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Ela, sim, é
um luuuxo
Paloma Picasso,
cintilante
no nome e nas jóias

Anna Paula
Buchalla
Fotos Divulgação

Paloma
(à dir.) e a tela de Picasso Paloma em Azul:
"Foi duro ficar longe de meu pai" |
Fotos
Divulgação
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As socialites
paulistas andam alvoroçadíssimas com a oportunidade de conhecer
uma das figuras mais cintilantes da indústria do luxo. A designer
francesa Paloma Picasso deverá desembarcar em São Paulo
nesta semana. Foi convocada para a inauguração de uma filial
da joalheria americana Tiffany no Shopping Iguatemi, o mais elegante da
cidade. Será a segunda viagem de Paloma ao Brasil. Na primeira,
realizada na década de 70, ela era apenas o fruto ilegítimo
de um romance entre o pintor espanhol Pablo Picasso e a artista Françoise
Gilot. Agora, vem na condição não só de herdeira
reconhecidíssima de Picasso como também na de uma das mulheres
mais ricas do mundo. Aos 52 anos, casada pela segunda vez com um médico
ginecologista e sem filhos, ela é dona de um patrimônio estimado
em 800 milhões de dólares. Só a sua linha de perfumes
e cosméticos vale meio bilhão de verdinhas. "Não
é simples criar um nome que se sustente por si próprio quando
seu pai é uma das figuras mais famosas do século XX", disse
a simpática Paloma a VEJA. É, a vida não é
mesmo fácil para ninguém.

Bracelete
e anéis: os preços vão de 1 966 a 743 316 reais.
Salgadinhos, não? |
Criada na
cidadezinha de Vallauris, na ensolarada Côte d'Azur, Paloma teve
acesso ao pai famoso até os 14 anos. Depois, nunca mais o viu.
Nem mesmo quando Picasso estava à morte, em 1973. A última
das sete mulheres do pintor, Jacqueline Roque, impediu Paloma e seu irmão
mais velho, Claude, de visitá-lo. "Ficar longe de meu pai foi duro
para mim", conta ela. Picasso afastou-se de seus rebentos com Françoise
Gilot depois que a artista publicou um livro no qual escancarava a vida
(nem um pouco monástica) e os amores (nem um pouco platônicos)
do mestre cubista. Picasso, evidentemente, não era o tipo de pai
que assina boletins escolares ou coisa que o valha. Expressava seu amor
pelos filhos deixando-os circular livremente em seu ateliê e retratando-os
em telas. Paloma, por exemplo, motivou duas pinturas: Paloma em Azul
e Paloma com Laranja. Certa vez, observando-a brincar, Picasso
comentou com Françoise: "Paloma será uma mulher perfeita:
passiva e submissa".
Durante
boa parte de sua vida, Paloma dedicou-se a frustrar o vaticínio
chauvinista, adotando um comportamento audacioso. Aos 25 anos, estrelou
Contos Imorais, um filme de terceira categoria em que aparecia
nua. Seria por meio do trabalho, contudo, que ela se mostraria ativa e
determinada. Em 1979, Paloma começou a desenhar jóias para
a Tiffany. Com o sucesso, seus negócios foram ampliados para as
áreas de perfumaria, cosméticos e acessórios. Seu
estilo está muito mais para, digamos, o barroco do que para, digamos,
o cubista. Traduzindo: é de deixar qualquer perua enlouquecida.
Perua no bom sentido, porque os exageros de Paloma não são
em si de mau gosto. Se usada com roupa sóbria como ela própria
recomenda, aliás , uma de suas jóias tamanho-família
impressiona pela elegância (além de impressionar pelo preço,
é lógico). Em suas criações, Paloma abusa
do ouro e de pedras grandonas e coloridas rubi, turmalina, ônix
e água-marinha estão entre as suas preferidas. "Quando crio
uma peça, a cliente que tenho em mente sou eu", diz. "E jóias
pequenas definitivamente não combinam comigo." Das peças
de Paloma à venda em São Paulo, a mais barata é um
par de brincos de ouro e prata em forma de laço, de 1.966
reais. A mais cara, um colar de platina e ouro com pérolas e tanzanita.
Valor: 743.316 reais. "Qualidade tem um preço",
justifica Paloma. E que preço.
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