de acordar tarde da noite
porque alguma autoridade local insistia em cumprimentá-los. "Era
preciso se humilhar para ser um beatle", desabafa Lennon.
É
lógico que todos esses ataques não foram gratuitos. O cantor
viu na entrevista uma bela chance de definir sua imagem de "artista rebelde",
em contraposição à felicidade burguesa do ex-amigo
Paul. Muitas das idéias defendidas por John também cairiam
por terra. Ele acreditava, por exemplo, que Yoko Ono era uma excelente
cantora, quando, na verdade, ela só sabia gritar mais do que um
hamster sob tortura. E Allen Klein, empresário que Lennon achava
ser melhor para os Beatles, dilapidou boa parte das economias do cantor.
Mesmo assim, Lembranças de Lennon entra para a história
como um dos relatos mais sinceros do cotidiano de um artista pop.
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