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Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
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CINEMA

Divulgação
O Barato...: maconha no jardim


O Barato de Grace
(Saving Grace, Inglaterra, 2000. A partir de sexta-feira em cartaz em São Paulo e no Rio) – Viúva e falida, a simpática Grace (Brenda Blethyn) não vê outra saída para seus problemas de caixa a não ser dar um uso lucrativo ao seu talento para a jardinagem. A planta que ela escolhe – a maconha – tem mercado garantido. O detalhe é que esse tipo de agricultura pode dar cadeia, e Grace carece de experiência com o mundo das atividades ilegais. A seu favor, ela tem a ajuda de seu jardineiro, a cumplicidade dos vizinhos e a proteção dos roteiristas, bem mais interessados em explorar o talento de Brenda (que foi indicada ao Oscar por Segredos e Mentiras) do que em pregar o uso de drogas. Na mesma linha do sucesso Ou Tudo ou Nada, essa comédia tira partido das excentricidades e da proverbial tolerância dos ingleses. O resultado é despretensioso e agradável.

 

LIVROS

Visões do Futuro, de Michio Kaku (tradução de Maria Luiza Borges; Rocco; 458 páginas; 50 reais) – Apontado como um novo Carl Sagan, o físico americano Michio Kaku é um especialista em traduzir temas fascinantes e intrincados da ciência para uma linguagem acessível. Nesse curioso Visões do Futuro, ele usa essa habilidade num exercício arriscado: a futurologia. Kaku tece suas especulações embasado na opinião de dezenas de cientistas – entre os quais, vários ganhadores do Nobel. Com texto fluente, o autor mostra como os avanços da genética, informática e outras áreas poderão afetar a vida no século XXI.

Por uma Linha Telefônica, de Andrea Camilleri (tradução de Giuseppe D'Angelo e Maria Helena Kühner; Bertrand Brasil; 272 páginas; 38 reais) – Deve-se ao italiano Camilleri a invenção de um tipo impagável: o comissário Montalbano, herói de policiais como O Cão de Terracota. Mas também vale a pena ler as obras do autor que não trazem esse personagem. É o caso de Por uma Linha Telefônica, uma sátira à burocracia. O livro é uma colagem de decretos, memorandos, bilhetes confidenciais e diálogos travados por autoridades, figurões e cidadãos fictícios da Sicília em fins do século XIX. A partir da carta em que um comerciante pede a instalação da linha telefônica do título, desenrolam-se as confusões mais rocambolescas, que envolvem até a Máfia.

 

DISCOS

Swing & Samba-Rock, Clube do Balanço (Regata Música) – Difundido pelo cantor e compositor Jorge Ben Jor nas décadas de 60 e 70, o samba-rock (ou suingue, como prefere chamar seu criador) volta a ser uma aposta das gravadoras. Trata-se de um samba com fartas influências do iê-iê-iê, que começa a dominar as pistas de dança de São Paulo e do Rio de Janeiro. O selo independente Regata decidiu investir na tendência e lançar o disco de estréia do Clube do Balanço. Liderado pelo paulistano Marco Mattoli, o grupo toca hits do gênero e canções próprias em arranjos perfeitos para chacoalhar o esqueleto. A presença de convidados como Simoninha e Paula Lima ajuda a manter o clima nas alturas.

Blowback, Tricky (Sum Records) – O rapper inglês é um dos patronos do trip hop, gênero que adicionava melodias etéreas e doses de melancolia britânica às batidas eletrônicas do hip hop. Mas desde que se mudou para Nova York, em 1996, Tricky tem optado por ritmos mais ensolarados. Blowback conta com a presença de astros do primeiro time do pop internacional, que transformam as criações do rapper em gemas para as rádios-rock. Os integrantes do grupo californiano Red Hot Chili Peppers, por exemplo, põem fogo nas canções Girls e #1 Da Woman. Os melhores momentos do disco trazem Cyndi Lauper e Alanis Morissette em registros vocais bem diferentes daqueles aos quais o público está acostumado. Elas brilham nas canções Five Days e Excess.

 

TELEVISÃO


Melanie, em RKO 281: bom roteiro

RKO 281 (Domingo 5, às 22h, na HBO) – Ganhador de três Emmy e de um Globo de Ouro, esse teledrama focaliza os bastidores do clássico Cidadão Kane, dirigido pelo americano Orson Welles em 1941 e considerado por muitos a maior obra do cinema. Seu fio condutor é o embate de titãs dentro e fora do set de filmagens. De um lado está Welles (Liev Schreiber), que recebe carta branca do estúdio RKO para realizar seu primeiro filme. Na outra ponta, o magnata William R. Hearst (James Cromwell), que tenta impedir o lançamento de Cidadão Kane – já que o personagem era inspirado no próprio Hearst. Além do roteiro bem equilibrado entre os fatos reais e a ficção, RKO 281 beneficia-se das atuações de Melanie Griffith (o que é espantoso) e John Malkovich.

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Durante quase dez anos, a apresentadora Silvia Poppovic ocupou as tardes da Rede Bandeirantes com um programa de debates que, fato raro, nunca descambou para a apelação, mesmo tratando de assuntos pesados, como prostituição e uso de drogas. Ela os trazia para o universo ameno da dona-de-casa, à frente de uma "mesa-redonda" que reunia especialistas, gente famosa e palpiteiros em geral. O programa saiu do ar há mais de dois meses e, oficialmente, Silvia só deve voltar à ativa como âncora de um telejornal, em data ainda incerta. Mas a apresentadora encontrou outro palco para aquelas polêmicas infindáveis: as livrarias. Décimo colocado na lista de mais vendidos de auto-ajuda, Silvia Poppovic e Você (Mandarim; 192 páginas; 20 reais) tem por matéria-prima temas que foram discutidos à exaustão sob seu comando.


João Passos
Silvia Poppovic: melhor na TV


Assim como no programa televisivo, os trinta capítulos do livro exploram tópicos sobre os quais todo mundo sempre tem uma opiniãozinha a dar. Três exemplos: Minha Sogra Destruiu Meu Casamento, Meu Filho É Gay e Orgasmo: Não Consigo Chegar Lá. Silvia parte para o aconselhamento explícito, mas não convence. Especialista naquelas tiradas que não ultrapassam a barreira do senso comum, ela pode até funcionar bem como mediadora de um programa de debates popular. Mas daí a oferecer conselhos ao público há uma distância imensa. Falta-lhe, para começo de conversa, autoridade para poder pontificar com segurança sobre tantos assuntos. É por isso que o livro acaba soando apenas como um falatório chocho. Silvia presta melhor serviço na TV.


Marcelo Marthe

 

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Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.

 

   
 
   
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