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Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
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Tudo pelo social

Suspeito de vender notinhas, o principal colunista da corte brasiliense é demitido

Policarpo Junior

Aos 67 anos, o colunista social Gilberto Amaral perdeu o reinado que manteve nas últimas três décadas em Brasília. Freqüentador de palácios, interlocutor de presidentes e anfitrião de ministros, Amaral foi demitido do Correio Braziliense, o principal jornal de Brasília, onde publicava uma coluna diária. A direção do Correio não gostou de saber que Amaral andou distribuindo um convite em Brasília. No convite, assinado pelo próprio jornalista, Gilberto Amaral informava que a revista Vogue, editada pela Carta Editorial, publicaria um suplemento com perfis das principais personalidades de Brasília, com tiragem de 40.000 exemplares e distribuição nacional. Lá pelas tantas, o tal convite gentilmente dizia que, a pretexto de custear as despesas, a Vogue solicitava ao futuro perfilado uma singela contribuição de 8.000 reais. A direção do Correio entendeu que não poderia manter em seu quadro um colunista social que cobra para publicar perfis, notas ou reportagens.

"O texto foi de uma infelicidade tremenda", diz o diretor da Vogue, Andrea Carta. "Aqui não existe pagamento por matéria." Gilberto Amaral garante que o convite saiu com um problema semântico. "Estávamos nos referindo à parte da publicidade", diz o colunista, embora a palavra "publicidade" nem sequer apareça no texto. Amaral atribui sua demissão à perseguição. "Arrumaram um motivo para me mandar embora. Nunca cobrei nada de ninguém. Aliás, se eu fosse cobrar pelas notas na minha coluna, estaria multimilionário. Tem gente que até liga para perguntar quanto é que custa." A coluna de Amaral, no entanto, talvez não desapareça. Na tarde de sexta-feira passada, logo depois de sua demissão, ele foi visto conversando com o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que já foi apontado como o verdadeiro dono do segundo diário da capital, o Jornal de Brasília.

Único colunista com passaporte para as festas tucanas, Amaral costumava fazer festanças que eram retratadas em sua coluna e num programa de televisão que ele apresenta. Sua intensa atividade sempre gerou comentários picantes. No governo Collor, foi acusado de cobrar pedágio de interessados em ter uma audiência com o presidente. Tudo inveja, segundo ele. Já um empreiteiro de Brasília, figura recorrente na coluna de Amaral, certa vez passou mais de um ano sem sair no jornal. Promovia festas, convidava gente graúda e nada. Um dia, recebeu um recado: o problema era a decoração. Explica-se: em uma das festas, sua mulher, desavisada, não gostou da empresa responsável pela decoração e contratou outra. A empresa preterida era da mulher de Amaral. Foi só a mulher do empreiteiro voltar atrás para ele recuperar o glamour de freqüentar as páginas do colunista.

   
 
   
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