Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
Geral Medicina
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  Só as empresas transparentes sobrevivem
A brasileira que retoca as preciosidades do Louvre
Controle de batimentos cardíacos no esporte está superado
Mulheres que sofrem com espinhas
Montadoras são obrigadas a fazer carros menos poluentes
Milionários querem a caça ao leão em Botsuana
Grifes de luxo mostram muita instalação e pouca roupa
Paloma Picasso
As pichações chegam às estampas
Assassinato de fonoaudióloga choca o Rio
O racismo no futebol italiano
O caso Herbert Vianna
Turismo sideral
Casais fazem de tudo para ter um filho
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Hipertexto
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

"Misterioso presente"

Três meses depois do acidente,
Herbert Viana está apenas no
início de sua mais árdua batallha

Lucila Soares e Cristina Poles

 
Herbert: ele tem crises de ausência, lapsos de memória recente e dificuldade de escolher as palavras certas

A família de Herbert Vianna finalmente quebrou o silêncio a respeito do seu estado de saúde, por meio de um relato do irmão mais velho do cantor, o antropólogo Hermano Vianna, divulgado na semana passada. Na queda do ultraleve que pilotava, em fevereiro passado, Herbert sofreu traumatismos em todo o cérebro, o que lhe comprometeu parte das funções neurológicas. Houve ainda o esmagamento da 12ª vértebra torácica, que se partiu em vários pedaços. Um deles migrou para dentro do canal da medula, deixando-o paraplégico. O que mais impressionou na descrição de Hermano foi o fato de que o músico parece viver "num misterioso presente, sem se lembrar do que aconteceu há poucos minutos", para usar as palavras do antropólogo. Segundo Hermano, seu estado de confusão mental é grande. Confirmou-se, também, que ele ainda não foi informado de que sua mulher, Lucy, morreu no acidente. "Que adianta lhe dar essa notícia se Herbert não vai entendê-la e, sobretudo, se ele vai esquecê-la daqui a cinco minutos e a notícia vai ter de ser dada novamente, gerando mais sofrimento?", justifica Hermano.

 

Em 1993, o ator Flávio Silvino sofreu um acidente na estrada que liga Cabo Frio ao Rio. Teve traumatismo craniano e ficou 103 dias em coma. Hoje, anda e fala, ainda que com dificuldade

Fernando Martinho

Herbert voltou a falar. Articula as palavras perfeitamente, mas tem enorme dificuldade para encontrar os vocábulos certos que exprimam seus desejos e sentimentos. Ele, por exemplo, pode chamar "cadeira" de "mesa". Isso não significa que não saiba a diferença entre as duas coisas. O que ocorre é que seus comandos cerebrais simplesmente não conseguem encontrar a palavra exata para designar o objeto ou o conceito que o músico quer enunciar. O arquivo mental de Herbert está desorganizado. Também é comum que o músico se mostre completamente ausente, sem manifestar nenhuma reação ao que ocorre a seu redor. Outro comportamento de Herbert que angustia a família são os seus apagões mnemônicos. Sua memória dificilmente registra feições ou nomes novos. O músico, no entanto, reconhece todas as pessoas que conhecia antes do acidente. Chama cada um dos filhos – Luca, de 8 anos, Hope, de 5, e Phoebe, de 1.

A evolução do músico é lenta, mas segue no ritmo esperado pelos médicos. "Ele nunca deixou de melhorar", afirma o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, que trata de Herbert. Se a recuperação do líder do Paralamas do Sucesso fosse um livro de 500 páginas, ela estaria apenas no prefácio. Há muito que fazer. Antes, acreditava-se que cada região cerebral era a responsável exclusiva por uma ou mais atividades. Os neurologistas, contudo, vêm constatando que o cérebro é uma estrutura maleável do ponto de vista da funcionalidade. Embora certas partes sejam especializadas nessa ou naquela tarefa, a plasticidade do órgão é tanta que possibilita a sua adaptação a situações imprevistas. Por meio de exercícios específicos de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, é possível transferir as funções de uma área lesionada para outra que esteja intacta.

 
Renato Chaui
Osmar Santos perdeu 5% de massa encefálica em um acidente de carro, em 1994. Submetido a fisioterapia e fonoaudiologia, ele hoje anda e balbucia dezenas de palavras


"Suficientemente estimulado, o cérebro é capaz de reorganizar-se", explica o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo. Um bom exemplo disso é o caso do locutor esportivo Osmar Santos, que, em 1994, perdeu 5% da massa encefálica num acidente de carro. A lesão afetou as áreas que controlam o lado direito do corpo e a fala. Seu cérebro teve de aprender a realizar essas tarefas em outras regiões. Hoje, ele caminha e consegue se comunicar com um arsenal de três dezenas de palavras. As compensações realizadas pelo cérebro, no entanto, têm um limite que varia de pessoa para pessoa. Quanto mais extensa a área prejudicada, o processo é mais difícil. Quanto mais velho o paciente, idem. Os pessimistas acreditam que o cérebro de Herbert terá dificuldade redobrada para transferir funções de uma parte para outra. Isso porque, em geral, as tarefas de uma área lesionada são deslocadas para a correspondente no outro hemisfério cerebral. O maior problema é que o lobo temporal esquerdo do músico foi muito afetado e sua área correlata, no lado direito, também sofreu danos consideráveis – entre eles, a retirada de 3 a 4 centímetros de tecido necrosado. Como se disse, ainda é cedo para esboçar prognósticos. Apenas em dois anos, será possível traçar um quadro de até onde a recuperação de Herbert poderá chegar. Aos familiares, amigos e admiradores do líder do Paralamas do Sucesso, só resta torcer. "É uma questão de fé e esperança", resume Hermano.

 

 

VEJA também
Dos arquivos de VEJA
  Rasante trágico
Reportagem de VEJA de 14/02/2001 sobre o acidente de ultraleve com o cantor Herbert Vianna.


   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS