Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
Geral Perfil
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  Só as empresas transparentes sobrevivem
A brasileira que retoca as preciosidades do Louvre
Controle de batimentos cardíacos no esporte está superado
Mulheres que sofrem com espinhas
Montadoras são obrigadas a fazer carros menos poluentes
Milionários querem a caça ao leão em Botsuana
Grifes de luxo mostram muita instalação e pouca roupa
Paloma Picasso
As pichações chegam às estampas
Assassinato de fonoaudióloga choca o Rio
O racismo no futebol italiano
O caso Herbert Vianna
Turismo sideral
Casais fazem de tudo para ter um filho
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Hipertexto
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

A mão que retoca
as obras do Louvre

Mestre entre os restauradores,
brasileira cuida de preciosidades
no museu francês

Juliana Saboia


Arquivo pessoal
Regina Moreira: empolgação com desafios técnicos


Há poucos meses, quando os conservadores do Museu de Arte de São Paulo decidiram restaurar uma das jóias de sua coleção, uma pintura do francês Nicolas Poussin, não tiveram dúvida sobre onde fazer o serviço. O quadro Himeneu Travestido Durante um Sacrifício a Priapo, pintado no século XVII e avaliado em mais de 7 milhões de dólares, só poderia ser reparado nas oficinas do Museu do Louvre, em Paris. Não apenas no Louvre, mas por uma determinada restauradora, a baiana Regina da Costa Pinto Dias Moreira. Ela é estrela de primeira grandeza na conservação da maior coleção de arte do mundo, que inclui o Louvre e outros 33 museus nacionais da França. Por suas mãos passaram ícones da história da arte, como os renascentistas Rafael, Ticiano e Botticelli. Regina também retocou artistas mais modernos cuja simples menção tira o fôlego dos conhecedores, como o espanhol Francisco Goya, o holandês Vincent van Gogh e os impressionistas franceses Monet e Manet.

 
Girandon

Quadros tão valiosos só são confiados à mão de restauradores selecionadíssimos – um punhado entre dezenas de profissionais à disposição do Louvre. Regina foi estudar belas-artes na Espanha, em 1964, onde descobriu a vocação para a restauração. Ali tocou pela primeira vez numa obra de valor inestimável, uma pintura de Goya. Depois, fez estágio no Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa e no Instituto Real do Patrimônio Artístico de Bruxelas, na Bélgica. Entrou para o Louvre por concurso, em 1973, e não parou mais de aprimorar a perícia. "Regina tem um retoque muito sensível e muito leve", elogia Nathalie Volle, conservadora-chefe do Centro de Pesquisa e Restauração dos Museus da França. "Ela domina de forma exemplar as técnicas antigas de pintura." Há 37 de seus 57 anos na Europa, fez um único trabalho no Brasil. Restaurou obras da coleção do conde Francisco Matarazzo, em 1974. Não pergunte à restauradora detalhes sobre o que foi feito. A ética da profissão proíbe comentários desse tipo, que podem desvalorizar a obra. "A relação do restaurador com a obra é tão íntima que você acaba se tornando um co-autor", diz Regina.

Girandon

A ironia é que quanto mais imperceptível melhor é o resultado do esforço do restaurador. No Louvre, tudo o que é feito é devidamente documentado para que se saiba com exatidão qual a intervenção efetuada. No caso das chamadas obras sagradas – aquelas de valor inestimável – , o trabalho é acompanhado por seguranças. No ateliê do Louvre, historiadores, cientistas e restauradores operam em conjunto. Químicos e físicos examinam e analisam o estado do quadro, produzindo um dossiê científico que inclui fotos em infravermelho, ultravioleta e radiografia. Se um quadro italiano do século XVI mostra um manto azul, os raios ultravioleta permitem identificar o pigmento usado na fabricação da tinta. "Italianos como Ghirlandaio e Veronese faziam o azul com pigmentos obtidos do lápis-lazúli", explica a restauradora. "Para retocar obras como essas, precisamos levar esses detalhes em consideração." Depois dessa avaliação técnica, o que conta mesmo é a mão do restaurador.

Quanto custa seu trabalho de expert? Isso depende do volume do serviço a ser realizado, do grau de dificuldade e mesmo da importância da peça. Regina garante que muitas vezes nem se preocupa com o pagamento, pois se deixa arrebatar pelo desafio técnico da restauração. Ela já teve em suas mãos o quadro Retrato do Dr. Gachet, de Van Gogh, vendido por 82,5 milhões de dólares num leilão em 1990, no entanto não o incluiu no currículo. Isso não apenas porque mantém sigilo sobre reparos em obras de coleções particulares, mas também porque "fiz uma coisinha à toa". Uma pista sobre a remuneração do trabalho de um restaurador de elite é dada pela preocupação do Masp em levantar dinheiro para recuperar seu Poussin. "Por ser uma das maiores autoridades em restauração da França, Regina é cara", diz Luiz Marques, consultor da presidência do museu paulista. Estima-se que o trabalho no quadro, o maior pintado por Poussin, com 1,67 metro por 3,76 metros, fique entre 80.000 e 120.000 dólares.

 
VEJA também
Rádio VEJA
  Entrevista com a restauradora Regina Dias Moreira

 

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS