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Aquele abraço

Uma guru indiana circula pelo
Ocidente,
abraçando multidões
e distribuindo "energia"

Ana Paula Buchalla

A pauta de exportações da Índia para o Ocidente passou a incluir gurus hinduístas desde que os Beatles enxergaram a salvação humana na figura do Maharishi Mahesh Yogi, no fim dos anos 60. A última novidade nessa área atende pelo nome de Mata Amritanandamayi, que em sânscrito quer dizer "Mãe da Eterna Felicidade". Também conhecida como Amma (Mãe) ou Ammachi (Querida Mãe), essa indiana semi-analfabeta de 47 anos tem por missão dar um abraço em quem a procura. Simples assim. Um longo e afetuoso abraço, acompanhado de breves palavras de conforto. Calcula-se que ela já tenha dado mais de 20 milhões de abraços em trinta anos de atividade. Amma gosta de distribuir amplexos nos países ricos da Europa, no Japão, na Austrália e nos Estados Unidos. No mês passado, concluiu sua 15ª turnê por cidades americanas, entre as quais Chicago, Washington, Boston e Nova York. Lotou estádios e auditórios de escolas e universidades. Nessas viagens, ela abraça e embolsa donativos em moedas fortes – que, segundo seus seguidores, são transformadas em benefícios para os pobres de sua região natal. No ano que vem, deverá vir ao Brasil. Receberá contribuições em reais, mesmo.

Sabe aquela história de energia positiva e coisa e tal? É mais ou menos por aí. O abraço de Amma atrai multidões porque ele restituiria às pessoas uma certa "energia maternal" que anda em falta no planeta. "Durante séculos, este mundo foi contagiado pelo excesso de energia masculina. E é isso que está causando tantos problemas atuais", costuma explicar Amma. Por essas e outras, ela faz sucesso na tribo dos psicólogos com um pé (ou os dois) no esoterismo. Aquela que mistura Jung e tarô, receita florais de Bach para curar angústias de fundo edípico e trocou definitivamente o divã pelo almofadão. "A sensação causada pelo abraço de Amma é de profunda paz mental", resume o psicoterapeuta paulista Wilton Gama, que por duas vezes assistiu ao ritual protagonizado por Amma.

A cerimônia dos abraços segue um roteiro bem definido. Vestida num sári todo branco, com o tradicional ponto colorido no meio da testa e um diamante pregado no nariz, a guru senta-se em meio às pessoas e profere algumas frases metafóricas sobre a importância do amor etc. Em seguida, entoa cânticos devocionais, os bhajans. Por último, como diria Galvão Bueno, parte para o abraço – o darshan. Algumas vezes, distribui chocolates e frutas. Numa única sessão, Amma chegou a passar mais de vinte horas sentada e deu 18.000 abraços, sem comer nem beber nada. Como toda celebridade, Amma tem um relações-públicas (americano). Seu site oficial pode ser lido em várias línguas, inclusive em português. Nele, há uma síntese de sua biografia. O trecho mais interessante narra o episódio em que Amma, ainda criança, pegou a única jóia de sua mãe e a deu a uma família que passava fome. Seu pai, furioso, a amarrou numa árvore e a chicoteou até que a menina sangrasse. Amma, é claro, o perdoou.

 

De braços abertos

Estima-se que, em trinta anos de atividade, a guru indiana tenha dado mais de 20 milhões de abraços

Numa única sessão, ela deu 18 000 abraços

 

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