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Sérgio Dutti
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Eles querem matar
este leão
Caçadores
milionários pedem
a volta da caça ao animal em Botsuana
Há
dez anos, 50.000 leões perambulavam pela África. Hoje restam
apenas 15.000 em estado selvagem. A principal causa da redução
é a caça. Em fevereiro, tentando evitar o pior, o governo
de Botsuana decidiu proibir a caça ao leão, uma atividade
tradicional naquela nação do sul da África. A medida,
que afeta diretamente a economia de muitos vilarejos no norte do país,
ganhou muito maior repercussão nos Estados Unidos, onde alguns
caçadores milionários não se conformaram em perder
seu programa preferido nas férias. O Safari Club International,
uma das maiores organizações de caça do mundo, decidiu
arregaçar as mangas e pressionar o governo de Botsuana a rever
a proibição. Há duas semanas, enviou um documento
nesse sentido assinado por pesos-pesados como George Bush pai, o ex-vice-presidente
Dan Quayle e o general Norman Schwarzkopf, comandante das tropas aliadas
na Guerra do Golfo. A esperança é que a lei seja revogada
no início do ano que vem, o mais tardar. Antes da proibição,
os leões eram perseguidos em reservas estatais de Botsuana. O país
permitia a matança de apenas cinqüenta deles por ano e exigia
30.000 dólares por animal morto.
A caça ao leão movimentava 5 milhões de dólares
por ano. Quem mais lucrava eram as operadoras de turismo, que exploravam
um dos hábitos mais antigos do continente. Na África, esses
animais sempre foram objeto do desejo de caçadores. Houve, contudo,
um tempo em que a luta era mais justa. Do pequeno criador de gado, habituado
a matar leões que atacam seu rebanho, à devastação
causada pelos caçadores brancos há uma grande diferença.
Hoje, carros velozes, com tração nas quatro rodas, e espingardas
de grosso calibre não deixam possibilidade de fuga para o animal.
As maiores vítimas têm sido os leões adultos. Isso
porque os caçadores consideram que quanto maior a juba mais belo
é o troféu. Há nos Estados Unidos empresas especializadas
em aplicar mechas nas carcaças trazidas das caçadas africanas.
Quando transformaram os leões adultos em alvo principal, os caçadores
fizeram com que eles se tornassem uma raridade nos bandos. "Cada adulto
morto significa a morte de outros dez porque, sem ele, o bando demora
para se reorganizar e atrasa a reprodução", disse Alison
Hood, da fundação inglesa Born Free, que mantém projetos
de pesquisa em Botsuana. Mesmo se mantida, a proibição não
significará a salvação da espécie. Os leões
permanecem ameaçados pela caça ainda permitida em outros
países africanos.
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