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Funk
com ficha
Cerol
na Mão, o grande sucesso
do grupo Bonde
do Tigrão, usa
gírias de traficantes
Sérgio
Martins
Rodrigo Queiroz
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| Marcos,
o autor: ele foi preso por dirigir um carro roubado |
Um dos hits do verão passado, a música Cerol na Mão
(aquela dos versos "Quer dançar, quer dançar / O Tigrão
vai te ensinar...") catapultou a carreira do quarteto Bonde do Tigrão.
A canção chegou a ser executada vinte vezes por dia nas
principais rádios do país e ajudou a vender 300.000 cópias
do CD de estréia do grupo, formado por quatro adolescentes da Cidade
de Deus, Zona Oeste do Rio. A gíria popularizada por esse funk
tem origem na linguagem de criminosos cariocas (veja
quadro). O que pouca gente sabe é que Marcos Cordeiro Alves,
de 41 anos, pai do dançarino Tiago, integrante do Bonde do Tigrão,
e um dos autores da letra, tem ficha na polícia. Ele foi preso
em abril de 1999 por dirigir um automóvel Fiat roubado e enfrenta
processos na Justiça por causa do delito. "Foi tudo um mal-entendido",
justifica Marcos. "O carro era de um amigo e eu esqueci os documentos."
Marcos "Tigrão" e o funk carioca parecem mesmo ter tudo a ver.
O gênero existe desde os anos 80, e teve seu primeiro momento de
popularidade no início da década passada, quando chegou
a atrair um público de classe média. Logo, contudo, o gênero
minguou nas paradas. A solução foi fazer bailes financiados
pelo narcotráfico, como explica Fátima Cecchetto, antropóloga
da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. São dessa época,
meados dos anos 90, os "proibidões", raps cujas letras elogiavam
organizações criminosas, e bailes que promoviam o "corredor
da morte" -- espécie de ritual em que gangues rivais se espancavam.
Hoje, outra vez na moda (que está acabando, ora viva), o funk encobre
a apologia do crime com letras que exploram o sexo. Sem perceber o que
ocorre, artistas e antropólogos saem em sua defesa. Dizem que o
samba também foi discriminado até se firmar. Pura balela.
Mesmo em seus piores momentos, as letras do samba não atingiram
a indigência e a promiscuidade observadas no funk. O que existe
é uma glamourização da bandidagem.
|
A
LÍNGUA DO "F"
A origem de algumas expressões popularizadas
pelo funk carioca
| Expressão |
Significado
popular |
Significado
original |
|
Bonde
|
Grupo
de amigos que vai a um baile funk |
Comboio
de drogas e armas
entre os morros
|
| Passar
cerol |
Preparar-se
para o sexo |
Matar
|
| Pichadão |
Rapaz
sem graça |
Sujeito
marcado para morrer |
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Dos
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"Engravidei do trenzinho" |
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Reportagem de VEJA, de 28/03/2001, mostra que a promiscuidade
nos bailes funk é preocupante |
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