Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
Artes e Espetáculos Ensaio
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  Casamento de Fábio Jr. com a Record também balança
O novo CD do grupo adolescente 'N Sync
O beatle George Harrison grava versão de Anna Júlia
Belo engorda conta bancária afastando-se do pagode
Um General na Biblioteca, de Italo Calvino
Mulheres com Homens, de Richard Ford
Final Fantasy
O Círculo: uma produção iraniana

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Roberto Pompeu de Toledo

Samba do
urbanista doido

Ou, talvez, até muito sensato.
A idéia, já que estamos tão
insatisfeitos, é mudar
a cara do Brasil

A São Paulo faz falta um rio. Claro, há o Tietê e o Pinheiros, mas ficam distantes do centro. Não marcam a paisagem como os rios que verdadeiramente cortam as cidades. Ademais, o Tietê e o Pinheiros são rios feios. As águas são sujas e as margens, descuidadas. São Paulo é uma das duas únicas cidades do mundo (a outra, com licença do governador de Minas Gerais, é Juiz de Fora) onde rio é feio. De quebra, as pontes, artefatos capazes de fazer a delícia de qualquer arquiteto de mediano talento, tão propícios se mostram à invenção e à graça, também são feias. Há o Rio Tamanduateí, mais central, mas o leitor já viu – o leitor de São Paulo já terá visto – o que fizeram com o Tamanduateí? Meteram barras transversais de concreto, a 2 ou 3 metros umas das outras, sobre seu leito. É como se o tivessem aprisionado. Essa imagem de um rio no xilindró ilustra à perfeição a relação de São Paulo com as águas em geral, os rios em particular.

A solução? Ei-la: restaurar o Anhangabaú. O Anhangabaú é um dos muitos rios que, de acordo com secular hábito na cidade, foram afogados, se é que a palavra cabe a um ente de natureza líquida. Foi relegado aos subterrâneos para construir uma avenida em cima. Não era lá dos rios mais caudalosos, mas, com as técnicas de hoje, mais a ajuda das chuvas – quando, e se, um dia voltarem –, poderia encorpar. Ele passava bem no centro da cidade, separando o chamado Centro Velho (o da Praça da Sé) do Centro Novo (o da Praça da República). Era – e é ainda – o lugar ideal para um rio cumprir sua dupla função de embelezar e organizar o espaço urbano. Há uma grande vantagem: as pontes já estão prontas, e são bonitas. São os atuais viadutos do Chá e Santa Ifigênia. O rio desfilaria lá embaixo, no hoje chamado Vale do Anhangabaú, a majestade serena que ostentam os rios, quando limpos e sem barras transversais a tratá-los como condenados.

Brasília carece de esquinas, diz o lugar-comum. Não é bem verdade. De que a cidade carece, isso sim, é de um centro. O que hoje passa por centro é a Esplanada dos Ministérios, mas em que consiste isso? Num imenso vazio. Num gramado onde poucos se arriscam, tão inóspito, cansativo de cruzar, monótono. É o anticentro. Centro é lugar de gente, muita gente, bares e lojas. A Esplanada dos Ministérios é um Saara bem onde a capital brasileira, e o Brasil por extensão, deveria pulsar de emoção e vitalidade. Sem sombra de dúvida, este é um dos problemas que nos entravam a vida.

A solução, e já que se falou em Saara, é instalar um suq na Esplanada dos Ministérios. O suq, se o leitor não sabe, é o mercado central nas velhas cidades árabes. Constituído de 1.000 vielas estreitas que, desdobrando-se em outras, vão tecendo um laborioso labirinto, o suq tem vendedores de tudo, de damasco a jóias, de chá de menta a, claro, tapetes. Nada mais animado, nada mais bagunçado e atravancado que um suq. De vez em quando passa um jumento e as pessoas, já espremidas umas contra as outras, adentram as portas para lhe dar passagem. No suq, não tão estranho ao Brasil, pois tem um pouco do arruamento selvagem das favelas, e outro pouco das feiras nordestinas, pelo menos se tem de mercadejar às claras. Seria um progresso e tanto, em Brasília.

Salvador já está bem como está. Limitemo-nos a um modesto pormenor. Paralelo ao Elevador Lacerda, e para tornar a cidade ainda mais divertida, seria construído um tobogã. Aos políticos locais caberia inaugurá-lo, precipitando eles próprios os corpanzis lá de cima. Políticos baianos ultimamente têm cometido mesmo uma série de deslizes. Um a mais, um a menos...

Ao Rio de Janeiro falta uma dose maior de feiúra. Já tem alguma, especialmente quando visto de perto, não lá das alturas do Corcovado, mas de modo geral é bonito demais. Humilha as demais cidades brasileiras e, com isso, converte-se em fator de desequilíbrio. Um começo seria cimentar a Praia de Copacabana, como sugeriu um colunista do jornal inglês The Guardian, entre outras troças motivadas pela decadência do Brasil no futebol. Igualmente eficiente, para efeito de enfear a cidade, seria a construção de uma via elevada ao longo de toda a orla. Já há uma, na Praça Quinze, que cumpre a contento a missão de separar, e tornar inconciliáveis – já que eram harmônicos demais –, a velha praça, com seus prédios históricos, e o mar. Estender uma via assim às praias da Zona Sul não seria má idéia. Para radicalizar, em vez de via elevada, que tal uma muralha? A cidade perderia a praia, mas ganharia notável obra de engenharia. A muralha seria larga o suficiente para conter, em cima, trilhos por onde passaria o metrô, semelhantes aos que, sobre os Arcos da Lapa, acolhem o bonde de Santa Tereza. Melhoraria muito o trânsito.

Ah, sim. É imprescindível botar abaixo o Pão de Açúcar. Não se botou abaixo o Morro do Castelo?

   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Espiral
 
Ingressos
Fun by Net
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS