Fora de hora
Muitas mulheres
adultas estão
sofrendo com um problema
associado à adolescência: espinhas

Cristina
Poles
Antonio Milena

Roberta:
acne depois de adulta |
Não bastasse a preocupação com as rugas que começam
a aparecer, muitas mulheres entre 20 e 35 anos estão enfrentando
um problema comumente associado à adolescência: as espinhas.
No Brasil, estima-se que uma em cada dez mulheres nessa faixa de idade
sofra de acne. As erupções tendem a se manifestar principalmente
no queixo, nas mandíbulas e no pescoço. A farmacêutica
Roberta Perez Angelucci, de 23 anos, passou pela adolescência com
a pele lisa como a de um bebê. Meses atrás, espinhas começaram
a brotar em seu rosto. "Nunca imaginei que isso fosse acontecer nesta
idade", diz ela. Na tentativa de se livrar do tormento, Roberta lava o
rosto três vezes por dia com sabonete anti-séptico e duas
vezes por semana faz esfoliação. A coisa está controlada,
mas sempre bate aquela insegurança.
Nos adolescentes,
a acne surge da explosão hormonal típica da idade. Na mulher
adulta, a afecção é deflagrada principalmente por
aquele vilão manjadíssimo da vida moderna: o stress. Em
períodos de grande tensão, o organismo pode desencadear
a produção exagerada de hormônios andrógenos,
que estimulam as glândulas sebáceas a fabricar mais gordura
do que o normal. Associado a outros fatores, isso pode resultar em espinhas
(veja quadro). O
stress também aumenta a sensibilidade à ação
desses hormônios, ainda que eles se apresentem em concentrações
normais. As conseqüências aqui são as mesmas
protuberâncias e, por tabela, a vontade de quebrar todos os espelhos
da casa. Estudos europeus apontam que uma em cada quatro mulheres em cargos
de chefia ou com atividades profissionais muito dinâmicas desenvolve
acne. Os especialistas lembram ainda que o desequilíbrio hormonal
que se manifesta por meio de espinhas pode ser causado também por
cistos nos ovários, distúrbios da tireóide e pelo
uso indiscriminado de pílulas anticoncepcionais.
Os medicamentos
contra a acne podem ser de uso oral ou tópico. Entre cremes e pomadas,
os mais eficazes são os derivados da vitamina A. Ao agirem diretamente
nas glândulas sebáceas, controlam a produção
exagerada de gordura. Essas drogas são recomendadas para os casos
mais leves. Em junho, chega ao Brasil o mais novo exemplar dessa família.
É o tazaroteno, que será vendido sob o nome de Zorac. Para
os quadros mais agudos, há os antiandrógenos. Esses remédios
por via oral diminuem a absorção de hormônios pelas
células da pele. O Roacutan é tido como o último
recurso das desesperadas. Ele é muito eficaz, mas seus efeitos
colaterais são pesadíssimos.

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