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Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
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Bons amigos

Itamar se alia a Collor,
Newtão e, agora, a Quércia

 

Fotos Orlando Brito/Nelio Rodrigues/Sergio Amaral
Os novos e velhos correligionários do governador de Minas Gerais

Em 34 anos de vida pública, Itamar Franco ocupou os cargos mais importantes do Executivo e do Legislativo. Foi prefeito, passou pelo Senado, pela Presidência da República e atualmente governa Minas Gerais, o terceiro Estado mais rico da federação, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Do ponto de vista político, possui uma carreira das mais bem-sucedidas no país. Sob o aspecto moral, notabilizou-se por ser uma pessoa inatacável. Seu patrimônio conhecido é absolutamente compatível com os rendimentos que auferiu na vida pública – dado dos mais significativos, ainda mais num momento como este. É curioso observar que Itamar foi capaz de construir essa biografia imaculada associando sua trajetória a alguns políticos altamente enrolados.


Roberto Jayme

O virtuoso: para os eleitores o governador mineiro é sinônimo de ética e honestidade


Por indicação do senador Renan Calheiros, Itamar aceitou ser vice na chapa que levou Fernando Collor à Presidência. Pode-se dizer em sua defesa, nesse caso, que todos foram enganados, correligionários e eleitores. Mas o governador foi reincidente. Quando disputou o governo de Minas, escolheu para vice um antigo rival do PMDB, Newton Cardoso. Newtão, como é conhecido na política local, é homem de rara habilidade. Aos 62 anos de idade, Newtão é um dos homens mais ricos de Minas Gerais. Embora tenha dedicado a vida à política, construiu um patrimônio admirável. Possui dezoito fazendas e sete empresas registradas em seu nome e no de familiares. Entre elas, uma companhia de táxi aéreo, uma siderúrgica e uma mineradora. Grande parte desses bens, segundo adversários, teria sido amealhada por meio de maracutaias. Toda sua carreira política foi permeada por esse tipo de acusação.

No final do mês passado Itamar trocou afagos com outro político de currículo interessante. Mandou avisar o seguinte: "Se votasse em São Paulo, votaria em Quércia". Como Newtão, Quércia é conhecido por seu talento para ampliar seus negócios mesmo dedicando seu tempo à política. Itamar encontrou-se com o ex-governador paulista durante um evento contra a privatização do setor energético, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Na oportunidade, chegou a interromper seu discurso para anunciar a presença de Quércia. Esses três bons amigos, até o momento, não produziram um único arranhão na carreira de Itamar. Ao contrário. Tome-se o caso de Fernando Collor. Se tivesse sido vice de qualquer outro presidente, talvez conseguisse a mesma projeção nacional de Marco Maciel.

 
 
   
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