Edição 1 635 - 9/2/2000

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Absolvida: a top model inglesa Naomi Campbell, de 29 anos. Em 1998, Georgina Galanis, assistente da modelo durante a realização de um filme no Canadá, acusou Naomi de agressão. Em um de seus inúmeros ataques de nervos, Naomi teria agarrado Georgina pelo pescoço e golpeado sua cabeça com um telefone. Como a modelo se declarou culpada das agressões, ela recebeu a absolvição. Contou também o fato de, no ano passado, Naomi ter-se internado por quase um mês em um clínica americana para aprender a controlar a agressividade. Sem o prestígio do início da carreira, poucos dias antes da decisão da Justiça canadense, a supermodelo anunciou que abandonará as passarelas de Nova York e Londres, para as quais não foi chamada na última temporada de desfiles. Dia 2, em Toronto.

Operado: o príncipe Rainier, de Mônaco. Aos 76 anos, foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pulmão. O resultado da biópsia que apontaria a natureza do nódulo não havia saído até sexta-feira passada. Dia 2, em Mônaco.

Nomeado: embaixador da Boa Vontade da ONU, o atacante brasileiro Ronaldo, de 23 anos. Além da participação em eventos beneficentes, o jogador da Inter de Milão cederá sua imagem para campanhas contra a fome. Dia 1º, em Genebra, Suíça.

Ganhou: sete prêmios no Festival de Goya, o mais importante do cinema espanhol, o cineasta Pedro Almodóvar, de 48 anos. O filme Tudo sobre Minha Mãe, de 1999, recebeu quinze indicações. A fita deverá concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano. Dia 30, em Barcelona, na Espanha.

Condenado: a dois anos de prisão, por corrupção passiva, o ex-ministro do Trabalho Antônio Rogério Magri. Durante o governo Collor, em uma conversa gravada por um assessor, ele disse ter recebido 30 000 dólares para liberar recursos do ministério para uma obra de saneamento no Acre. Dia 31, em Brasília.

Eduardo Albarello
João Gordo: insuficiência respiratória


Internado:
com insuficiência respiratória aguda, o apresentador da MTV e vocalista da banda de punk rock Ratos do Porão, João Francisco Benedam, o João Gordo, de 35 anos. Por causa de uma bronquite infecciosa, ele havia perdido 50% de sua capacidade respiratória. A gravidade do quadro deve-se à obesidade e ao tabagismo. Antes da internação, o roqueiro pesava 211 quilos. Em menos de uma semana, perdeu 15. Apesar da melhora de seu estado, na última sexta-feira ainda não havia previsão de alta da unidade de tratamento intensivo. Dia 29, em São Paulo.

Indiciados: por crime de peculato, o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. Na quarta-feira 2, Lopes se negou a prestar depoimento à Polícia Federal sobre a operação de socorro prestada pelo BC aos bancos Marka e FonteCindam em janeiro de 1999, durante a crise cambial. No dia seguinte, foi a vez do ex-dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, e da ex-diretora jurídica da instituição, Cinthia Costa e Souza. Cacciola é acusado de gestão fraudulenta e co-autoria de peculato. Cinthia, por co-autoria de peculato. No Rio de Janeiro.

Morreram: o ex-senador Jutahy Magalhães. Apesar de carioca, ele construiu toda a carreira política na Bahia, para onde se mudou ainda criança com a família. Iniciou a vida pública como vereador da Ilha de Itaparica, aos 30 anos, e elegeu-se deputado estadual em 1962. Em 1971, quando era vice-governador da Bahia, rompeu com o então governador Antonio Carlos Magalhães. Com isso, tornou-se um dos principais adversários políticos do atual presidente do Senado. Defensor do parlamentarismo, negou apoio à legalização do Partido Comunista Brasileiro e sempre se pronunciou a favor da reforma agrária. Depois de passar pelo PMDB, em 1990, filiou-se ao PSDB. Dia 31, aos 70 anos, de câncer de fígado, em Salvador.

o mestre chinês Liu Pai Lin, precursor do tai chi chuan no Brasil. Começou a treinar aos 7 anos com o avô. Aos 17 anos, entrou para o Exército chinês e, aos 34, chegou a general. Em 1975, ao visitar uma filha na capital paulista, decidiu ficar no país. Dia 3, aos 94 anos, de causas naturais, em São Paulo.

Venceu: o Aberto da Austrália, o tenista americano Andre Agassi, de 29 anos. Número 1 do mundo, ele derrotou o russo Yevgeny Kafelnikov por 3 sets a 1. Com a vitória, sobe para seis o número de títulos que conquistou em torneios do Grand Slam, os mais importantes do mundo. Dia 30, em Melbourne.

 

Cai o pano

Frederic Jean
Prado: vida ligada ao teatro

Depois de quase seis décadas de serviços prestados ao teatro brasileiro, como crítico profissional e estudioso, o paulista Décio de Almeida Prado morreu no último dia 4, aos 82 anos, vítima de infarto. Prado estreou na crítica em 1940, numa revista fundada com amigos. Depois passou 22 anos escrevendo para o jornal O Estado de S. Paulo. Nesse posto, ajudou a implantar uma revolução nos palcos, incentivando atores e diretores a abandonar a tradição agonizante das comédias de costumes e partir para vôos mais altos. Em 1968, ele trocou de vez o jornal pela universidade. Coroou sua extensa produção lançando, no ano passado, História Concisa do Teatro Brasileiro. Membro de família tradicional, aluno das primeiras turmas da Universidade de São Paulo, Prado era conhecido por sua enorme gentileza. Nos últimos anos, não ia ao teatro. Temia por sua saúde frágil, mas também não via em cartaz nada que o empolgasse. Preferia ficar em casa lendo e assistindo a jogos de futebol, sua outra paixão.


 

O pequeno órfão

Fama Filmes
Pablito, no filme: lágrimas


No cinema repleto de lágrimas da Europa do pós-guerra, poucos filmes fizeram a platéia chorar com tanto gosto quanto o espanhol Marcelino, Pão e Vinho, de 1954. Dirigida por Ladislao Vajda, um húngaro exilado na Espanha, a fita contava a história de um órfão encontrado na porta de um mosteiro. O pequeno Marcelino se apega a uma imagem de Cristo, à qual oferece todos os dias pão e vinho. Em recompensa à devoção do menino, Jesus leva Marcelino ao encontro da mãe – no céu. Sem o jeito ingênuo e cativante de Pablito Calvo, no papel principal, o filme dificilmente teria feito tanto sucesso, a ponto de se tornar uma espécie de cult católico. Pablito tinha 5 anos quando foi escolhido para protagonista da fita. Em 1955, ganhou uma menção especial do júri do Festival de Cannes. O garoto fez ainda outros sete filmes, até 1962. Nos últimos, teve de ser dublado por uma mulher para esconder a voz que mudava. Formado em engenharia industrial, nos últimos anos dedicava-se aos negócios imobiliários e hoteleiros na cidade de Torrevieja, na costa espanhola. Dizia não ter saudade dos tempos de ator. Na terça-feira passada, Pablito morreu vítima de um aneurisma cerebral. Tinha 50 anos. Como era de seu desejo, o corpo foi cremado e as cinzas jogadas no mar.