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Com
dia marcado
para morrer
Circo
em torno da
execução do
responsável
pelo
maior atentado
da História
dos Estados
Unidos
alimenta
polêmica
da pena
de morte
José
Eduardo Barella
Os 60.000 moradores de Terre Haute, sonolenta cidade no Estado de Indiana,
já estão contando os dias para o maior evento de sua história.
Milhares de manifestantes, jornalistas e curiosos deverão espremer-se
do lado de fora da penitenciária federal e o comércio local
espera faturar com a venda de camisetas, chaveiros e bonés. É
nesse clima de quermesse que os Estados Unidos se preparam para executar
Timothy McVeigh, de 33 anos, autor do maior atentado terrorista da história
do país. Há seis anos, ele explodiu um prédio do
governo federal na cidade de Oklahoma, matando 168 pessoas e ferindo 700.
Às 7 horas da manhã da quarta-feira da semana que vem, o
terrorista vai pagar a conta, amarrado a uma maca na câmara da morte
do presídio. Ele deverá receber três injeções
5 gramas do anestésico pentotal sódico, 50 mililitros
do relaxante muscular brometo de pancurônio, que interrompe a respiração,
e, por fim, uma dose de 50 mililitros de cloreto de potássio, que
pára o coração. A morte deverá ocorrer em
cerca de um minuto.
McVeigh já conseguiu uma proeza. É o condenado que mais
atraiu o ódio dos americanos desde a restituição
da pena capital, em 1976. De lá para cá, foram 710 execuções.
Em geral, os inimigos da pena de morte transformam o condenado num mártir,
por pior que seja seu crime. Não é o caso desta vez. Arrogante,
o terrorista não demonstra arrependimento por seu ato bárbaro,
que justifica como uma vingança contra a repressão do governo
a grupos radicais de extrema direita. Nas últimas semanas, passou
a ironizar a execução, "um suicídio assistido pelo
Estado". Até seu pai, Bill McVeigh, admitiu: "Como perdoar alguém
que matou 168 pessoas?". O governo americano fez um sorteio entre os familiares
das vítimas interessados em assistir à agonia do assassino.
Trinta estarão no presídio. Outros 250 vão acompanhar
a execução em Oklahoma por um circuito fechado de TV. Será
a maior platéia desde que as execuções públicas
foram suspensas, em 1936.
Doido para se tornar um mártir para outros alucinados de extrema
direita, McVeigh chegou a propor que sua morte seja transmitida para todo
o país. Um site de internet tentou, em vão, autorização
da Justiça para mostrar a execução on-line. Com suas
bravatas e ironias, McVeigh deixou numa situação embaraçosa
o barulhento lobby contrário à pena de morte, que vinha
propondo um debate revisionista baseado em argumentos técnicos.
O surgimento de recursos modernos de investigação, como
os testes de DNA, além de falhas processuais, já levou a
Justiça a reverter 93 condenações à morte,
colocando em xeque a eficiência do sistema. Hoje, dezesseis dos
38 Estados americanos que a adotam estudam reavaliá-las.
A pesquisa mais recente mostra que 67% dos americanos permanecem favoráveis
à pena de morte. Em 1994 eram 80%. Mas com McVeigh a história
é diferente: 71% acham que ele deve morrer. Mesmo porque teve direito
a se defender num julgamento público e não há dúvida
quanto a sua culpa. Essa é a diferença entre a pena de morte,
uma condenação polêmica mas prevista na legislação,
e a justiça com as próprias mãos, dos fuzilamentos
sumários em países pouco atentos aos procedimentos judiciais.
A ferida aberta por McVeigh explica a postura irredutível dos americanos
quanto à execução. O atentado de Oklahoma ocorreu
na manhã de 19 de abril de 1995. McVeigh estacionou uma caminhonete
alugada com 2.000 quilos de explosivos na garagem do prédio do
governo. Acionou a bomba, saiu a pé tranqüilamente e, enquanto
virava a esquina, o edifício desmoronava. Preso dois dias depois,
assumiu a responsabilidade pelo ataque, mas fechou-se em silêncio.
Guardou os detalhes para o plano que bolou para forjar a imagem de herói
de uma causa insana. Primeiro, recusou-se a apelar da condenação.
Depois, contou sua versão num livro lançado oportunamente
há um mês, que virou best-seller. Nele, destila seu ódio
paranóico contra o governo, assegura ter agido sozinho e não
mostra arrependimento nem por ter causado a morte de dezenove crianças
de uma creche, "um efeito colateral que ofuscou a minha causa".
Os americanos ainda se perguntam como um jovem de família de classe
média, que teve amigos e namoradas, se transformou num terrorista
cruel. Seu perfil em nada lembra o dos fanáticos taciturnos que
promovem matanças sem nenhum motivo em lugares distantes, como
o Oriente Médio. O governo americano, porém, está
preocupado com a possibilidade de vingança após a execução.
"Temos evidências de que grupos radicais pretendem realizar atos
terroristas como forma de protesto pela morte de McVeigh. Para esses grupos,
a morte dele é a prova final de que o governo não tem jeito",
disse a VEJA o especialista Bruce Hoffman, autor do livro Inside Terrorism
(Por Dentro do Terrorismo).

VEJA também |
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Dos
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Confissões do assassino |
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Reportagem
de VEJA de 04/04/2001 sobre as confissões do terrorista
de Oklahoma |
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