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Beleza
indiana
Que tal vender batom e maquiagem
para 500 milhões de mulheres?
Steve Mecurry/Magnum Photos
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| Feira
de moda em Bombaim: comércio de cosméticos cresce 20%
ao ano |
A maioria dos olhares de cobiça dos empresários volta-se
quase que automaticamente para a China. Nos últimos tempos, porém,
um outro mercado está mostrando que pode consumir em larga escala.
E põe larga escala nisso. Essa nova vedete dos investidores é
a Índia, cuja população demonstra estar cada vez
mais ávida por ter acesso a hábitos do Ocidente, sejam eles
o golfe ou os produtos cosméticos, a última febre de consumo
do país. Não existe hoje outro negócio no mundo tão
vantajoso quanto vender esse tipo de coisa para quase meio bilhão
de mulheres que passaram décadas sendo obrigadas a usar apenas
duas marcas de batom. Depois de abrir suas fronteiras ao comércio
exterior no começo da década de 90, a Índia transformou-se
no terreno mais fértil do mundo para a expansão dos negócios
da indústria internacional de beleza. Atualmente, as vendas de
cosméticos movimentam por ali 1,5 bilhão de dólares
ao ano e crescem ao ritmo de 20% a cada doze meses, o dobro das taxas
registradas na Europa e nos Estados Unidos. Grifes internacionais, como
a L'Oréal e a Christian Dior, já perceberam esse movimento
e estão despejando quase todos os itens de seus catálogos
nas lojas indianas. Não sobra quase nada nas prateleiras.
Os produtos mais procurados pelas consumidoras são ainda coisas
básicas, como batons de longa duração, esmaltes de
secagem rápida e cremes anti-rugas. "Eles são comuns no
mercado ocidental, mas representam uma grande novidade para a população
feminina de um país que ficou fechado por décadas", afirma
Dinesh Dayal, chefe operacional da subsidiária da L'Oréal
na Índia. A empresa francesa começou a exportar xampus para
o país em 1991. Três anos depois, já estava inaugurando
uma fábrica no local. Ao todo, a companhia investiu nada menos
do que 30 milhões de dólares na expansão de seus
negócios. Até empresas de cosméticos indianas estão
se beneficiando do aumento de consumo. Uma das mais tradicionais marcas
do país, a Dabur India, contabilizou em 1999 um lucro da ordem
de 18 milhões de dólares 20% a mais que o registrado
no ano anterior.
Eventos
como desfiles e feiras de moda são cada vez mais comuns. É
lógico que tudo isso vem acompanhado do clima de surrealismo que
cerca todas as coisas que vêm da Índia. A última moda
das passarelas, por exemplo, é utilizar eunucos como modelos. Centros
estéticos que realizam procedimentos como cirurgias plásticas
e a retirada de rugas pelo método de peeling a laser dobraram o
número de consultas nos últimos tempos. Todo esse crescimento
está formando uma geração de beldades que começam
a fazer sucesso internacional. Nos últimos sete anos, nada menos
do que seis indianas foram eleitas miss Mundo ou Universo. A última
delas foi a escultural morena Lara Dutta, 22 anos, que recebeu o cetro
de miss Universo em maio de 2000. Ela é um bom exemplo dos hábitos
globalizados das modernas mulheres indianas. Lara adora comida italiana,
idolatra a atriz americana Jodie Foster e sonha em trabalhar como jornalista
da rede britânica BBC.
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