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Tudo pelo social
Suspeito
de vender notinhas, o principal colunista da corte brasiliense é
demitido
Policarpo
Junior
Aos 67 anos,
o colunista social Gilberto Amaral perdeu o reinado que manteve nas últimas
três décadas em Brasília. Freqüentador de palácios,
interlocutor de presidentes e anfitrião de ministros, Amaral foi
demitido do Correio Braziliense, o principal jornal de Brasília,
onde publicava uma coluna diária. A direção do
Correio não gostou de saber que Amaral andou distribuindo um
convite em Brasília. No convite, assinado pelo próprio jornalista,
Gilberto Amaral informava que a revista Vogue, editada pela Carta
Editorial, publicaria um suplemento com perfis das principais personalidades
de Brasília, com tiragem de 40.000 exemplares
e distribuição nacional. Lá pelas tantas, o tal convite
gentilmente dizia que, a pretexto de custear as despesas, a Vogue
solicitava ao futuro perfilado uma singela contribuição
de 8.000 reais. A direção do
Correio entendeu que não poderia manter em seu quadro um colunista
social que cobra para publicar perfis, notas ou reportagens.
"O texto
foi de uma infelicidade tremenda", diz o diretor da Vogue, Andrea
Carta. "Aqui não existe pagamento por matéria." Gilberto
Amaral garante que o convite saiu com um problema semântico. "Estávamos
nos referindo à parte da publicidade", diz o colunista, embora
a palavra "publicidade" nem sequer apareça no texto. Amaral atribui
sua demissão à perseguição. "Arrumaram um
motivo para me mandar embora. Nunca cobrei nada de ninguém. Aliás,
se eu fosse cobrar pelas notas na minha coluna, estaria multimilionário.
Tem gente que até liga para perguntar quanto é que custa."
A coluna de Amaral, no entanto, talvez não desapareça. Na
tarde de sexta-feira passada, logo depois de sua demissão, ele
foi visto conversando com o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz,
que já foi apontado como o verdadeiro dono do segundo diário
da capital, o Jornal de Brasília.
Único
colunista com passaporte para as festas tucanas, Amaral costumava fazer
festanças que eram retratadas em sua coluna e num programa de televisão
que ele apresenta. Sua intensa atividade sempre gerou comentários
picantes. No governo Collor, foi acusado de cobrar pedágio de interessados
em ter uma audiência com o presidente. Tudo inveja, segundo ele.
Já um empreiteiro de Brasília, figura recorrente na coluna
de Amaral, certa vez passou mais de um ano sem sair no jornal. Promovia
festas, convidava gente graúda e nada. Um dia, recebeu um recado:
o problema era a decoração. Explica-se: em uma das festas,
sua mulher, desavisada, não gostou da empresa responsável
pela decoração e contratou outra. A empresa preterida era
da mulher de Amaral. Foi só a mulher do empreiteiro voltar atrás
para ele recuperar o glamour de freqüentar as páginas do colunista.
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