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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Ela, sim, é um luuuxo

Paloma Picasso, cintilante
no nome e nas jóias

Anna Paula Buchalla

Fotos Divulgação

Paloma (à dir.) e a tela de Picasso Paloma em Azul: "Foi duro ficar longe de meu pai"
Fotos Divulgação

As socialites paulistas andam alvoroçadíssimas com a oportunidade de conhecer uma das figuras mais cintilantes da indústria do luxo. A designer francesa Paloma Picasso deverá desembarcar em São Paulo nesta semana. Foi convocada para a inauguração de uma filial da joalheria americana Tiffany no Shopping Iguatemi, o mais elegante da cidade. Será a segunda viagem de Paloma ao Brasil. Na primeira, realizada na década de 70, ela era apenas o fruto ilegítimo de um romance entre o pintor espanhol Pablo Picasso e a artista Françoise Gilot. Agora, vem na condição não só de herdeira reconhecidíssima de Picasso como também na de uma das mulheres mais ricas do mundo. Aos 52 anos, casada pela segunda vez com um médico ginecologista e sem filhos, ela é dona de um patrimônio estimado em 800 milhões de dólares. Só a sua linha de perfumes e cosméticos vale meio bilhão de verdinhas. "Não é simples criar um nome que se sustente por si próprio quando seu pai é uma das figuras mais famosas do século XX", disse a simpática Paloma a VEJA. É, a vida não é mesmo fácil para ninguém.



Bracelete e anéis: os preços vão de 1 966 a 743 316 reais. Salgadinhos, não?

Criada na cidadezinha de Vallauris, na ensolarada Côte d'Azur, Paloma teve acesso ao pai famoso até os 14 anos. Depois, nunca mais o viu. Nem mesmo quando Picasso estava à morte, em 1973. A última das sete mulheres do pintor, Jacqueline Roque, impediu Paloma e seu irmão mais velho, Claude, de visitá-lo. "Ficar longe de meu pai foi duro para mim", conta ela. Picasso afastou-se de seus rebentos com Françoise Gilot depois que a artista publicou um livro no qual escancarava a vida (nem um pouco monástica) e os amores (nem um pouco platônicos) do mestre cubista. Picasso, evidentemente, não era o tipo de pai que assina boletins escolares ou coisa que o valha. Expressava seu amor pelos filhos deixando-os circular livremente em seu ateliê e retratando-os em telas. Paloma, por exemplo, motivou duas pinturas: Paloma em Azul e Paloma com Laranja. Certa vez, observando-a brincar, Picasso comentou com Françoise: "Paloma será uma mulher perfeita: passiva e submissa".

Durante boa parte de sua vida, Paloma dedicou-se a frustrar o vaticínio chauvinista, adotando um comportamento audacioso. Aos 25 anos, estrelou Contos Imorais, um filme de terceira categoria em que aparecia nua. Seria por meio do trabalho, contudo, que ela se mostraria ativa e determinada. Em 1979, Paloma começou a desenhar jóias para a Tiffany. Com o sucesso, seus negócios foram ampliados para as áreas de perfumaria, cosméticos e acessórios. Seu estilo está muito mais para, digamos, o barroco do que para, digamos, o cubista. Traduzindo: é de deixar qualquer perua enlouquecida. Perua no bom sentido, porque os exageros de Paloma não são em si de mau gosto. Se usada com roupa sóbria – como ela própria recomenda, aliás –, uma de suas jóias tamanho-família impressiona pela elegância (além de impressionar pelo preço, é lógico). Em suas criações, Paloma abusa do ouro e de pedras grandonas e coloridas – rubi, turmalina, ônix e água-marinha estão entre as suas preferidas. "Quando crio uma peça, a cliente que tenho em mente sou eu", diz. "E jóias pequenas definitivamente não combinam comigo." Das peças de Paloma à venda em São Paulo, a mais barata é um par de brincos de ouro e prata em forma de laço, de 1.966 reais. A mais cara, um colar de platina e ouro com pérolas e tanzanita. Valor: 743.316 reais. "Qualidade tem um preço", justifica Paloma. E que preço.

   
 
   
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