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8 de agosto de 2007
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Os homens fofocam tanto quanto as mulheres,
o que muda é o conteúdo de suas maldades


Rosana Zakabi

Daniel Aratangy

O médico Memorino Melo: "Eu e meus amigos gostamos muito de falar da vida alheia"

Os homens se divertem em classificar as mulheres como irrecuperáveis fofoqueiras, sempre prontas a se reunir ou correr ao telefone para comentar a vida alheia. Para eles, a fofoca, essa instituição tão antiga quanto o primeiro agrupamento de Homo sapiens, é uma característica eminentemente feminina. É bom os homens começarem a rever suas opiniões sobre esse assunto. Uma série de pesquisas realizadas nos últimos meses por universidades americanas, como a da Virgínia, e inglesas, como a de Leicester, chegou a resultados muito parecidos a respeito de quem cultiva o exercício da intriga e do fuxico. Os pesquisadores concluíram que os homens são tão fofoqueiros quanto as mulheres – ou até mais que elas. O mais recente desses estudos, divulgado há três semanas pelo Social Issues Research Centre, um centro de pesquisas independente de Londres, entrevistou 1.000 donos de telefones celulares, entre homens e mulheres, perguntando-lhes que tipo de conversa costumam manter em seus aparelhos e em que ocasiões. A conclusão foi que 33% dos homens do grupo eram fofoqueiros contumazes, contra apenas 26% das mulheres.

A diferença entre a fofoca masculina e a feminina, apontam os estudos, está no conteúdo. Os homens, mais competitivos por natureza, geralmente fofocam sobre o ambiente de trabalho. Comentam sobre a possibilidade de promoção dos colegas e dos chefes – e também sobre suas gafes e comportamentos inadequados. O que está em jogo, por trás dessas intrigas, é quem vai vencer na carreira e quem vai ficar no meio do caminho. As mulheres preferem fofocar com as amigas e parentes, e seus temas prediletos são os relacionamentos, tanto os próprios quanto os alheios. "Os dois gêneros têm em comum o fato de comentarem muito sobre a aparência de pessoas do sexo oposto", disse a VEJA Jack Levin, sociólogo da Northeastern University, de Boston, e co-autor do livro Gossip: The Inside Scoop (Fofoca: por Dentro das Novidades).

Levin chama atenção para o fato de que, se por um lado a fofoca pode ser negativa e destruir reputações, por outro é um instrumento poderoso para entender o ambiente em que se vive e adaptar-se a ele. "Num escritório, por exemplo, é através das conversas no cafezinho que o novo funcionário fica sabendo como é o clima no local, em quem se pode confiar, como é a política de promoções, se a moça atraente da mesa ao lado é comprometida, e assim por diante", afirma o sociólogo. O clínico geral Memorino Melo, de São Paulo, confirma esse aspecto positivo da fofoca. Diz ele: "Eu e meus amigos gostamos muito de falar da vida alheia, mas não necessariamente falamos mal das pessoas. Muitas vezes os comentários coletivos ajudam a entender a personalidade de quem se está falando". Segundo os especialistas em comportamento, a percepção de que a fofoca é apenas da natureza feminina é uma herança dos tempos em que as mulheres não trabalhavam. Restritas ao limitado universo doméstico, o assunto recorrente de suas conversas era a relação com seus maridos. Estes, na defensiva, menosprezavam as conversas das mulheres sobre eles como sendo fofocas sem importância. No mundo de hoje, em que a teia de relacionamentos se tornou infinitamente maior e mais complexa, a fofoca não conhece gênero.

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