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Vamos escapar
dessa?
O
Brasil salvou seu rebanho da
vaca louca
e
agora monta um
cerco contra a febre aftosa
Diogo Schelp
AFP
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Selmy Yassuda
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| Vacinação
em fazenda do Uruguai: problema avança na fronteira |
O
mundo todo acompanhou nos últimos meses com grande dose de perplexidade
as discussões em torno dos riscos do consumo de carne bovina. Provocado
pela epidemia da vaca louca, o debate global adquiriu relevância
porque a doença colocou sob suspeita a fonte de proteína
que é a base de alimentação das pessoas. Comissões
de especialistas reuniram-se para formular soluções de emergência,
países como a Inglaterra gastaram bilhões de dólares
em indenizações aos produtores que tiveram o gado exterminado
e o consumo de carne no continente europeu, a região mais atingida,
caiu 25%. Mal refeita ainda dos reflexos da crise da vaca louca, a humanidade
assiste agora ao avanço de um novo e terrível perigo sobre
o gado a febre aftosa. A doença ataca países da Europa,
como a Inglaterra, e é endêmica em algumas partes do mundo.
Nas últimas semanas, a ameaça chegou à América
do Sul. A Argentina já contabiliza 350 casos e o Uruguai, outros
160. Como a peste avança em direção à fronteira,
as autoridades brasileiras foram obrigadas a juntar-se à corrente
internacional no combate à nova epidemia.
Arquivo Museu do Zebu/ABCZ
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| Os
brasileiros na Índia: em busca da raça zebu |
Até o fim do ano, os países da União Européia
prevêem gastar outra fortuna com o extermínio de animais,
indenizações, campanhas de esclarecimento e fiscalização
das condições do gado. Na proposta de orçamento para
o ano fiscal de 2002, que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush,
enviou recentemente ao Congresso americano, está prevista uma verba
de 32 milhões de dólares para aumentar o controle das fronteiras
e evitar a entrada da febre aftosa no país. Na semana passada,
foi a vez de o governo brasileiro se manifestar. O ministro da Agricultura,
Pratini de Moraes, anunciou um plano de emergência para conter o
avanço da doença no território brasileiro. Serão
investidos mais de 5 milhões de reais para imunizar 4,1 milhões
de cabeças de gado em fazendas do Rio Grande do Sul. "O objetivo
é formar uma espécie de cinturão para proteger nosso
gado", explica Pratini de Moraes.
Causada por um vírus altamente contagioso, a febre aftosa provoca
febre e feridas na boca e nas patas de bois, porcos e ovelhas. Impossibilitados
de comer e de andar, os animais doentes vão definhando até
se tornar comercialmente imprestáveis. Para os pecuaristas nacionais,
a epidemia surgiu justamente no momento em que havia a esperança
de aumento do volume de exportações. Afinal, o gado brasileiro
foi classificado como de baixo risco em relação à
contaminação pela doença da vaca louca. Agora o cenário
mudou. Desde agosto do ano passado não se registram casos de febre
aftosa no Brasil. Só que, diante da paranóia que se criou
no mundo em torno da qualidade da carne bovina, o simples fato de haver
um programa de vacinação em andamento é suficiente
para deixar os compradores ressabiados. Com isso, o fantasma de um refluxo
no volume das exportações passou a rondar a cabeça
dos criadores. "É como se estivéssemos dentro de um prédio
que está desabando sem ter para onde ir", define Wilson Dornelles,
presidente do Sindicato Rural de Uruguaiana, que representa 1.200 pecuaristas
da região fronteiriça.
Com
um total de 165 milhões de cabeças, o Brasil possui o maior
rebanho bovino comercial do mundo. O país começou a se tornar
um gigante nessa área a partir do momento em que importou da Índia
as primeiras espécies de gado zebu, no século XIX. Mais
resistente ao clima tropical que os animais vindos da Europa, o zebu adaptou-se
muito bem aos pastos nacionais. Hoje, 80% do gado descende dessa linhagem.
Apesar de possuir 16% do rebanho mundial, o Brasil domina 8% do mercado
da carne. É ainda uma posição modesta, mas as coisas
vinham melhorando da última década para cá, quando
ocorreu um aumento de 80% no volume de exportações, graças
principalmente aos rígidos esquemas de fiscalização
implementados pelo governo e pelos pecuaristas. Do total de 6 milhões
de toneladas produzidas anualmente, apenas 10% são vendidas a outros
países, que impõem barreiras sanitárias quase intransponíveis
aos pequenos criadores brasileiros. A febre aftosa chegou à fronteira
do país justamente no momento em que os criadores alimentavam a
esperança de virar o jogo.
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