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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Fora de hora

Muitas mulheres adultas estão
sofrendo com um problema
associado à adolescência: espinhas

Cristina Poles

Antonio Milena

Roberta: acne depois de adulta


Não bastasse a preocupação com as rugas que começam a aparecer, muitas mulheres entre 20 e 35 anos estão enfrentando um problema comumente associado à adolescência: as espinhas. No Brasil, estima-se que uma em cada dez mulheres nessa faixa de idade sofra de acne. As erupções tendem a se manifestar principalmente no queixo, nas mandíbulas e no pescoço. A farmacêutica Roberta Perez Angelucci, de 23 anos, passou pela adolescência com a pele lisa como a de um bebê. Meses atrás, espinhas começaram a brotar em seu rosto. "Nunca imaginei que isso fosse acontecer nesta idade", diz ela. Na tentativa de se livrar do tormento, Roberta lava o rosto três vezes por dia com sabonete anti-séptico e duas vezes por semana faz esfoliação. A coisa está controlada, mas sempre bate aquela insegurança.

Nos adolescentes, a acne surge da explosão hormonal típica da idade. Na mulher adulta, a afecção é deflagrada principalmente por aquele vilão manjadíssimo da vida moderna: o stress. Em períodos de grande tensão, o organismo pode desencadear a produção exagerada de hormônios andrógenos, que estimulam as glândulas sebáceas a fabricar mais gordura do que o normal. Associado a outros fatores, isso pode resultar em espinhas (veja quadro). O stress também aumenta a sensibilidade à ação desses hormônios, ainda que eles se apresentem em concentrações normais. As conseqüências aqui são as mesmas – protuberâncias e, por tabela, a vontade de quebrar todos os espelhos da casa. Estudos europeus apontam que uma em cada quatro mulheres em cargos de chefia ou com atividades profissionais muito dinâmicas desenvolve acne. Os especialistas lembram ainda que o desequilíbrio hormonal que se manifesta por meio de espinhas pode ser causado também por cistos nos ovários, distúrbios da tireóide e pelo uso indiscriminado de pílulas anticoncepcionais.

Os medicamentos contra a acne podem ser de uso oral ou tópico. Entre cremes e pomadas, os mais eficazes são os derivados da vitamina A. Ao agirem diretamente nas glândulas sebáceas, controlam a produção exagerada de gordura. Essas drogas são recomendadas para os casos mais leves. Em junho, chega ao Brasil o mais novo exemplar dessa família. É o tazaroteno, que será vendido sob o nome de Zorac. Para os quadros mais agudos, há os antiandrógenos. Esses remédios por via oral diminuem a absorção de hormônios pelas células da pele. O Roacutan é tido como o último recurso das desesperadas. Ele é muito eficaz, mas seus efeitos colaterais são pesadíssimos.

 
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