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Minha casa,
meu trabalho
Os escritórios
residenciais
conquistam seu espaço
e ganham mais estilo

Maurício
Oliveira
Mario Rodrigues

A decoradora
Brunete Fraccaroli: ambiente de loft feito em galpão de fábrica
herdado do pai |
Antes, bastavam
uma mesa, uma cadeira, um abajur e prateleiras. Estava pronto o escritório
doméstico, encaixado num canto qualquer do quarto ou da sala. Com
a valorização do trabalho em casa nos últimos anos,
esse espaço conquistou vida própria e já atende pela
pomposa alcunha de home office. Aos poucos, deixa de ser um luxo reservado
a profissionais endinheirados para se transformar em presença quase
obrigatória nos projetos arquitetônicos de casas e apartamentos
destinados à classe média. Especialistas da área
imobiliária estimam que em breve ele será tão essencial
quanto o banheiro e os quartos muitos prédios já
estão saindo da planta com espaço para o escritório.
Pode-se atribuir a mudança a uma série de fatores: a separação
entre a atividade na empresa e a vida familiar não é tão
rigorosa quanto antes, as tecnologias de comunicação incentivam
o trabalho a distância e os computadores se incorporaram de vez
à rotina das residências.
Na esteira
dessa tendência, os profissionais da prancheta vêm recebendo
um número crescente de encomendas para projetar e acompanhar a
instalação de home offices, um lugar que deve ser funcional,
mas acima de tudo agradável e confortável, com a virtude
adicional de ocupar área reduzida. "O fundamental é que
não lembre nem um pouco os escritórios convencionais, aonde
você é obrigado a ir todos os dias", define a arquiteta e
decoradora Brunete Fraccaroli, uma das mais requisitadas de São
Paulo, ela própria uma adepta da alternativa desde que a filha
de 16 anos era recém-nascida. Segundo Brunete, não é
nem mesmo necessário reservar um cômodo inteiro para instalá-lo,
exceto para profissionais que trabalham o tempo todo na residência,
o que exige privacidade para receber clientes e distância da balbúrdia
familiar. Ainda assim, a decoração deve ser bem mais descontraída
que a encontrada nas empresas, já que levar para casa aqueles móveis
quadrados, frios e sem graça é uma alternativa impensável.
Fotos Tuca Reines
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Fotos
Tuca Reines

Dois
dos projetos criados por Brunete: à esquerda, o chão
de vidro permite ver o resto da casa. Acima, escritório em
pleno jardim, cercado de vidro com película que reduz a incidência
de raios solares |
A tendência
de derrubar as paredes, fundindo vários ambientes em um só,
permite que o escritório seja compartilhado com a sala de estar,
o quarto ou até mesmo a cozinha. "Falta de espaço deixou
de ser desculpa para não ter um escritório em casa", diz
o exclusivo Sig Bergamin, outro renomado profissional da decoração.
"Com 5 metros quadrados é possível fazer uma boa área
de trabalho." Ele mesmo acaba de sucumbir à tentação
e inaugurou seu primeiro home office, no 3º andar da mansão
onde mora, nos Jardins, a área mais nobre da capital paulista.
Quem imagina um espaço amplo, luxuoso e caro, no entanto, errou
feio. Bergamin gastou apenas 2.500 reais com
a obra. Aproveitou uma área até então inútil,
exatos 10 metros quadrados localizados sob um teto rebaixado que inviabilizava
outras utilizações. Ali, instalou uma bancada de fórmica
branca em forma de L, prateleiras para revistas e armários para
guardar papeladas pessoais, como documentos e lembranças de viagem.
Abriu uma janela no teto, chamada pelos decoradores de skylight, a fim
de aproveitar a iluminação natural, ingrediente considerado
vital aos home offices mais na moda. Para completar, enfeitou o
ambiente com dezenas de fotos de amigos. "É tudo muito simples,
mas acolhedor o suficiente para que eu acorde às 5 da manhã
e venha aqui colocar um sonho no papel", conta Bergamin.
Rogério Voltan

Sig
Bergamin em seu recém-inaugurado home office: canto inútil
vira lugar ideal para reunir objetos pessoais e ter boas idéias
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Por força
das mudanças comportamentais, o arquiteto carioca Maurício
Nóbrega batizou o cômodo formado pela fusão do escritório
com outras partes da casa de "sala da família", área ideal
para o convívio dos pais com os filhos. "Esse lugar assume o papel
de ponto de encontro das gerações, que durante muito tempo
foi da sala onde ficava a televisão", prevê Nóbrega.
O novo conceito de escritório doméstico pressupõe
a democratização desse espaço, tido até então
como o lugar em que o chefe de família se refugiava quando tinha
problemas sérios a resolver. O moderno home office é ocupado
tanto pelo marido quanto pela mulher e filhos, cada um envolvido em seus
afazeres. "Essa mudança se deve à popularização
do computador, um equipamento que é compartilhado por todos e faz
com que o local em que está instalado também seja dividido",
diz o decorador carioca Chicô Gouveia. De uns tempos para cá,
com o surgimento de novos designs e cores, o micro passou a ser tratado
como elemento de destaque na decoração doméstica,
particularmente com as inovações introduzidas pelos coloridos
iMacs. "Antigamente, ninguém pensaria em colocar um PC no meio
da sala. Hoje, já pode ser uma tentação", ressalta
o arquiteto paulista Marcel Monacelli.
Com a maior
variedade de mobiliário à disposição, tanto
no que diz respeito aos materiais quanto aos formatos, ficou bem mais
agradável e divertido montar o ambiente. Antes, o móvel
era um trambolho de madeira pesada ou de aço esverdeado. Agora,
é fácil encontrar uma mesa ou um armário na exata
dimensão da necessidade. No mercado, existem verdadeiras megalojas
de design, como a rede Tok & Stok, que oferecem centenas de opções
de mesas, cadeiras, luminárias, estantes, arquivos e outros equipamentos
e acessórios, com design de bom gosto e freqüentadas até
por decoradores exigentes. Quem é ligado em estilo tem um amplo
horizonte à frente. "Há uma tendência de valorização
dos materiais naturais", explica o arquiteto João Mansur, responsável
pelo projeto do home office da Casa Cor de São Paulo, mostra de
decoração com abertura prevista para junho que costuma ditar
moda no ramo. No ambiente chiquésimo que Mansur está preparando,
com apenas 11 metros quadrados, a parede terá revestimento de couro
de selaria, o piso receberá carpete de celulose e as cortinas serão
de antílope natural, com iluminação a cargo de holofotes
instalados no alto das paredes, lembrando cenografia teatral. Como contraponto,
haverá um biombo japonês do século XVIII e a cadeira,
um modelo francês da mesma época. Vai dar até para
trabalhar lá de vez em quando.
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