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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Eles voltaram

Usineiros definham na economia,
mas mantêm poder na política

Depois de séculos como motor da economia local, a cultura do açúcar na Região Nordeste entrou em colapso na década de 80. Hoje perde importância até para as plantações de flores. Politicamente, no entanto, os usineiros ainda são capazes de exibir uma vitalidade impressionante. Nas duas últimas semanas eles conseguiram marcar dois pontos incríveis. Primeiro: o governo anunciou que aceita aumentar a mistura de álcool na gasolina, uma antiga reivindicação. Segundo: eles ressuscitaram a discussão sobre os subsídios para a cana do Nordeste.

O programa de subsídios foi suspenso dois anos atrás, depois que se descobriu que, em muitos casos, o dinheiro não era usado nas plantações de cana, e sim para aumentar o patrimônio pessoal dos usineiros. No último mês, três ministros se envolveram diretamente nessa discussão. O assunto foi parar no Gabinete Civil da Presidência. Poucos grupos econômicos são capazes de chegar tão longe.

Atender os produtores pode custar uma bolada. O aumento do álcool na gasolina produziria um efeito positivo de 12% no orçamento das usinas sem prejuízo para o governo. Mas, no caso dos subsídios, a história é outra. Estima-se que a conta dos atrasados chegue a mais de 500 milhões de reais. Se é que serve de consolo, esse tipo de descompasso entre o poder político e a importância econômica não é uma especialidade nacional. Nos Estados Unidos, o fenômeno é exatamente o mesmo com os produtores de laranja da Flórida, que sobrevivem graças ao protecionismo governamental.

 
 
   
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