Edição 1 635 - 9/2/2000

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Funcionalismo

Ordem na casa

Lei que tira privilégios do funcionalismo é aprovada

Com todas as resistências que enfrenta no Congresso, a reforma do Estado está dando frutos espantosos. Há duas semanas, a Câmara aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal, um instrumento revolucionário capaz de punir o político que gasta mais do que arrecada e dá empregos em excesso. Na semana passada, foi a vez de outra medida de grande impacto. O Senado aprovou uma lei que estende para os servidores públicos normas de aposentadoria idênticas às dos trabalhadores das empresas privadas. Isso significa que o funcionário contratado a partir da vigência da lei não poderá mais contar, na aposentadoria, com o benefício do vencimento superior ao do tempo da ativa. O benefício máximo será de 1.255 reais, o mesmo pago pela Previdência, a preços de hoje, à turma da Consolidação das Leis do Trabalho, CLT. A mesma lei abre espaço para o governo, os Estados e as prefeituras demitirem funcionários que tenham mais de um emprego público ou apresentem desempenho insatisfatório. Também está prevista a possibilidade de redução de quadros em caso de excesso de pessoal. São passos cruciais para o país alcançar o equilíbrio das contas públicas.

 

Os cofres oficiais pagam por ano mais de 40 bilhões de reais em aposentadorias a 3 milhões de funcionários públicos. É um fardo e tanto. Compare: o Brasil gasta apenas 50% mais do que isso, 60 bilhões, para sustentar um número seis vezes maior de aposentados da iniciativa privada. A aprovação da nova lei pelo Senado é um passo importante para começar a tapar o rombo da Previdência no Brasil. E acabar com esse rombo equivale a fechar a principal fonte da falência financeira do governo.