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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Beleza indiana

Que tal vender batom e maquiagem
para 500 milhões de mulheres?


Steve Mecurry/Magnum Photos
Feira de moda em Bombaim: comércio de cosméticos cresce 20% ao ano


A maioria dos olhares de cobiça dos empresários volta-se quase que automaticamente para a China. Nos últimos tempos, porém, um outro mercado está mostrando que pode consumir em larga escala. E põe larga escala nisso. Essa nova vedete dos investidores é a Índia, cuja população demonstra estar cada vez mais ávida por ter acesso a hábitos do Ocidente, sejam eles o golfe ou os produtos cosméticos, a última febre de consumo do país. Não existe hoje outro negócio no mundo tão vantajoso quanto vender esse tipo de coisa para quase meio bilhão de mulheres que passaram décadas sendo obrigadas a usar apenas duas marcas de batom. Depois de abrir suas fronteiras ao comércio exterior no começo da década de 90, a Índia transformou-se no terreno mais fértil do mundo para a expansão dos negócios da indústria internacional de beleza. Atualmente, as vendas de cosméticos movimentam por ali 1,5 bilhão de dólares ao ano e crescem ao ritmo de 20% a cada doze meses, o dobro das taxas registradas na Europa e nos Estados Unidos. Grifes internacionais, como a L'Oréal e a Christian Dior, já perceberam esse movimento e estão despejando quase todos os itens de seus catálogos nas lojas indianas. Não sobra quase nada nas prateleiras.

Os produtos mais procurados pelas consumidoras são ainda coisas básicas, como batons de longa duração, esmaltes de secagem rápida e cremes anti-rugas. "Eles são comuns no mercado ocidental, mas representam uma grande novidade para a população feminina de um país que ficou fechado por décadas", afirma Dinesh Dayal, chefe operacional da subsidiária da L'Oréal na Índia. A empresa francesa começou a exportar xampus para o país em 1991. Três anos depois, já estava inaugurando uma fábrica no local. Ao todo, a companhia investiu nada menos do que 30 milhões de dólares na expansão de seus negócios. Até empresas de cosméticos indianas estão se beneficiando do aumento de consumo. Uma das mais tradicionais marcas do país, a Dabur India, contabilizou em 1999 um lucro da ordem de 18 milhões de dólares – 20% a mais que o registrado no ano anterior.

Eventos como desfiles e feiras de moda são cada vez mais comuns. É lógico que tudo isso vem acompanhado do clima de surrealismo que cerca todas as coisas que vêm da Índia. A última moda das passarelas, por exemplo, é utilizar eunucos como modelos. Centros estéticos que realizam procedimentos como cirurgias plásticas e a retirada de rugas pelo método de peeling a laser dobraram o número de consultas nos últimos tempos. Todo esse crescimento está formando uma geração de beldades que começam a fazer sucesso internacional. Nos últimos sete anos, nada menos do que seis indianas foram eleitas miss Mundo ou Universo. A última delas foi a escultural morena Lara Dutta, 22 anos, que recebeu o cetro de miss Universo em maio de 2000. Ela é um bom exemplo dos hábitos globalizados das modernas mulheres indianas. Lara adora comida italiana, idolatra a atriz americana Jodie Foster e sonha em trabalhar como jornalista da rede britânica BBC.

 
 
   
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