Edição 1 635 - 9/2/2000

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LIVROS


Modelo de
Versace:
intimidade com o pop
Série Universo da Moda, vários autores (tradução de Eloisa Araújo Ribeiro; Cosac & Naify; 29 reais cada volume) — Esta coleção francesa traça um divertido panorama da alta-costura no século XX, com seus reflexos nas roupas do dia-a-dia e nos próprios costumes. Cada livro é dedicado a um estilista e reúne em média cinqüenta fotografias de suas criações. Em vez de apenas mostrar figurinos, essas fotos procuram reproduzir o universo de cada costureiro. No volume dedicado ao italiano Gianni Versace, por exemplo, que gostava de circular pelo mundo da música pop, alguns de seus modelos são envergados por Elton John e Prince. Já aquele dedicado à francesa Coco Chanel usa flagrantes seus nos salões parisienses, para deixar ainda mais evidente que ela foi uma das mulheres mais chiques de todos os tempos. Cada livro é acompanhado de uma avaliação da trajetória do estilista. Alguns desses textos soam um pouco pretensiosos, mas mesmo assim trazem informações curiosas. Fica-se sabendo que, quando o presidente americano John Kennedy foi assassinado, um mal-estar percorreu a maison Chanel: em suas primeiras fotos como viúva, ainda com lágrimas nos olhos, Jacqueline aparecia envergando um tailleur da grife. Péssima propaganda.

DISCOS

Livid, Blondie (Beyond/BMG) — Madonna não foi a primeira pop star americana a combinar inteligência e sexo. No final dos anos 70, a cantora Debbie Harry conquistava o público pelo cérebro e pelo coração. À frente do grupo de rock Blondie, que se tornou o símbolo do movimento chamado new wave, ela passeava com maestria por ritmos como punk, funk, reggae e rap. Trajava apenas um minúsculo baby-doll. A diferença é que a música do Blondie era muito superior à de Madonna. Este CD, gravado ao vivo durante a turnê que marcou a volta do conjunto no ano passado, mostra que o talento e o poder de sedução de Debbie se mantêm intactos. Ela ostenta alguns quilinhos a mais, mas sua voz ainda brilha em canções que marcaram época, como Heart of Glass, Dreaming e The Tide Is High.

 

Fuzzy, Grant Lee Buffalo (London/ WEA) — Este disco, lançado nos Estados Unidos em 1993 e só agora no Brasil, entrou para a história como uma das melhores estréias de uma banda de rock. O trio californiano Grant Lee Buffalo, apesar da forte inspiração country, não era formado por cowboys de botas e chapelão. Suas maiores influências eram o grupo The Byrds e o compositor Neil Young, que casaram as melodias do Oeste com a rebeldia do rock. Fuzzy alterna canções pesadas e rocks áridos. As letras de Grant Lee Phillips incluem citações de personagens da história americana, como o gângster Al Capone. Por causa desse recurso, Phillips chegou a ser comparado a Bob Dylan. Tais elogios se provaram exagerados. O Grant Lee Buffalo terminou no ano passado, sem nunca ter repetido o sucesso da estréia. Mas Fuzzy permanece como um dos grandes álbuns de sua época.

VÍDEO

Ed TV (Edtv, Estados Unidos, 1999) — O sucesso de O Show de Truman ofuscou esta boa produção, que trata de tema semelhante: um sujeito tem sua vida acompanhada por câmaras de televisão 24 horas por dia. A diferença é que o protagonista desta comédia (vivido por Matthew McConaghey) sabe que é o astro do insólito programa, e ganha um bom dinheiro por isso. O difícil, como ele não demora a descobrir, é dar um basta na situação quando ela se torna insustentável. O diretor Ron Howard (de Apollo 13) aproveita para satirizar a sede de celebridade que acomete a sociedade moderna e também para distribuir alfinetadas na mídia.

TELEVISÃO


Easton Ellis: opiniões provocadoras do escritor americano

Profiles: Bret Easton Ellis
(sábado, à 1h30, com reapresentações, no Film & Arts) — No começo dos anos 90, Bret Easton Ellis fez furor com o romance O Psicopata Americano. O protagonista da história era um ricaço de Wall Street cujos maiores prazeres eram o consumo de objetos de grife e o assassinato de mulheres com requintes de crueldade. Embora seus romances seguintes não tenham repetido o êxito do primeiro, Ellis continua sendo uma das personalidades mais polêmicas da nova geração de escritores americanos. Vale a pena conferir, neste programa, suas opiniões provocadoras sobre assuntos como drogas, a cultura pop e o mundo da moda.