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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Sérgio Dutti

Eles querem matar
este leão

Caçadores milionários pedem
a volta da caça ao animal em Botsuana

Há dez anos, 50.000 leões perambulavam pela África. Hoje restam apenas 15.000 em estado selvagem. A principal causa da redução é a caça. Em fevereiro, tentando evitar o pior, o governo de Botsuana decidiu proibir a caça ao leão, uma atividade tradicional naquela nação do sul da África. A medida, que afeta diretamente a economia de muitos vilarejos no norte do país, ganhou muito maior repercussão nos Estados Unidos, onde alguns caçadores milionários não se conformaram em perder seu programa preferido nas férias. O Safari Club International, uma das maiores organizações de caça do mundo, decidiu arregaçar as mangas e pressionar o governo de Botsuana a rever a proibição. Há duas semanas, enviou um documento nesse sentido assinado por pesos-pesados como George Bush pai, o ex-vice-presidente Dan Quayle e o general Norman Schwarzkopf, comandante das tropas aliadas na Guerra do Golfo. A esperança é que a lei seja revogada no início do ano que vem, o mais tardar. Antes da proibição, os leões eram perseguidos em reservas estatais de Botsuana. O país permitia a matança de apenas cinqüenta deles por ano e exigia 30.000 dólares por animal morto.

A caça ao leão movimentava 5 milhões de dólares por ano. Quem mais lucrava eram as operadoras de turismo, que exploravam um dos hábitos mais antigos do continente. Na África, esses animais sempre foram objeto do desejo de caçadores. Houve, contudo, um tempo em que a luta era mais justa. Do pequeno criador de gado, habituado a matar leões que atacam seu rebanho, à devastação causada pelos caçadores brancos há uma grande diferença. Hoje, carros velozes, com tração nas quatro rodas, e espingardas de grosso calibre não deixam possibilidade de fuga para o animal. As maiores vítimas têm sido os leões adultos. Isso porque os caçadores consideram que quanto maior a juba mais belo é o troféu. Há nos Estados Unidos empresas especializadas em aplicar mechas nas carcaças trazidas das caçadas africanas. Quando transformaram os leões adultos em alvo principal, os caçadores fizeram com que eles se tornassem uma raridade nos bandos. "Cada adulto morto significa a morte de outros dez porque, sem ele, o bando demora para se reorganizar e atrasa a reprodução", disse Alison Hood, da fundação inglesa Born Free, que mantém projetos de pesquisa em Botsuana. Mesmo se mantida, a proibição não significará a salvação da espécie. Os leões permanecem ameaçados pela caça ainda permitida em outros países africanos.

 



   
 
   
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