Congresso
Gol contra
Deputado que contratou time de futebol
é condenado
Sandra Brasil
Gomes da Rocha pagava jogadores do Itumbiara com
verba da Câmara |
O deputado José Gomes da Rocha, do PMDB de Goiás,
pode ser o primeiro parlamentar da História a perder
o mandato por decisão da Justiça. Na semana
passada, ele foi condenado por improbidade administrativa
e pode ser obrigado a ficar até oito anos sem se candidatar
a cargo público algum. O crime: montar uma equipe de
craques em seu gabinete uma equipe, explique-se, de
futebol. Há dois anos, o deputado contratou como assessores
seis jogadores do Itumbiara Esporte Clube, um timeco do interior
de Goiás que disputou em 1997 a terceira divisão
do Campeonato Brasileiro. Zé Gomes, como é conhecido
nos meios esportivos, vai ter de devolver todo o dinheiro
que gastou indevidamente e ainda pagar uma multa de 84
.000
reais. O deputado ficou surpreso com a virada de mesa e anunciou
que vai recorrer. A Corregedoria da Câmara, que na época
chegou a instaurar uma investigação, acabou
arquivando o processo de cassação contra o deputado.
Os parlamentares recebem verba de 20.000
reais por mês para pagar a seus funcionários.
Contratam secretárias, contínuos, motoristas,
advogados, jornalistas e técnicos em várias
áreas. Muitos, é verdade, preferem gastar
a verba pagando salários a parentes que nem sempre
aparecem para trabalhar. Houve até o caso do deputado
licenciado Wigberto Tartuce, do PPB do Distrito Federal,
que usava a verba para pagar a jardineiros, copeiros e outros
profissionais que trabalham em sua residência. Agora,
manter um time de futebol com dinheiro do contribuinte a
mais de 400 quilômetros de Brasília foi uma
cartolada de fazer inveja. Além dos seis craques,
Zé Gomes, que era presidente do clube, aproveitou
para contratar também as esposas dos jogadores. Não
é preciso dizer que nem os craques nem suas distintas
senhoras apareciam para trabalhar. O deputado acha que não
fez nada de mais. Muito pelo contrário. A verba de
gabinete, segundo ele, serve para pagar a assessores que
ficam à disposição do parlamentar,
estejam eles lotados num escritório ou concentrados
num campo de futebol. Os jogadores e suas esposas estariam
cumprindo uma função de imenso alcance social,
acha o parlamentar. Como o clube não precisava pagar
salários, já que o contribuinte fazia isso
em seu lugar, também não cobrava ingresso
nos jogos. Os torcedores ficavam felizes com a entrada grátis
e o deputado garantia a próxima eleição.
Zé Gomes, apesar do escândalo, conseguiu reeleger-se
em 1998, mas corre o risco de perder o mandato por decisão
de juiz. Não de futebol, é claro.