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Rabisco chique

Inspiradas na Louis Vuitton,
grifes adotam
a pichação
como estampa do outono

Silvia Rogar

 
Fotos André Batistela
Fo
Divulgação
Blazer e camiseta Carlota Joaquina, bolsas Alice Tapajós e a nova e desejada Louis Vuitton: o grafite na moda

Rabiscar palavras em mochilas, jeans e camisetas já foi coisa de adolescente rebelde. Agora, virou moda convencional, e das mais caras. Foi o que fez o estilista americano Marc Jacobs com a tradicionalíssima bolsa Louis Vuitton: sobre o centenário monograma impresso por toda parte pintou o nome da grife como se fosse uma reles pichação (ou grafite, como exige o vocabulário da moda). Deu tão certo que a fila de espera pela bolsa, que chega às lojas neste mês, alcança 450 nomes só no Brasil. Seguindo a linha da grafitagem chique, estilistas brasileiros também estão usando rabiscos variados para enfeitar materiais sofisticados neste outono-inverno. "É a estampa que mais vende em nossa fábrica", diz a estilista Carla Fincato, da grife paulista Carlota Joaquina.

O estilo muro chique saiu das ruas de Nova York para as galerias de arte na década de 80 pelas mãos de Jean-Michel Basquiat, pichador alçado à categoria de artista pelo pai da pop art, Andy Warhol. Basquiat morreu aos 27 anos por overdose de heroína, mas um remanescente da turma de Warhol, o designer Stephen Sprouse, continua vivíssimo. A convite de Jacobs, é dele o toque – ou melhor, o spray – da coleção Louis Vuitton, resultado de mais de sessenta testes com tintas que tivessem resistência e aderência ao couro especial usado pela grife. Apesar de ser mais informal, a linha com grafite vai custar 45% mais que a clássica. Para se ter uma idéia, a bolsa estilo sacola de viagem sai por cerca de 2.200 reais.

Por aqui, as técnicas de pichação também foram elaboradas. A Ellus jogou ácido sobre o jeans grafitado para deixar a estampa meio escorrida. A Carlota Joaquina usou o silk-screen tradicional em sainhas e camisetas, mas, nos terninhos (que não têm acabamento na bainha), pôs uma película que vai descascando, de propósito, a cada lavada. Preço do conjuntinho feito para descascar e desfiar: 926 reais. "É uma combinação mais moderna, que nem todo mundo tem coragem de encarar", reconhece a estilista. Na Carlota, camisetas (120 reais) e saias (210 reais) pichadas vendem 30% mais que as outras estampas. "Gente de todas as idades está comprando, inclusive quarentonas. Virou a peça da minha coleção que toda cliente quer ter", diz a estilista carioca Alice Tapajós, que em um mês vendeu 500 camisetas grafitadas. Na loja dela, a pichação virou até artigo de decoração – neste mês, com a frase Mom Is the Best (Mamãe é a Melhor), chega às prateleiras a almofada pichada que foi brinde num desfile e fez furor.

 

   
 
   
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