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A muamba dá
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Maurilio Clareto/AE![]() Problema dobrado: mafiosos estão por trás dos sacoleiros |
Os esforços do governo para conter a criminalidade ligada ao contrabando e às remessas ilegais de dólares na fronteira com o Paraguai foram enormes nos últimos anos. Foi sancionada uma lei para combater a lavagem de dinheiro. A utilização das chamadas contas CC-5 foi proibida e criou-se uma repartição pública para receber denúncias sobre movimentações financeiras suspeitas. Grandes operações policiais provocaram baixas pesadas na delinqüência. A descoberta de máfias envolvidas na lavagem de dinheiro e remessas ilegais resultou na abertura de mais de 250 inquéritos e na identificação de 5.000 pessoas envolvidas com esses crimes. Imaginou-se que o banditismo financeiro havia levado um baque. Estudo recente das autoridades de Foz do Iguaçu, no Paraná, revelou um cenário desolador. Os bandidos já encontraram formas de burlar as novas barreiras. Com o fechamento das casas de câmbio usadas em operações ilegais o grosso dos negócios foi transferido para bingos e imobiliárias. O volume de operações suspeitas envolvendo casas desses ramos aumentou quarenta vezes nos últimos dois anos.
Outra nova preocupação das autoridades é o surgimento de máfias poderosas por trás do transporte de muamba aparentemente inofensiva. Metade dos CDs piratas vendidos no Brasil passa pela fronteira em Foz do Iguaçu. Quase 100% do cigarro contrabandeado atravessa o mesmo caminho. As investigações indicam que atrás das formiguinhas empregadas nesse comércio há grupos de bandidos com atuação no tráfico de drogas e em grandes esquemas internacionais. Relatos da Receita Federal mostram que as máfias atuam na distribuição de grandes quantidades de mercadorias ilegais através do financiamento dos pequenos traficantes. As autoridades têm a impressão de que a chegada desses grupos organizados fez o problema dobrar de tamanho: além de enfrentar a tradicional perda de receitas fiscais, o governo agora está diante de organizações criminosas com forte poder de fogo.
Do lado das receitas, os estudos mostram que o Brasil perde quase 10 bilhões de reais por ano em impostos em decorrência do contrabando que entra pela região de Foz do Iguaçu. De sobra, o comércio de CDs, produtos eletrônicos e cigarros abre o caminho para a circulação de drogas e armas (além, é claro, dos carros roubados). Grande parte dos armamentos que equipam as quadrilhas do Rio de Janeiro e das drogas distribuídas em São Paulo e no Rio de Janeiro cruza a região. Sabe-se que no mundo do tráfico uma das principais dificuldades dos bandidos é abrir rotas comerciais seguras. O tráfico de drogas na Colômbia aproveitou o caminho aberto pelos traficantes de pedras preciosas. No Brasil, sem saber, os antigos sacoleiros acabaram abrindo passagem para os mafiosos.
Cidades com as características de Foz do Iguaçu são uma fonte constante de dor de cabeça para as autoridades em qualquer lugar do mundo. "Aqui em Foz os bandidos fazem quase tudo que querem", diz o delegado Luiz Carlos de Oliveira O problema dos americanos fica na divisa de San Diego, na Califórnia, com a paupérrima cidade de Tijuana, no México. Lá, a situação é tão dramática que a região serviu de ambiente para um filme de Hollywood sobre o submundo do crime. Segundo as autoridades, o crime prospera nesses lugares porque a lógica está a favor dos delinqüentes. A probabilidade de uma pessoa ser parada pela polícia na fronteira em Foz é de uma em quarenta. Pela experiência, os bandidos sabem que, por mais que se esforce, a polícia sempre estará em grande desvantagem numérica. Todos os dias mais de 40.000 pessoas atravessam a Ponte da Amizade.
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Capital do contrabando Foz do Iguaçu é a porta por onde entra grande parte das mercadorias ilegais que circulam pelo Brasil.
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