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Bons amigos
Itamar se alia
a Collor,
Newtão e, agora, a Quércia
| Fotos Orlando Brito/Nelio
Rodrigues/Sergio Amaral |
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| Os
novos e velhos correligionários do governador de Minas Gerais |
Em 34 anos
de vida pública, Itamar Franco ocupou os cargos mais importantes
do Executivo e do Legislativo. Foi prefeito, passou pelo Senado, pela
Presidência da República e atualmente governa Minas Gerais,
o terceiro Estado mais rico da federação, atrás apenas
de São Paulo e Rio de Janeiro. Do ponto de vista político,
possui uma carreira das mais bem-sucedidas no país. Sob o aspecto
moral, notabilizou-se por ser uma pessoa inatacável. Seu patrimônio
conhecido é absolutamente compatível com os rendimentos
que auferiu na vida pública dado dos mais significativos,
ainda mais num momento como este. É curioso observar que Itamar
foi capaz de construir essa biografia imaculada associando sua trajetória
a alguns políticos altamente enrolados.
Roberto Jayme

O virtuoso:
para os eleitores o governador mineiro é sinônimo de
ética e honestidade |
Por indicação do senador Renan Calheiros, Itamar aceitou
ser vice na chapa que levou Fernando Collor à Presidência.
Pode-se dizer em sua defesa, nesse caso, que todos foram enganados, correligionários
e eleitores. Mas o governador foi reincidente. Quando disputou o governo
de Minas, escolheu para vice um antigo rival do PMDB, Newton Cardoso.
Newtão, como é conhecido na política local, é
homem de rara habilidade. Aos 62 anos de idade, Newtão é
um dos homens mais ricos de Minas Gerais. Embora tenha dedicado a vida
à política, construiu um patrimônio admirável.
Possui dezoito fazendas e sete empresas registradas em seu nome e no de
familiares. Entre elas, uma companhia de táxi aéreo, uma
siderúrgica e uma mineradora. Grande parte desses bens, segundo
adversários, teria sido amealhada por meio de maracutaias. Toda
sua carreira política foi permeada por esse tipo de acusação.
No final
do mês passado Itamar trocou afagos com outro político de
currículo interessante. Mandou avisar o seguinte: "Se votasse em
São Paulo, votaria em Quércia". Como Newtão, Quércia
é conhecido por seu talento para ampliar seus negócios mesmo
dedicando seu tempo à política. Itamar encontrou-se com
o ex-governador paulista durante um evento contra a privatização
do setor energético, na Assembléia Legislativa de São
Paulo. Na oportunidade, chegou a interromper seu discurso para anunciar
a presença de Quércia. Esses três bons amigos, até
o momento, não produziram um único arranhão na carreira
de Itamar. Ao contrário. Tome-se o caso de Fernando Collor. Se
tivesse sido vice de qualquer outro presidente, talvez conseguisse a mesma
projeção nacional de Marco Maciel.
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