Eles voltaram
Usineiros definham
na economia,
mas mantêm poder na política
Depois de
séculos como motor da economia local, a cultura do açúcar
na Região Nordeste entrou em colapso na década de 80. Hoje
perde importância até para as plantações de
flores. Politicamente, no entanto, os usineiros ainda são capazes
de exibir uma vitalidade impressionante. Nas duas últimas semanas
eles conseguiram marcar dois pontos incríveis. Primeiro: o governo
anunciou que aceita aumentar a mistura de álcool na gasolina, uma
antiga reivindicação. Segundo: eles ressuscitaram a discussão
sobre os subsídios para a cana do Nordeste.
O programa
de subsídios foi suspenso dois anos atrás, depois que se
descobriu que, em muitos casos, o dinheiro não era usado nas plantações
de cana, e sim para aumentar o patrimônio pessoal dos usineiros.
No último mês, três ministros se envolveram diretamente
nessa discussão. O assunto foi parar no Gabinete Civil da Presidência.
Poucos grupos econômicos são capazes de chegar tão
longe.
Atender
os produtores pode custar uma bolada. O aumento do álcool na gasolina
produziria um efeito positivo de 12% no orçamento das usinas sem
prejuízo para o governo. Mas, no caso dos subsídios, a história
é outra. Estima-se que a conta dos atrasados chegue a mais de 500
milhões de reais. Se é que serve de consolo, esse tipo de
descompasso entre o poder político e a importância econômica
não é uma especialidade nacional. Nos Estados Unidos, o
fenômeno é exatamente o mesmo com os produtores de laranja
da Flórida, que sobrevivem graças ao protecionismo governamental.
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